Novos detalhes de ‘Image et Parole’, novo filme de Jean-Luc Godard

29 DEZEMBRO, 2016 -

Jean-Luc Godard estará de regresso ao grande ecrã com “Image et Parole“, mesmo após ter projetado o final da sua carreira para 2011. O realizador francês, de 86 anos, assume este projeto como o sucessor de “Adieu au Langage” (2014) e já iniciou as rodagens do mesmo, prevendo-se a sua exibição para depois da próxima edição do Festival de Cannes. Fontes indicam também que essas rodagens têm tomado lugar no Médio Oriente, com o grande nome do cinema da Nouvelle Vague a procurar refletir sobre uma diversidade de temáticas numa mescla entre realidade e ficção.

Segundo a Screen Daily, ‘Image et Parole’ encontra-se em produção há mais de dois anos e numa das entrevistas efetuadas por Godard durante este período de conceção revela mais alguns detalhes sobre aquilo em que o filme consiste. O franco-suíço funde assim a guerra, o sentido de viagem e a lei (explorando conceitos políticos trabalhados pelo filósofo iluminista Montesquieu) numa região condicionada pela pobreza mas onde existe petróleo. Essa evidência torna as gentes da região satisfeitas pela estabilidade que têm, sendo esta altamente perturbada pela vontade do seu governador de assumir também outros países vizinhos.

Godard foi também entrevistado pela russa Séance e revelou vários detalhes:

Estou a fazer uma introdução muito longa. Antes de vermos toda a mão, devemos considerar cada dedo individualmente. Então, eu dou os primeiros cinco elementos: a guerra, as viagens, a lei (como Montesquieu, o Espírito das Leis) … algum outro e este último é o chamado Região Central (Central Region), em memória de um dos filmes underground americanos.“, disse o cineasta. E acrescentou ainda: “Esta pequena história é emprestada de um livro desinteressante que se intitulava Happy Arabia – este epíteto de viajantes do século XIX (como Alexandre Dumas) concedendo hoje à região atingida pela pobreza, o Oriente Médio. A ação ocorre num dos países locais onde há petróleo; as pessoas estão satisfeitas com esse estado de coisas, mas o seu governante quer governar os outros países árabes. Ele tenta isso, mas eventualmente falha, e tudo volta ao normal. Eu filmo sem atores, eles não precisam de mim aqui. Mas existe um contador de histórias, para ler os excertos do livro, e aí nós compreendemos amplamente a história, que funciona como uma espécie de parábola.“, revelou Jean-Luc Godard.

Desta feita, tratar-se-á de uma reflexão sobre a realidade da sociedade árabe contemporânea, realidade esta marcada por fortes convulsões e que merecerão um tratamento especializado pelo cineasta. Confirmado está assim o prolongamento da carreira produtiva de Godard, tratando-se de um dos maiores e dos mais revolucionários nomes do cinema europeu e mundial.

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