Max Weber, um dos progenitores da sociologia

17 ABRIL, 2017 -

Max Weber é um dos pais da área do saber que hoje é conhecida por sociologia. O alemão desenvolveu uma série de estudos e de obras, nos quais estudou o indivíduo no seio da sociedade e a sua evolução nesta integração. A sua esposa, Marianne Weber, foi também uma ativista pelos direitos das mulheres e sua posterior biógrafa. Passando por várias universidades europeias, destacou-se como motor de debate sobre o capitalismo e a crescente racionalização do trabalho e da sociedade. Para além disso, abordou com detalhe o papel da religião numa perspetiva sociológica, apontando baterias também para aquilo que é o Estado. Um corpo no qual a imensa quantidade corresponde à vasta qualidade, tratando-se de um dos teóricos mais proeminentes na viragem para o século XX, tanto no meio investigativo e académico como nas futuras práticas políticas, económicas e sociais nacionais e internacionais.

Karl Emil Maximilian Weber nasceu a 21 de abril de 1864 em Erfurt, na Alemanha. O seu trabalho académico deu-se, acima de tudo, nas universidades germânicas, começando por abordar as estruturas comerciais medievais, para além da relação do direito com a agricultura na Roma Antiga. Estas abordagens seriam cruciais para o seu entendimento cronológico e evolutivo daquilo que é a História e o crescimento das sociedades, tanto numa posição judicial como sócioeconómica. Foi também neste escopo que a sua atividade como docente se centrou, dando Economia Política e as questões agrárias a si associadas. Entretanto, redigiu algumas notas sobre a perceção do funcionamento do capital, à luz de leituras de Karl Marx.

A aproximação do estudo daquilo que é a sociedade começou com investigações empíricas na região do rio Elba, ao analisar as tendências migratórias dos polacos que viviam na fronteira com a Alemanha. Aplicando métodos de recolha de dados impessoais e recolhendo uma quantidade significativa de dados, concluiu que a modernização da economia germânica levava a um domínio aristocrata (os “junkers”) na produção agrícola. Isto devido às tendências capitalistas emergentes.

A religião e o capitalismo

A obra pela qual Max Weber é comumente conotado foi lançada em duas partes, com a primeira a ser datada de 1904 e a segunda de 1905 (modificada pelo próprio em 1920). “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” veio trazer uma análise distinta e fundamentada com experiências vividas no tempo que passou nos Estados Unidos com a sua esposa, mais aquilo que havia escrito e lido durante a rotina académica. A relação entre a religião e o capitalismo foi assimilada e apresentada após Weber ler “A Filosofia do Dinheiro” (1900), do alemão Georg Simmel, isto para além de “O Capital” (1867), de Karl Marx, e de “O Capitalismo Moderno” (1902), do seu colega Werner Sombart. Como base, mostra o protestantismo dos séculos XVI e XVII como rota para a vocação substancialmente profissional, que motivou a reformulação do sistema económico para o capitalismo. Associando os católicos aos interesses artísticos e literários e os protestantes aos técnicos e comerciais, aponta o ascetismo destes como chave para o materialismo crescentemente desenvolvido. Esse ascetismo provinha da indiferença perante o mundo e de uma crescente intenção de seguir uma vida de posses e de estabilidade económica, divergindo da espiritualidade católica.

Como “espírito do capitalismo”, o europeu define-o como uma orientação na qual a dedicação desenfreada em relação ao trabalho e à riqueza é um dever moral. Quanto à própria aceção de capitalismo, este visualiza-o como um sistema em que o núcleo é povoado pela empresa capitalista, que consagra em si os meios de produção, a gestão racionalizada e o trabalho organizado. O espírito vinga quando supera as tradições que continuam a emanar no comportamento económico, enquanto a própria dinâmica do capitalismo remete para as perspetivas protestantes. A própria figura de Martinho Lutero surge como um estímulo para essa prossecução do trabalho, não obstante ainda não haver uma premissa muito vocacionada para a obtenção de objetos materiais e sua circulação. Aquilo que viria a confirmar-se como a formação do capitalismo viria só depois, tanto com a versão calvinista como com a anabatista. Na primeira, surge a predestinação, na qual os méritos do trabalho valem a consideração divina; enquanto a segunda perspetiva a vida ordenada e orientada por normas éticas plena e escrupulosamente definidas.

