‘Metropolis’, obra-prima de Fritz Lang, estreou no cinema há 90 anos

9 JANEIRO, 2017 -

A 10 de Janeiro de 1927 chegava às salas de cinema, pelas mãos de Fritz Lang, um cineasta austríaco célebre pela sua contribuição para o movimento cinematográfico denominado Expressionismo Alemão, a obra-prima Metropolis.

O guião do filme foi inspirado num romance de Thea von Harbou e escrito em parceria entre os dois (Thea era, na altura, mulher de Lang). Inesperadamente, em 2008 foram encontradas na Argentina 30 minutos de metragem deste filme. Na Berlinale de 2010 o filme teve a sua segunda estreia mundial, após a restauração da parte acrescentada e 83 anos depois da sua primeira estreia.

Um filme de ficção cientifica, um género pouco habitual na época do cinema mudo, onde a narrativa do filme se passa em 2026, em pleno século XXI, não muito longe dos nossos tempos, mas certamente bastante longínquo para 1927. Metropolis fala-nos de uma relação perturbada entre Homem e Máquina, e entre o homem que trabalha e o homem que pensa e foca-se essencialmente no sentimento de perda no Homem em relação ao processo da vida.

Na obra de Lang existe uma realidade completamente caótica, onde se podem reconhecer diferentes níveis sociais, elemento que também nós é dado pela arquitectura do espaço. A cidade é totalmente governada por um empresário que tem a sua residência na superfície desta, rodeado pelos seus colaboradores de classe alta, com um belo jardim dos prazeres e uma série de distracções que formam um mundo altamente idílico. Já os trabalhadores eram escravizados, viviam no subsolo, eram subjugados em função da existência da máquina.

Metropolis é um filme onde a arquitectura, uma mistura entre Bauhaus e Art Deco, marca certas posições, certos sentimentos e formas de estar. As luzes supõem aspirações de um filme abstracto mas os maquinismos trazem novamente a materialidade procurada. Esta constante demonstração da máquina, a máquina que domina a cidade e as pessoas, faz também lembrar alguns filmes de Eisenstein, como A greve e O Couraçado Potemkine.

É um filme que marca uma posição ideológica e política. Política devido aos tempos em que se vivia, marcados pelo Fascismo e Comunismo. Ideológica por causa das diferenças sociais, pela dualidade entre o Feminismo e o Machismo, representadas por algumas das personagens.

Metropolis retrata ainda, de forma evidente, a grande preocupação em relação à vida industrial, onde a máquina não pára, e por consequência o Homem também não. Esta crítica social fazia sentido em 1927, mas faz ainda mais, hoje em dia, porque faz parte da realidade actual. Uma vida mecanizada, em que os grandes centros urbanos sofrem de sobrepovoamento e onde cada vez há mais discrepância entre níveis sociais.

A obra-prima de Landa questiona qual é o rumo do sentimento humano, nesta confusão distópica a que chamam vida. Metropolis faz-nos viver a acção e o romance, a revolução e o questionamento, o mistério e a perseverança em continuar nestas calhas da roda de uma vida sempre a girar.

Questionamo-nos: “E se a maquina parasse, nós também pararíamos?”

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