Mêda+ – o rescaldo

1 AGOSTO, 2016 -

Chegou ao fim mais uma edição do festival Mêda+. 

Numa edição com nomes mais alternativos e, segundo consta, mais amena do que o habitual, assistiu-se à consagração de nomes e à descoberta de bandas que irão certamente marcar o panorama musical português nos próximos tempos.

Se no primeiro dia assistimos ao agradável regresso dos Oioai, no segundo dia fomos surpreendidos pela pop dos The Lemon Lovers e Salto. Porém, a segunda noite começou com o rock dos Granada, uma banda do Porto que vai beber ao rock alternativo. Em processo de elaboração do primeiro álbum, os Granada irão certamente agradar aos adeptos de uma batida mais pesada, embora nos pareça que a banda tenha de encontrar o seu próprio estilo e apresentar-se de uma forma mais coerente do que a que se apresentou.

A banda que se seguiu foi The Lemon Lovers. Este grupo, também do Porto, não é ainda muito reconhecido em Portugal, mas já participou em digressões por vários países, tendo uma legião de fãs considerável além-fronteiras. O concerto foi bastante agradável, porém por vezes exigia-se um pouco mais de garra. Terá sido essa a principal falha de uma banda que sabe o que faz, que tem um bom álbum cá fora (Watching the Dancers), com bons músicos e duas grandes vozes, a do vocalista/guitarrista e a do baixista, que nos surpreendeu bastante.

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A noite terminou com os Salto e com DJ set da banda. O concerto em si foi o que se esperaria de uma banda pop, reconhecida e com temas que ficam no ouvido. Não terá sido a noite mais inspirada dos Salto, mas também não desiludiram.

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Já o terceiro dia da VII edição do Mêda+ foi o dia que mais público atraiu e o melhor dia do festival. Começando com Her Name was Fire (fixem este nome), um duo composto por Tiago Lopes e João Campos num estilo, segundo os próprios, stoner rock misturado com sleazyness. Também em gravação do primeiro álbum, os temas carregados de rock e ímpeto que a banda conferiu à actuação, mesmo perante um recinto que ainda estava a encher, cativaram-nos desde o primeiro minuto e fizeram-nos querer e ouvir mais. DSCF6310 (1)

Se estávamos rendidos aos Her Name was Fire, os Bed Legs souberam manter a fasquia alta e deram um concerto surpreendente, numa fusão perfeita de rock, blues e soul. A presença e voz do vocalista Fernando Fernandes, bem como a pujança e qualidade dos temas e excelente execução dos mesmos levam-nos a questionar onde é que andava esta banda que ainda não conhecíamos.

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Por fim, e para encerrar o festival, Orelha Negra. É notório o profissionalismo da banda, é notória a qualidade dos músicos e tudo parece ser perfeitamente executado e pensado. São uma grande banda a quem pedíamos um pouco mais de contacto, sem grandes lamechices mas que acompanhasse o fulgor das duas bandas anteriores, especialmente depois do frenesim em que as duas primeiras bandas nos deixaram. Com alguns temas originais, também se ouviu Kendrick Lamar e Drake no recinto, com Bitch Don’t Kill my Vibe e Hotline Bling, respectivamente. A banda, disposta em semicírculo, foi responsável pela maior enchente que vimos este ano no Mêda+.

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 A par do palco principal, no jardim da cidade de Mêda esteve também um palco secundário por onde passaram nomes como Luís Severo, Duquesa, Birds are Indie, entre outros. Infelizmente não estivemos todos os dias neste palco, mas a localização do mesmo é indicadora da perfeita simbiose entre música e a população local.

Foi com muito orgulho que fomos ao Mêda+. Por vezes é nos festivais mais pequenos que temos as maiores surpresas e a última noite fez-nos aumentar a lista de bandas a acompanhar. Não há nada a apontar à organização e, de facto, é de louvar que este tipo de iniciativas ocorra no interior, onde tantas vezes a inexistência de iniciativas culturais é apontada como um factor de insatisfação entre os mais jovens. Gostaríamos de ver mais público a aderir a um festival gratuito e pensado para minimizar essa lacuna.

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