Mark Knopfler, da Escócia para o mundo

11 AGOSTO, 2017 -

Uma das grandes figuras do rock desde os finais dos anos 70, tanto a solo como a liderar a banda Dire StraitsMark Knopfler carimba a conquista da contemporaneidade com os seus solos eternos e etéreos, para além da voz inesquecível, mesmo à distância de um par numeroso de anos. O seu legado está alicerçado tanto à voz arrastada, pesada e, por si só, emblemática que possui, como ao modo carinhoso e único como trata a sua guitarra na hora de a tocar. Com quatro Grammy Awards na bagagem, Mark Knopfler é, para além de cantor e compositor, o guitarrista “fingerstyle” dos solos etéreos e quase infinitos, que se transcendem no ouvido do melómano.

Mark Freuder Knopfler nasceu a 12 de agosto de 1949 em Glasgow, na Escócia, onde viveu até por volta dos seus 8 anos, quando se moveu para a naturalidade da mãe, no Nordeste Inglês, com o seu irmão David e os seus pais. Tendo-se licenciado em inglês na Universidade de Leeds e com currículo jornalístico ao ser repórter júnior para um jornal local denominado Yorkshire Evening Post, o escocês adquiriu a paixão pela música a partir do seu tio Kingsley, que tocava harmónica e piano. Em 1973, quando se moveu para Londres e tendo já produzido um demo que ele mesmo compôs com uma banda denominada Silverheels, o guitarrista deu azo à sua carreira musical, ao associar-se a um grupo amador designado Brewers Doop, onde adquiriu mais e importante experiência para o que se viria a suceder.

Por volta de 1977, já na companhia do seu irmão David, e com John Illsley, Mark liderava um grupo musical chamado Café Racers, que viria a corporizar poucos meses depois a banda que pontificou no contexto musical denominada Dire Straits. Com Knopfler a tomar as rédeas da guitarra e a ser o vocalista, o seu irmão David tocava guitarra rítmica, Illsley estava encarregue do baixo e a nova adição do grupo Pick Withers dava cartas na bateria. A 27 de julho, os quatro gravaram demos de cinco músicas agora conceituadas, sendo elas “Wild Wild West”, “Sultans of Swing”, “Sacred Loving”, “Water of Love” e “Down to the Waterline”. Os primeiros dois álbuns “Dire Straits” e “Communiqué” constaram de imediato no topo das listas de vendas de vários países europeus, destacando-se como single a “Sultans of Swing” que ainda hoje encanta os constituintes das várias faixas etárias. No entanto, o grande sucesso da banda chegou em 1985, com o lançamento do seu quinto álbum “Brothers in Arms”, vendendo mais de 30 milhões de unidades e sendo até hoje o quarto que mais vendeu em todo o Reino Unido. Neste, constava o single “Money for Nothing”, que chegou a nº1 nos Estados Unidos da América e foi o primeiro videoclip da MTV. A tournée mundial realizada pelo grupo em 1985-86 chegou aos 230 concertos e foi um sucesso absoluto. A banda alcançava, assim, o pináculo da sua notoriedade e acabava de estabelecer o seu legado na década de 80 no género de rock e em toda a cultura britânica.

Em 1996, o escocês optou por uma carreira a solo, onde nunca granjeou os êxitos do grupo do qual fez parte mas tendo lançado alguns discos com relativo destaque como “Sailing to Philadelphia” (2000), “Shangri-La” (2004) e “Get Lucky” (2009). Nesta fase da sua carreira, Knopfler explorou parcerias com artistas como Sting, Bob Dylan, Eric Clapton ou Van Morrison, dando concertos com alguns deles e até gravando singles com os mesmos. O músico voltou ao ativo com um novo álbum, em 2015, denominado Tracker, e permanece no ativo com uma variedade de concertos pelo globo terrestre.

As influências de Knopfler perpassam por vários guitarristas lendários como B.B. King, Chet Atkins, Scotty Moore, Django Reinhardt, entre outros. Com visíveis ligações aos blues, Mark enfatizou esse mesmo estilo mas impregnando-a de uma suavidade anormal para o mesmo, sedimentando também elementos que vinham a alimentar o hard rock até aos anos 70. Para além destes, gerou e interpretou sons pertencentes ao género country, fazendo até parte de uma banda do género, de seu nome The Nothing Hillbillies. Outro traço caraterístico da sua conduta artística é a forma como toca a sua guitarra designada Mark Knopfler Stratocaster. O músico adotou-a como parte integrante do seu eu musical por mera casualidade (usando um guitarra deteriorada), e consiste na sua utilização com os dedos, abdicando da habitual palheta, algo muito usual nos blues e no country, dando a sensação de se ouvir várias guitarras simultaneamente.

Em suma, Mark Knopfler é um daqueles artistas que tem muito que se lhe diga. Arrebatando o panorama da música com a sua banda Dire Straits, o escocês granjeou um lastro que é respeitado e até motivo de inspiração para os artistas emergentes que optam por seguir géneros como o rock na sua plenitude, os blues e o country. Dos músicos europeus mais prestigiados da sua era, porta consigo uma condecoração da Ordem do Estado Britânico e quatro Grammy Awards. Por fim, de forma a resumir as suas virtudes como guitarrista, encontra-se no 27º lugar do ranking dos melhores de sempre da conceituada revista de música Rolling Stone. Para além dos predicados apontados, Mark Knopfler é um artista das massas e para as massas, convidando o ouvinte a uma viagem etérea e tranquila pelos céus e estimulando-o a abraçar a sua música. Assim, a música é de todos nós, apesar de alguns músicos puxarem ainda mais pelo nosso lado possessivo. Seguramente, este é um desses.

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