Nicolas Jaar e as várias texturas da música eletrónica

29 MAIO, 2017 -

Com vinte e sete anos, Nicolas Jaar tornou-se uma referência musical na pista de dança, bem como fora desta. É pouco provável não se identificar a música Mi Mujer que, com influências hispano-americanas, tomou de assalto as pistas de dança em 2010. Uma batida em crescendo e letra em castelhano deu início ao que Nicolas Jaar viria a ser.

Em 2011, o LP Space is only noise não foi feito para grandes palcos, com uma batida mais lenta (90-110bpm) a direção é outra. Difícil de o posicionar num género específico, Nicolas Jaar desafiou o público. A faixa Être inicia o LP com a descrição em francês de uma massa de água e o som da mesma. Não é decididamente para a dançável. O músico decide embalar o ouvinte durante as treze faixas que compõem o LP num percurso calmo e sem grandes sobressaltos, onde mistura o analógico e o digital, tornando-os praticamente indissociáveis. Talvez seja esse o objetivo – “Replace the word space with a drink and forget it” – murmura a faixa – “ space is only noise if you can see”.

O segundo LP Pomegranates só é lançado em 2015. Nicolas Jaar descreve-o enquanto “uma colagem estranha de música ambiente que fiz nos últimos dois anos”. Tal é perceptível ao longo do trabalho, onde mistura sons orquestrais com ruídos e sons que não pertencem a uma orquestra. Trata-se de um trabalho mais experimental que o anterior e uma banda sonora alternativa para o filme de Sergei Parajanov “The Colour of Pomegranates”, de 1969. São vinte faixas que distanciam este projeto do anterior. As faixas Divorce e Muse são essencialmente solos de piano, e diferenciam-se das restantes por desprezarem o sintetizador e afastarem-se do restante trabalho mais eletrónico.

É também em 2015 que temos o remix de Florence and the Machine – What Kind of Man – onde, quem não conhecia Nicolas Jaar, teve oportunidade de o fazer. Um remix com várias camadas usando a voz de Florence para cativar um maior público.

O último LP, Sirens, foi editado em 2016, e inicia com Killing Time, composto por mais de 10 minutos de uma história por inventar , e que cada ouvinte é convidado a criar a seu bel-prazer. A faixa No transporta-nos para muito próximo do primeiro álbum, iterando o que já nos tinha sido apresentado, mas sem por isso parecer uma repetição. O LP termina com History Lesson onde somos então informados que este era eminentemente político. Só mais uma razão para o ouvirmos novamente.

Nicolas Jaar não é desconhecido do público português, que, desde 2012, esteve presente em Portugal em mais de cinco ocasiões. A próxima será no NOS Primavera Sound, a realizar-se de 8 a 10 de Junho no Parque da Cidade do Porto.
https://www.youtube.com/watch?v=1Upj_Ib30K4

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