Desta forma, é o dogmatismo protestante que leva ao desenvolvimento desta forma de vida metódica e disciplinada, levando o sujeito a submeter-se a uma lógica maior e que implica todos os seus congéneres. Esta vocação para o êxito material e profissional leva a uma moralidade que se concentra nas figuras do operário e do empresário, tornando-se o protestantismo na base conceptual e moral para a efetividade da estrutura capitalista. Como conclusão, Weber assume também que este modelo económico abarca todos numa esfera de produção, de lucro, de troca e de aquisição, na qual o mundo é encarcerado numa “jaula de ferro”. Esta visão seria defendida futuramente por diferentes pensadores marxistas, apesar de considerarem atentamente as suas diferenças em relação a Marx. Weber, dissociando-se de uma visão meramente economista, aponta para uma visão essencialmente social e cultural, em que os fenómenos sociais e os fatores materiais assumem preponderância na formação das instituições políticas.

A sociologia da religião

Por volta da década de 10, o pensador decidiu investir no seu conhecimento sobre as diferentes religiões, essencialmente sobre as mais consolidadas e desvinculadas daquilo que era o totemismo – as primitivas, objeto de estudo do sociólogo Émile Durkheim. Assim, Weber incluiu no seu estudo o confucionismo, o taoísmo, o budismo, o hinduísmo e o judaísmo. Centrando esta investigação na obra “Ensaios Reunidos de Sociologia da Religião”, este interesse tornou-se na via de entendimento dos fenómenos nucleares do racionalismo ocidental. Entre eles, a produção cultural, científica e académica, o direito, as técnicas e costumes, os métodos de gestão, e a burocracia estatal, em especial traços do capitalismo evidenciados. Aliás, é comum ser dito que foi precisamente a descoberta da especificidade no racionalismo moderno que se tornou no paradigma diferente e inovador do germânico na esfera da sociologia.

Ao contrário daquilo que usou como método de confronto entre o capitalismo e o protestantismo, nesta obra, Weber expõe a ligação entre o material e o ideal naquilo que é o processo social, inserido ou influenciado por uma religião. Desta forma, conta aquilo que as camadas veiculadoras da função religiosa – sejam políticos, indivíduos clericais ou até guerreiros – desempenham e têm como interesses inerentes ao seu papel social. A análise de Weber visita, em primeiro lugar, o confucionismo e o taoísmo, ambos subjacentes à civilização chinesa milenar, distante dos pergaminhos do judaísmo ou do islamismo. Assim, realça o cariz ritualista e tradicional da religião apresentada por Confucio, na qual os imperadores e os mandarins (burocratas) se voltam para o culto dos antepassados políticos e familiares. A adaptação seguindo uma lógica ética perante a ordem das circunstâncias (a Tao) é a base daquilo que é o comportamento e o grupo de atitudes dos seus crentes. Por sua vez, Laozi foi o criador do taoísmo, no qual, segundo o alemão, a religião chinesa se entrega à metafísica fantástica e mágica, distanciando-se de uma potencial racionalização dos seus costumes e afazeres.

Antes de partir para o budismo e hinduísmo, o sociólogo teceu algumas distinções sobre o misticismo – ligado ao lado oriental do mundo – e o ascetismo – relacionado com o lado ocidental. Neste contexto, surgem as religiões de salvação, a partir das quais surgem comuns tensões entre a ordem social e religiosa, colidindo naquilo que são as suas estruturas normativas, e desencadeando vários conflitos em áreas como a ciência, a arte, a política e a economia. É precisamente nessas religiões de salvação que se enquadram o hinduísmo e o budismo. O hinduísmo, sustentado no sistema de castas, assenta nessa hierarquia relativamente tradicional, onde são os sacerdotes (brâmanes) e os guerreiros (xátrias) que assumem os lugares cimeiros dessa pirâmide. Somente a encarnação é capaz de possibilitar a alteração de casta, acabando o significado sagrado destas por ser reformulado por Gautama Buda. A reencarnação torna-se voltada para o indivíduo, rompendo com um papel comunitário e apontando para um misticismo singular, misticismo esse que nunca se desligou das crenças dos países a leste.

