NOS Primavera Sound 2017: as nossas recomendações

7 JUNHO, 2017 -

Os dias 8, 9, e 10 de junho de 2017 trazem mais um NOS Primavera Sound à cidade do Porto, nomeadamente ao Parque da Cidade. À imagem dos seus antecessores, o cartaz apresenta nomes de vulto da atualidade musical, tais como Angel Olsen, ou Bon Iver. Porém, são mais e, de igual forma, interessantes as figuras que irão estar nos palcos do recinto, que terá um leque diverso de artistas para todos os gostos. De seguida, apresentamos alguns daqueles que consideramos os mais interessantes e apelativos rostos a figurar na edição deste ano.

A ligação de Angel Olsen a Portugal tem sido frutuosa. A artista realizou uma residência artística na Galeria Zé dos Bois, que culminou com uma série de actuações entre Guimarães e a capital em Setembro de 2015. Regressa a Portugal meses depois, novamente à ZDB, para apresentar ao vivo, e pela primeira vez, algumas das novas canções que andava a preparar em estúdio. Será a primeira vez que a veremos no contexto de um grande festival. Espera-se que Angel conquiste o seu público crescente, principalmente com os temas dos seus dois últimos álbuns: ‘Burn Your Fire For No Witness’ e ‘MY WOMAN’. A certeza de que estaremos bem acompanhados, no sítio certo à hora certa, com o rock melódico – ora contido, ora explosivo – de Angel Olsen.

Richard James não é um estranho ao mundo da música e desde a década de 90 que tem expandido os horizontes da música electrónica e da música ambiente. O seu álbum mais recente Syro continua a exploração sonora levada a cabo por Aphex Twin ao longo da sua carreira, com o seu habitual estilo de composição, fazendo jus às valências de produção do artista. Na sua actuação podemos esperar um espectáculo alimentado a batidas ribombantes, melodias sincopadas e uma abrasão bem orquestrada. Quase dezassete anos depois da sua última passagem por Portugal, Aphex Twin está de volta para fechar o palco NOS da melhor maneira possível, e este é sem dúvida um concerto a não perder.

O cancelamento de concertos nos primeiros meses do ano, por motivos que permaneceram incógnitos, chegaram a fazer temer que também o alinhamento do Primavera Sound teria uma desagradável alteração. Não aconteceu. Bon Iver lá estará, dia 9 de Junho, no Parque da Cidade. Um dos grandes nomes do indie folk contemporâneo, autor do já clássico ‘For Emma, Forever Ago’, marca presença como cabeça de cartaz do único dia esgotado do efestival. Será a primeira vez que Justin Vernon irá actuar em Portugal desde 2012. Consigo traz o art pop codificado de ‘22, a Million‘, que, não tendo caído nas graças de todos os fãs, está impregnado de momentos de beleza sublimes. Quem marcar presença no concerto de Bon Iver, terá apenas um desgosto: ao mesmo tempo, no Palco Pitchfork, toca Julien Baker, outra das grandes actuações da noite.

Steven Ellison, conhecido como Flying Lotus, está de volta a Portugal depois de ter passado pelo Super Bock Super Rock em 2012. Ao longo da sua carreira, o produtor e rapper tem sido cada vez mais aclamado pela crítica e pelos seus pares, contando já colaborações com Kendrick Lamar, Thundercat (um dos seus parceiros musicais) e Thom Yorke. O seu último álbum You’re Dead! é uma ambiciosa obra-prima, um complicado labirinto sonoro que mistura jazz, hip-hop, rock e música electrónica, e é constituído maioritariamente por curtos “espasmos” musicais conjugados pela fervorosa mente de Steven; a resposta electrónica ao álbum Bitches Brew de Miles Davis. Se FlyLo conseguir demonstrar a energia de You’re Dead! acoplada ao resto da sua invejável discografia, o seu espectáculo certamente será um dos mais inesquecíveis desta edição do NOS Primavera Sound.

