‘Mein Kampf’ e ‘O Pavilhão Púrpura’ foram os mais vendidos na Feira do Livro de Lisboa

14 JUNHO, 2016 -

Mein Kampf‘, de Adolf Hitler, foi um sucesso na Feira do Livro de Lisboa e chegou mesmo a esgotar a segunda edição, dando lugar a uma futura terceira tiragem.

A obra era proibida até há poucos meses e ao entrar no domínio público tem sido agora editado um pouco por todo o mundo. O seu sucesso também se fez sentir nas vendas da editora portuguesa Guerra & Paz. O editor Manuel S. Fonseca não revelou o número de livros vendidos mas garantiu que foram algumas centenas: “Esgotaram!” Representou, diz, “um quinto das vendas da trilogia de livros que estão na base das três grandes tragédias do século XX: o Manifesto Comunista de Marx e Engels, o Pequeno Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung e o livro de Hitler, Mein Kampf“, relevou ao DN. Manuel S. Fonseca disse ainda: “Crescemos perto de 40% nas vendas. Foi a melhor Feira do Livro da editora dos últimos anos.

Outro livro que teve grandes vendas na Feira do Livro de Lisboa deste ano foi a última obra do jornalista José Rodrigues dos Santos, ‘O Pavilhão Púrpura‘, da editora Gradiva, vendendo cerca de 800 livros. Já ‘Número Zero’, o último romance de Umberto Eco, da mesma editora, vendeu 100 exemplares, isto segundo o DN.

É de realçar ainda que a tiragem inicial de ‘O Pavilhão Púrpura‘ foi de 50 mil exemplares e o livro chegou às livrarias portuguesas nas vésperas da Feira do Livro, enquanto o ‘Mein Kampf‘ terá no máximo uma tiragem de 1000 exemplares, segundo o DN.

Questionado sobre este fenómeno, o sociólogo António Barreto desdramatiza o interesse dos portugueses pela ideologia nazi, mesmo ressalve que “esta é a minha opinião hoje, pois depende de como a situação política evolui nos próximos meses“. Explica assim o seu palpite para a apetência dos leitores pelo Mein Kampf: “Considero relativamente normal porque é um dos livros mais citados e menos lidos no mundo. É natural a curiosidade pelo livro do senhor Adolf Hitler, que está na base de uma guerra mundial com 60 milhões de mortos. Como ninguém o tinha lido na vida, evidentemente que vai haver pessoas interessadas em, pelo menos, ver o que lá está.

Segundo o sociólogo António Barreto. ao Diário de Notícias, ‘Mein Kampf’ deve criar desinteresse no futuro: “Acontece que o livro não é grande coisa, nem sequer tem boa retórica revolucionária como, por exemplo, a do Manifesto Comunista, que é muito bom do ponto de vista literário.” O sociólogo disse ainda: “há um movimento fascista em um ou dois países europeus, bem como algum insucesso na tentativa de ressurgimento de partidários marcadamente nazis, mas o consumo do livro não significa perigo porque Hitler não é uma referência ideológica para esses movimentos conservadores“.
Quanto ao interesse dos leitores em Portugal António Barreto diz-nos que “É curiosidade e interesse. Não me preocupa, quer-se saber o que lá está. O Meu Combate ou A Minha Luta, nem sequer tem um título definitivo. As pessoas nunca tinha visto esse livro.

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