O judaísmo foi a religião que, do ponto de vista de Weber, se separou daquilo que é o misticismo, e se aliou ao ascetismo. A criação de leis sacerdotais, para além de uma relação intrincada do povo com Jeová, deu o mote para a formulação de normas a serem cumpridas. O cariz pragmático e ético do judaísmo extinguiu quaisquer fontes místicas para a salvação, compreendendo também os testemunhos dos profetas; e serviu como ponto de partida para o racionalismo burocrático e tangível do mundo ocidental. Porém, o germânico considera também que o racionalismo está implícito em todas as religiões. Se na China existia um de acomodação ao mundo, e na Índia um de fuga a este, já os ocidentais voltaram-se para dominá-lo e controlá-lo. A visão cosmopolita e comparativista apresentada pelo pensador vai de encontro àquilo que é o atual mundo globalizado e os desafios daí resultantes.

A sociologia voltada para a ação e para o homem

Em vários ensaios da sua autoria, entre eles “Economia e Sociedade” (1922), o germânico enuncia a ação como o objeto da sociologia, sendo esta um comportamento subjetivo e que se torna social quando envolve um outro ou mais sujeitos. As comunidades, assim como a própria sociedade, torna-se compreensível e estudada a partir das bases individuais que a ação social emana. Esta, por sua vez, pode ser desconstruída em quatro tipos. O primeiro é o instrumental, em que a ação tem um fim específico e se determina por expectativas em relação ao que o exterior apresenta(rá). Segue-se o racional, definido pela crença no valor, sendo este estético, ético ou religioso. Na base desta ação, está, assim, o pendor dos princípios e das normas que envolvem o ator da ação. Existe também o afetivo, norteado pelo estado de consciência e/ou de espírito, que resulta de uma reação emocional perante um dado contexto. Por fim, há o tradicional, definido por hábitos e/ou costumes, que leva a que a ação se torne movida por uma fusão entre religião e razão, dando azo a reflexos que se vão rotinando dentro do indivíduo. Deste prisma, surgem também os conceitos de relação social e de ordem social, importantes para se dissecar estas ações.

Weber deduz que a sociologia se torna voltada para a procura do significado da ação e daqueles que o próprio indivíduo coloca nessa ação. O objetivo torna-se, desta feita, olhar para o sentido que cada um atribui ao seu comportamento, afastando-se da análise das instituições (defendido por Durkheim), e aproximando-se da compreensão do significado, da interpretação da organização e da explicação do sentido da ação e da conduta de cada sujeito. A sociologia parte daí até ao estudo das relações e dos grupos sociais, que evoluem e se tornam em estruturas firmes e consolidadas. Com isto, o alemão definiu a sociedade como um objeto que devia de ser analisado pelo entendimento das suas partes, isto é, dos sujeitos constituintes e das relações entre si. Esta teoria tornou-se designada por individualismo metodológico.

O capitalismo moderno

Na mesma obra, para além de “História Geral da Economia” (1923), o germânico dissecou sobre a relação da economia – em específico, do capitalismo – com a sociedade, desta feita de forma direta. À luz das teorias marxistas, e conforme evoluem os seus postulados, separa o capitalismo na sua etapa contemporânea da religião, apresentando uma visão distinta com forte pendor racional e social. Assim, encara-o como uma forma de vida racionalizada que predomina no Ocidente, à imagem da forma de estruturação e expressão do direito, da política e da ciência. Nesta etapa avançada e oleada do capitalismo, – aqui, discorda de Marx, no sentido em que considera que o capitalismo é já secular, porque já há vários séculos que o lucro é procurado – a sua unidade primordial de sentido é a empresa, em que a impessoalidade produtiva leva à racionalização plena do trabalho e da sua organização e gestão.

Quanto ao raciocínio que o leva a discutir a ordem socioeconómica, a tónica coloca-se na necessidade da racionalização da economia incorporar uma formalidade estrutural e conceptual, favorecendo a lógica impessoal das atividades económicas. Estas, por sua vez, perdem o seu pendor político e ético, partindo para um paradigma mais sustentado nas linhas fortes de um mercado autorregulador e menos no caráter histórico e cultural.