Pelo quarto ano consecutivo o septeto australiano King Gizzard and the Lizard Wizard marca presença em Portugal. Trazem o seu álbum mais recente, Flying Microtonal Banana, lançado este ano e o primeiro de cinco álbuns que a banda pretende lançar em 2017. Neste álbum juntam a caricata sonoridade microtonal ao seu garage rock efervescente e rock psicadélico aguerrido, mas os pupilos de Stu Mackenzie certamente mostrarão o resto do seu proficiente repertório; seja o loop infinito de músicas em Nonagon Infinity ou a natural sonoridade de Paper Mâché Dream Balloon, adequada ao Parque da Cidade. Podemos esperar também novas músicas do próximo lançamento da banda, Murder of the Universe, um desafiante álbum conceptual com lançamento marcado para o final de Junho.

Mitski afirma-se como uma das artistas em ascensão no universo do indie rock. O álbum ‘Puberty 2‘, lançado o ano passado, conquistou a atenção da crítica. Uma mulher e uma guitarra, sem medo de abordar temas como a depressão, a ansiedade e a insegurança. Composições densas, intensas e envolventes, com riffs poderosos e uma voz que não se poupa. Mais agressiva que Angel Olsen, na senda de Japanese Breakfast e Torres, Mitski será uma aposta ganha à partida para quem escolher ouvi-la (embora toque ao mesmo tempo que Sampha…). As actuações ao vivo de Mitski são constantemente elogiadas, pela catarse que alcança na prestação das suas canções. Elevadas expectativas, pois, para aquela que será a estreia da artista em solo nacional.

O grupo australiano de rock psicadélico liderado por Nick Allbrook está de volta naquela que será a sua terceira passagem por Portugal e a segunda pelo Porto. Os Pond trazem consigo The Weather, o álbum lançado no mês passado e que denota uma maior maturidade da banda e um grupo mais contido na sua abordagem. Mas a sonoridade fervorosa e jovial certamente estará presente e espera-se uma actuação transcendente, cheia de sintetizadores abrasivos e riffs apetecíveis. Os nativos de Perth vão abrir o palco NOS no segundo dia do festival, e com o sol ainda a cobrir o Parque da Cidade certamente vamos poder ouvir êxitos como “Elvis’ Flaming Star”, “Giant Tortoise”, “Moth Wings” ou “Sweep Me Off my Feet”

Dois anos depois de terem passado pelo Porto, os Run The Jewels – compostos pela dupla Killer Mike e El-P – estão de volta para incendiar a noite com as suas rimas endiabradas. Vêm apresentar Run the Jewels 3, o álbum lançado no início deste ano e o seu projecto mais conciso e completo até à data. Testemunhar uma das melhores duplas de hip-hop de todos os tempos será certamente uma experiência para recordar mais tarde e absorver ao máximo no momento, especialmente numa altura em que ambos os MC’s estão no topo da sua habilidade. Para todos os fãs de hip-hop este é definitivamente um concerto a não perder, e através do humor e letras à fanfarrão, Run the Jewels vão mostrar toda a sua garra possante.

Sampha, o produtor e cantor britânico, estreia-se pela primeira vez em Portugal. Depois de colaborações com Drake, Kanye West, Solange Knowles ou Frank Ocean, o artista lançou o seu primeiro longa-duração Process este ano, um excelente álbum de estreia composto por temas bem cantados e com bons instrumentais, em que a voz e a batida estão em sintonia entre si e com o estado de espírito que pretendem transmitir. É este projecto que vem apresentar ao NOS Primavera Sound, e celebrar a sua emoção a plenos pulmões, recebido pelo calor gratificante do público. O seu objectivo é certamente electrificar a multidão com a sua voz apelativa e a sua destreza ao piano, numa actuação que certamente não será esquecida pelos fãs; esperemos que seja a primeira de muitas.

Depois do Paredes de Coura e do Mexefest no ano passado, os Whitney vêm picar mais uma cidade portuguesa. Estamos em crer que a relva do Parque da Cidade vai ser muito benéfica ao concerto da banda que fez de ‘No Woman’ e ‘Golden Days’ os hinos do verão passado. O som dos Whitney é isso mesmo: quente, confortável, adequado ao pôr-do-sol de um parque. Os horários e o cenário fizeram-lhes essa atenção. Talvez um dos momentos que se esperam mais descontraídos no festival, uma injecção de paz de espírito e boa disposição. Venha de lá o som cheio e os trompetes que dão as boas-vindas ao verão.

Fotografia de topo – Vito Valentinetti

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