‘O Jogo das Contas de Vidro’, livro de Hermann Hesse, vai ser reeditado pela D. Quixote

1 FEVEREIRO, 2017 -

A reedição de ‘O Jogo das Contas de Vidro’, considerada a grande obra de Hermann Hesse, que antecedeu o seu Prémio Nobel da Literatura, é uma das novidades deste mês da D. Quixote, anunciadas hoje pela editora.

‘O Jogo das Contas de Vidro’, que teve a primeira edição pela D. Quixote em 1989, estará nas livrarias a 21 de fevereiro e conta a história de Josef Knecht, criado numa comunidade imaginária e quase monástica, em que um conjunto de eleitos é recrutado para uma Ordem espiritual que pratica o Jogo das Contas de Vidro, uma atividade intelectual, através da qual se procura encerrar a totalidade do mundo em círculos concêntricos, unindo a beleza da arte ao formalismo das ciências.

Um virtuoso desde a infância, com habilidades invejáveis no Jogo, Josef Knecht é consumido pelo desejo de o dominar, o que alcança na idade adulta, tornando-se no Magister Ludi (Mestre do Jogo).

Este foi o último romance de Hermann Hesse, que conduziu à atribuição do Prémio Nobel de Literatura em 1946, tendo-se tornado num clássico da literatura contemporânea, que aborda complexidade da vida moderna.

Outro romance de um Nobel em reedição pelas Publicações D. Quixote, à venda no dia 28, é ‘A Casa das Belas Adormecidas’, do japonês Yasunari Kawabata (o primeiro do seu país a receber tal galardão literário), que se destaca da restante obra do autor “pela sua perfeição formal”, segundo a editora.

Trata-se de um pequeno grande romance, escrito em 1961, imbuído de um “erotismo inusitado”, em que o autor utiliza o seu virtuosismo descritivo para contar a história de Eguchi, um senhor de 67 anos que, em busca dos prazeres perdidos, descobre uma espécie de clube secreto para homens de idade avançada.

A casa tem jovens virgens profundamente adormecidas por narcóticos e aos seus frequentadores é exigido o cumprimento de uma regra fundamental: podem dormir, observar e até tocar nas “Belas Adormecidas”, mas estão proibidos de as corromper.

Eguchi dorme com uma rapariga diferente em cada visita e cada uma delas desperta nele recordações pessoais e fantasias que ora o excitam, ora o entristecem, ora o enervam, fazendo com que os seus instintos mais perversos acabem por vir ao de cima.

A D. Quixote vai também publicar, no dia 14, o último romance de Mário Cláudio, ‘Os Naufrágios de Camões’, cuja trama parte de “um linguista que escreve ao autor do romance, alegando descobertas que põem em causa a autoria de parte d’Os Lusíadas, apoiando-se nos estudos de Richard Burton, o explorador britânico que descobriu as nascentes do Nilo e traduziu a epopeia para a língua inglesa”.

Nessas cartas escritas a Mário Cláudio, Timothy Rassmunsen defende que Luís de Camões não teria sobrevivido ao naufrágio e que o capitão da nau onde viajavam se teria feito passar por ele, dando continuidade à epopeia.

Em reedição vão estar ainda as obras de José Gomes Ferreira ‘Dias Comuns VIII’ e ‘Livro das Insónias Sem Mestre’, assim como o romance ‘Autópsia de Um Mar de Ruínas’, de João de Melo, sobre a experiência do autor na guerra colonial, onde esteve dois anos e que o marcou profundamente.

A D. Quixote destaca ainda o lançamento de ‘O Paraíso’, de Paula de Sousa Lima, finalista do Prémio Leya 2016, que conta a história de duas crianças gémeas sobreviventes de um massacre praticado pelos habitantes de uma aldeia, em pleno reinado de D. Carlos, e que são entregues aos cuidados de dois orfanatos distintos, cada uma crescendo sob o signo da tristeza, da solidão e da violência.

Texto de Lusa

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