Politics is a strong and slow boring of hard boards. It takes both passion and perspective. Certainly all historical experience confirms the truth – that man would not have attained the possible unless time and again he had reached out for the impossible. But to do that a man must be a leader, and not only a leader but a hero as well, in a very sober sense of the word. And even those who are neither leaders nor heroes must arm themselves with that steadfastness of heart which can brave even the crumbling of all hopes. This is necessary right now, or else men will not be able to attain even that which is possible today.

Max Weber, em “Politics as Vocation” (1919).

A sociologia política

O principal conceito importado por Weber neste contexto foi o de dominação, que representa a eventualidade de um grupo ser submetido à autoridade de um indivíduo. As razões para isto se suceder podem ser as leis, os costumes, as tradições, as admirações ou as regulamentações definidas para o funcionamento de uma determinada comunidade e/ou da própria sociedade. O alemão, para melhor clarificar este conceito, tipificou três dominações, em que diverge entre si o fundamento e o caráter pessoal ou impessoal. Em primeiro lugar, existe a legal, na qual há um estatuto subjacente e capaz de criar e alterar as normas, e onde o indivíduo se submete à regra em si e não à figura de autoridade. Este caso é normalmente usado na burocracia, onde o poder se torna impessoal nas regras e leis norteadoras do funcionamento dessa relação social. Na dominação tradicional, é a própria tradição que apresenta a dinâmica na qual vários se tornam subservientes de um senhor, podendo este ser a figura patriarcal ou a própria representação de Deus. Não havendo estatutos, existe o livre-arbítrio do senhor modificar o desenvolvimento desta ligação conforme sua intenção. Por fim, a dominação carismática é motivada pelo carisma da figura de autoridade, estando também associada às virtudes apontadas aos cristãos. Weber considerou o próprio carisma como uma força capaz de se envolver em causas revolucionárias, embora a sociedade esteja menos estabilizada na sua relação com o elemento carismático, visto que este pode mudar.

Podendo estas serem vistas como as formas de poder político existentes, nota-se uma dissensão dos pensadores do mundo antigo, no ponto em que se concentra num realismo em que não se sucedem ideologias éticas na forma de se assumir o poder. Este exercício pressupõe a legitimação daquilo que é a ordem política, assim como a sua formalização por via de um quadro administrativo bem definido. Com base nestes preceitos, o germânicos avaliou aquilo que se passou durante o Segundo Império Alemão e mesmo na própria República de Weimar. Relutante quanto a Otto von Bismarck, Weber não via na monopolização do poder vantagens aferíveis para todos, apontando o caminho para a remodelação política e da sua liderança. Porém, também verificava que, nas camadas sociais mais volúveis da sociedade germânica, existiam classes em regressão e outras cuja maturidade política era insuficiente para propor soluções credíveis e sérias.

Quanto à estratificação social, o sociólogo avaliou essa modelação como influenciada pela economia, pela sociedade e pela própria política (estas duas não consideradas por Karl Marx). Assim, as classes sociais acabam por se caraterizar pelas oportunidades de vida que dispõem, assim como os atributos de valor que possuem e pelos partidos políticos pelos quais são simpatizantes. Com isto, existem vários mecanismos capazes de hierarquizar e de diferenciar os membros de uma sociedade, podendo ser eles a riqueza, o prestígio, o estatuto e o poder, levando cada um destes a apresentar visões que vão comungando faixas sociais entre si.

A Sociologia do Direito

O alemão, formado nesta área, aproveitou o conhecimento académico angariado nos seus tempos de estudante, e associou-os à eventual racionalização da vida social. Para melhor a compreender, Weber considerou imprescindível um olhar atento para o direito e para a sua evolução diacrónica. A racionalização do direito é, desta forma, percecionada a partir de dois pontos, sendo eles o caráter material/formal e o prisma racional/irracional. No entanto, importa atentar o facto de que, em qualquer legislação, existe um padrão fixo que rege a sua elaboração. Já o conteúdo do próprio direito segue valores éticos e sistémicos, para, seguidamente, adquirir a forma que lhe homologa.

A visão que o europeu tenta trazer para a sociologia procura ver o papel do direito naquilo que é a ordem económica e a política, estando os três dinamicamente ligados, e descrevendo-se, na sua evolução, aquilo que é a burocratização das estruturas estatais. A formalização das normas jurídicas levou a que a economia de mercado se firmasse, porque é nuclear, para esta, que exista um corpo estável de diretrizes para a sua atuação. Foi desta forma que se apresentou como um dos precursores do positivismo jurídico – explicação do fenómeno jurisdicional a partir das normas executadas pelas autoridades soberanas – , vendo o direito formal como a instância mais avançada do sistema jurídico até então.

