NOS Alive 2017: as nossas recomendações

6 JULHO, 2017 -

Começa hoje no Passeio Marítimo de Algés a 11ª edição do NOS Alive. O festival anunciou em Maio que os três dias se encontravam completamente esgotados, o que nunca tinha acontecido tão antecipadamente. Entre os nomes que encabeçam o cartaz surgem bandas como os Depeche Mode e os Foo Fighters, que atraíram muita gente à compra antecipada das entradas. Destacamos, acima de tudo, um cartaz que – sendo ou não “o melhor, sempre“, como a organização afirma no seu slogan – se apresenta com uma grande coerência e força, de ano para ano. E com um palco Heinekein – secundário -ao qual poucos não se desdobram em elogios.

A Comunidade Cultura e Arte estará no NOS Alive 2017, a acompanhar de perto os três dias do festival português de maior dimensão e alcance internacional. Deixamos-te algumas das nossas sugestões para o que podes ver, ouvir e descobrir na edição deste ano.

Joe Newman e companhia vêm mostrar o seu art pop caricato e delicioso que tomou o mundo de assalto em An Awesome Wave. Os Alt-J actuam pela segunda vez no palco principal do NOS Alive e trazem consigo Relaxer, o seu terceiro álbum de originais e no qual transparece o estilo sonoro que popularizou a banda. É estranho pensar que há cinco anos estavam a actuar no Milhões de Festa e hoje são um dos nomes mais conhecidos desta edição do NOS Alive. Ao som das conhecidas “Breezeblocks” ou “Fitzpleasure”, ou das mais recentes “3WW” e “In Cold Blood” , certamente que a sua actuação provará porque é que hoje a banda é um dos cabeças de cartaz do festival.

O ano 2000 viu nascer meia dúzia de álbuns que alcançaram um estatuto mítico. ‘Since I Left You’, dos The Avalanches, tornou-se um deles. Com uma vasta legião de seguidores, a banda ajudou a consolidar o plunderphonics, género musical de recorte e colagem, uso abundante de samples; no caso dos The Avalaches, ao som de uma sonoridade nu-disco. Estiveram desaparecidos em combate durante os quinze anos seguintes, tendo regressado inesperadamente o ano passado com ‘Wildflower’, que conseguiu cumprir com as expectativas de muitos fãs. A festa dos The Avalanches, no Palco Heinekein, vai encerrar o Nos Alive no último dia do festival. É a estreia da banda no nosso país, muitos anos depois de terem elevado ao panteão dos álbuns um clássico que a história se encarregará de não esquecer.

Os Fleet Foxes regressam a Portugal seis anos depois da primeira e única visita que nos fizeram. A mesma cidade, o mesmo festival, o mesmo palco secundário. Mas de secundário terão muito pouco: os norte-americanos de Seattle, liderados por Robin Pecknold, são autores de uma discografia praticamente imaculada. Três álbuns de estúdio, três clássicos praticamente instantâneos do folk alternativo (chamber folk e folk progressivo). O último, ‘Crack-Up’, editado há menos de um mês, enche o ouvido e a alma. Vem do mar e ao mar retorna; Lisboa parece indicada para ser das primeiras cidades a poder ouvi-lo. Os Fleet Foxes vão provavelmente continuar a compor história; sentimo-nos priveligiados por podermos assistir de perto, no tempo certo, àquele que provavelmente se afigura como um dos grandes concertos do ano.

O palco Heinekein, por muitos considerado o melhor palco do Alive ao longo das últimas edições, vai acolher um dos nomes que mais cartas têm dado na música electrónica. Floating Points, projecto do britânico Sam Shepherd, é um laboratório de nu-jazz e electrónica progressiva, na senda de Caribou e Four Tet; soa verdadeiramente a investigação de ponta, com um som claro e introspectivo, à procura de recriar emoções novas. Regressam ao nosso país um ano depois de terem estado no Nos Primavera Sound, com um novo EP gravado no deserto de Mojave e lançado há uma semana. Não é que vão ter mais público que da primeira vez: tocam às três da manhã, e num dia diferente daquele que tinha sido anunciado pela organização (o que terá defraudado alguns dos fãs que compraram bilhete diário para dia 8). Mas aqueles que os ouvirem terão o privilégio de serem testemunhas, por uma noite, da magia dinâmica e minimal de Floating Points.

