Nunca se reeditou tanto Fernando Pessoa

25 AGOSTO, 2016 -

 

entro nas livrarias, vou a secção de poesia, e o poeta da moda é o Pessoa; já falecido há 80 anos. Aliás, não estou a ser correcto. Quem está na moda é o Álvaro de Campos
Fernando Pessoa era lisboeta; tanto em vida como em morte.
E Camões também
Há, desde sempre, uma predominância da poesia feita em Lisboa (e ora no Porto). A poesia modernista e, sobretudo, urbana.
E é natural que assim seja:
as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto têm, juntas, 4,5 milhões de habitantes – 43% da população portuguesa. E essas duas áreas, juntas, representam, apenas, 5% do território nacional.
OU SEJA
43% da população habita em 5% do território; e o resto está disperso; isolado
Por isso que, ainda hoje, a seguir a Fernando Pessoa e a Camões, são os poetas lisboetas urbanos (vejam a Matilde Campilho com Jóquei, que já vai na 5ª edição) que são editados, vendidos e lidos.
Como se não houvesse poesia não-urbana; ou como se o urbanismo, per si, conferisse qualidade à poesia.
Há uma obsessão frágil em termos literários e mercantilizada em termos editoriais sobre a poesia feita em Portugal.
Eu sei que também há um abuso do poema de verso livre – como acusou há tempos o poeta Daniel Jonas.
O Álvaro de Campos, com o verso livre, abriu a hipótese para que toda a gente pudesse escrever poesia ontológica em verso livre. Em catarse.
Mas nem tudo é poesia.
Mesmo as que são feitas em Lisboa.

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