A construção da ciência e do conhecimento

Com o texto “A Objetividade do Conhecimento na Ciência Política e Social” (1904), o alemão apresentou uma posição que se distanciava das previamente assumidas pelos seguidores do filósofo Immanuel Kant. Apesar de acreditar no papel da valorização nas ciências humanas, Weber descredibilizava a análise de somente os elementos que estão perto da conceção de valor para cada um. Na abordagem às ciências humanas, propôs assim uma união bicéfala entre a compreensão e a explicação daquilo que é o conhecimento e, por si, da ciência.

A objetividade da ciência era um ponto assente perante o valor cognitivo das ciências sociais. Este reforça o controlo da recolha dos dados para a formulação do conhecimento, nomeadamente na sistematicidade dos métodos usados. Não obstante o ponto de partida ser variável, o conhecimento torna-se objetivo e impossível de ser enviesado pela opinião ou valorização. Isto não impede que haja um tipo ideal de construção científica, onde os interesses intervêm como selecionadores de conteúdos da realidade, sistematizando a sua apresentação desorganizada em conteúdos inteligíveis.

Por mais que a vida tenha um sentido, só conhece o combate eterno que os deuses travam entre si, ou, evitando a metáfora, só conhece a incompatibilidade dos pontos de vista últimos possíveis, a impossibilidade de regular os seus conflitos e portanto a necessidade de se decidir a favor de um ou de outro.

Max Weber in “A Objetividade do Conhecimento na Ciência Política e Social” (1904)

A conferência “A ciência como vocação”

As diferentes análises realizadas por Max Weber vislumbraram, também, o conhecimento científico, e o papel da ciência na desburocratização do mundo. Tudo isto foi defendido a 7 de novembro de 1917, numa conferência em Munique. De seu nome “A ciência como vocação”, estabeleceu uma comparação entre a vida universitária na Alemanha com a que se vivia nos Estados Unidos, avisando para o futuro processo de americanização do meio académico. Assim, projetou docentes assalariados e uma cisão entre os atores deste contexto e os meios de produção científicos e académicos. Tudo isto geraria um clima de grande pressão para unir a investigação e o ensino, levando à abertura de espaço para a afirmação de outros sem as devidas bases conceptuais e instrumentais. Na sociologia, a própria ciência é parte de um processo histórico que racionaliza e intelectualiza a vida. A realidade vê-se despojada da magia e da vertente metafísica, acabando a ciência por ficar na base das religiões – apesar das suas crenças e devoções -, e da consciência de cada um.

Para Weber, a vocação científica requer dedicação e especialização numa certa área do saber, isto para além das facultativas paixão pela causa e inspiração na elaboração de uma obra relevante. Porém, a modernidade, na sua mescla de princípios confrontáveis entre si, não perspetiva o sentido da vida no processo científico. Cabe, desta feita, a este apresentar as formas e mecanismos com os quais o mundo opera, provendo-lhe meios práticos e lógicos de pensar e de gerir claramente o quotidiano, mas estando distante de determinações de verdade de vária ordem, como da arte ou da figura de Deus. De forma a dar substrato e um sentido indiscutível à vida, o sujeito, no parecer do pensador alemão, deve-se resignar ao mundo desencantado e dedicar-se às incumbências e responsabilidades inerentes à sua existência. Tudo isto, se não quiser embarcar numa jornada religiosa, na qual se sacrifica o intelecto.

Max Weber tornou-se um dos grandes nomes do saber, estando ligado ao nascimento e à interdisciplinaridade da sociologia. Unindo uma diversidade de áreas em torno do estudo das civilizações e das populações, foram fartas e imperiosas as conclusões obtidas, procurando entender o crescimento e a evolução temporal das comunidades e da sociedade como a união destas. No cerne de um intenso e minucioso período de reflexão sobre as partes constituintes da sociedade, tudo radica na industrialização burocrática e racional da sociedade, apontada por Weber como o arranque formal do capitalismo. No fundo, um estudioso que integrou e congregou, numa expedita e bendita viagem pelo mundo, pela história, pela humanidade.

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