Ainda com o coração cheio de Novembro passado – com dois concertos de tirar o fôlego no Porto e em Lisboa – os The Kills voltam a Portugal. Este verão têm andado pela estrada numa mescla de clássicos e músicas novas de “Ash & Ice“, tendo já Alison Mosshart subido ao palco com Foo Fighters, algo que ainda podemos sonhar que se repita no Passeio Marítimo de Algés. Da dupla Hince e Mosshart podemos esperar a electricidade de sempre, num concerto que decerto ficará na memória de todos os festivaleiros desta edição do NOS Alive.

Com um novo álbum acabado de sair chegam do Reino Unido os Royal Blood. Um baixista e um baterista que preenchem o palco como ninguém, com uma sonoridade explosiva, reavivando o rock ‘n roll numa harmonia de riffs pesados e compassos acertados, que deixam o público rendido a Mike e Ben. Actuam dia 6 mas já têm data de regresso a Portugal marcada, no próximo Outono, dia 28 de Outubro; contudo, aproveitemos a noite de verão em Algés para dar as perfeitas boas-vindas a esta dupla, e mergulhemos no esperado mosh já para lá da meia-noite.

A banda Savages está de volta a Portugal um ano depois de uma actuação fervorosa no NOS Primavera Sound 2016. Com dois álbuns aclamados pela crítica, a trupe feminina liderada por Jenny Beth promete trazer toda a pujança do post-punk para o palco Heineken, e electrificar a multidão com músicas possantes e barulhentas como “Shut Up” “Husbands” ou “The Answer”. Apesar de ser a sétima vez que a banda em Portugal desde 2013, esta é a sua estreia no NOS Alive, e certamente será uma actuação para não esquecer, elevada pela energia incrível e contagiante que Savages transmitem.

A quietude da sonoridade dos The xx rivaliza o seu estrondoso sucesso. Para a felicidade de muitos voltam a marcar presença em terras portuguesas, perto do sítio onde actuaram em 2013, a Torre de Belém. Trazem consigo I See You, o terceiro álbum da banda e o florescer do seu membro mais “desconhecido”, o criativo produtor Jamie Smith. O seu indie pop promete acalmar os ânimos depois de Phoenix mas também pôr-nos a dançar ao som de temas como “Dangerous” ou “On Hold”. Sete anos depois de deixarem o palco secundário a abarrotar, estreiam-se agora no palco principal, senhores da sua música e com um alcance talvez inimaginável para os jovens que em 2010 encantaram o passeio marítimo de Algés.

As meninas de Los Angeles voltam ao nosso país com o “Heads Up” na bagagem. Warpaint chegam ao NOS Alive mais maduras e com um novo álbum bastante aclamado. Depois de uma tour europeia que não passou por Portugal, as vozes encantadoras de Emily, Theresa, Jenny e Stella chegam a Algés para um concerto no próximo dia 7. Entre as músicas mais antigas e mais recentes, este será certamente um espectáculo a ter em conta, com a atmosfera tão única que a banda consegue criar durante a sua performance.

Há cinco anos atrás, quando um modesto Abel Tesfaye actuava no NOS Primavera Sound, provavelmente ninguém esperaria que The Weeknd se tornasse no fenómeno pop que hoje é, contando com colaborações com gigantes da música mundial como Future, Kendrick Lamar, Drake, Sia e Daft Punk. Mas actualmente é essa realidade e a popularidade do artista canadiano é avassaladora. Starboy é o projecto que vem apresentar, mas com certeza iremos ouvir os êxitos “I Can’t Feel My Face” ou “The Hills” ribombarem pelo passeio marítimo de Algés e encantarem o público. Espera-se uma actuação memorável para fechar o primeiro dia do festival, com um público unido sob o timbre sedutor de Abel e as suas melodias apelativas.

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