Martin Scorsese defende ‘mother!’ e ataca sites, crítica e público

10 OUTUBRO, 2017 -

Ao longo dos últimos 20 anos, muitas coisas mudaram no cinema. Essas mudanças ocorreram a todos os níveis, desde a maneira como os filmes são feitos ou até na forma como são vistos e discutidos” (…) “bons filmes de verdadeiros cineastas não são feitos para serem cotados, consumidos ou compreendidos instantaneamente” escreveu Martin Scorsese num artigo ao The Hollywood Reporter.

O cineasta completa 75 anos em Novembro, a idade avança e o cineasta não tem abrandado. O que é óptimo para os fãs! Para além da sua prestação na produção e realização, Scorsese é uma voz activa da sétima arte. Hoje, o realizador nova iorquino decidiu escrever um artigo de opinião, a convite do The Hollywood Reporter, onde culpa os críticos pelo fracasso de bilheteira de alguns filmes, como a última obra cinematográfica de Darren Aronofsky: “mother!

Antes de ver o novo filme de Aronofsky, Scorsese revelou que já estava extremamente perturbado com todos os julgamentos severos que estavam a ser publicados. Disse mesmo “Muitas pessoas pareciam querer definir o filme, encaixá-lo, achar desejável e condená-lo. E muitos pareciam ter alegria no facto de ter recebido uma nota F do site Cinemascore (…) “mother!” tinha sido “esbofeteado” com o “temido” rating do Cinemascore F (…)”

Depois de ver o filme, o cineasta norte-americano disse que ficou ainda mais perturbado com a pressa do julgamento: “As pessoas queriam ver sangue, simplesmente porque o filme não podia ser facilmente definido ou interpretado ou reduzido a uma descrição de duas palavras. É um filme de terror, ou uma comédia sombria, ou uma alegoria bíblica, ou uma fábula cautelosa sobre devastação moral e ambiental? Talvez um pouco de tudo isto, mas certamente não é qualquer uma dessas categorias.”

O cineasta foi ainda mais longe e disse ainda: “A cultura do julgamento brutal de filmes transformou as bilheteiras de estreia num desporto sangrento e encorajou uma abordagem mais severa às críticas de obras de arte. Estou a falar de sites como o Cinemascore, que começou nos anos 70, e agregadores on-line como o Rotten Tomatoes, que não tem nada a ver com crítica de cinema de verdade”, escreveu Scorsese e acrescentou: “Eles dão nota a um filme como se dá nota a um cavalo de corrida, a um restaurante ou a um electrodoméstico. Isto tem tudo a ver com o negócio do cinema, e nada a ver com a criação ou a visão crítica de um filme. O cineasta é reduzido a um produtor de conteúdo, e o espectador a um consumidor sem senso de aventura”, disse o cineasta norte-americano.

Por fim, rematou com: “(…) Críticas reais, escritas por pessoas engajadas na paixão do cinema, tem se tornado cada vez mais raras, e parece que as vozes engajadas no puro julgamento mesquinho estão a multiplicar-se. As pessoas sentem prazer em ver obras de arte rejeitadas”, escreveu Martin Scorsese.

O realizador relembrou ainda que alguns dos maiores clássicos foram fracassos de bilheteira noutras épocas e que actualmente são considerados clássicos do cinema, e deu vários exemplos: “It’s a Wonderful Life“, “The Wizard of Oz“, “Vertigo” ou “Point Blank“. “Notas do Rotten Tomatoes e do Cinemascore vão desaparecer depressa. Ou talvez sejam ofuscadas por algo ainda pior.“, “Ou talvez eles desapareçam e se dissolvam na luz de um novo espírito na alfabetização cinematográfica. Enquanto isso, filmes apaixonantes como “mother!” continuarão a crescer nas nossas mentes.“, finalizou o cineasta.

Martin Scorsese está neste momento a desenvolver vários filmes.

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