O dia em que Salvador Dali foi expulso da escola

7 AGOSTO, 2016 -

A diferença entre mim e um louco, é que eu sei que sou louco!”, disse Dali.

Ao longo da história, muitos artistas conseguiram aumentar o valor das suas obras pela popularidade do carisma das suas personalidades. Um dos melhores exemplos deste fenómeno é o de Salvador Dali.
O pintor espanhol tinha uma personalidade marcada pela convicção profunda das suas grandes capacidades. Excêntrico assumido, chegou mesmo a escrever um livro com pensamentos seus ao qual deu o título: “Diário de um génio”. Esta postura acompanhada por declarações polémicas, comparando o seu trabalho com o efeito do consumo de droga, dizendo ser o maior pintor vivo, entre outras, levou de igual forma a que muita gente o tivesse considerado de louco e arrogante. No entanto, nunca escondeu o seu fascínio pela imagem que tinha de sí mesmo. Ser polémico era algo que fazia parte da sua maneira de ser, desde o seu bigode extravagante até às fotografias em posturas pouco usuais.
Não foi a fama da sua obra que o levou a estas atitudes, como aconteceu com outros. Estes traços de personalidade começaram a despertar desde muito novo. Um dia, o jovem Dali estava prestes a fazer uma avaliação a história da arte, na qual teria de responder a perguntas sobre um tema, que iria ser sorteado pelo professor num saco cheio de papéis dobrados onde as diferentes hipóteses estavam escritas. Os papéis foram baralhados e o acaso levou a que o tema pelo qual seria avaliado era um dos seus pintores preferidos: Rafael, um importante pintor italiano do Renascimento. Qual foi a reação do jovem Dali? Um raciocínio muito simples: “Não posso ser avaliado!” ao qual os professores reagiram com estranheza. Dali explicou o porquê da sua afirmação: “Eu, Dali, sei tanto sobre Rafael, muito mais do que os três professores juntos, que não posso ser avaliado!”. O próprio conta que depois foi levado ao Director da escola e acabou expulso por levar a sua recusa adiante, algo que veio detriorar ainda mais a sua relação com o Pai.
A vida e a obra do pintor natural da Catalunha continua a fascinar os mais curiosos. Uma vez, em entrevista, revelou que as pessoas lhe pediam autógrafos e não sabiam de facto se ele era um pintor, um ator de cinema ou um louco. Na arte, popularidade nem sempre significa qualidade, mas sem dúvida que uma personalidade que cause impacto nos meios sociais aumenta a visibilidade do artista. Neste caso, ainda bem que assim foi.

Texto de Pedro Fernandes

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