Marilyn Monroe: “women who seek to be equal with men lack ambition”

4 AGOSTO, 2016 -

Norma Jeane Baker nasceu a 1 de Junho de 1926, em Los Angeles, Califórnia. A sua mãe, Gladys Pearl Monroe, na altura com a sua saúde mental debilitada e instável a nível financeiro, não se sentiu capaz de tomar conta da pequena Norma Jeane, deixando-a ao cuidado de orfanatos e famílias de acolhimento durante grande parte da sua infância. Contudo, no ano de 1933, Gladys conseguiu estabilizar a sua condição e voltou a viver com a pequena Norma Jeane.

No entanto, no ano seguinte, Gladys viria a ter um colapso mental e Norma Jeane voltaria a ser entregue aos cuidados de orfanatos no estado da Califórnia. Foi durante a sua infância que Monroe desenvolveu interesse na representação, segundo ela, por ser uma forma de escapar ao mundo exterior, onde era infeliz, e criar o seu próprio mundo, com os seus próprios limites.

No ano de 1942, a família Goddard, com quem Norma Jeane estava a viver na altura, mudou-se para fora do estado da Califórnia. Contudo, a lei não permitia que Norma Jeane se ausentasse do estado da Califórnia e, assim, teria de voltar ao orfanato. Como solução para evitar o orfanato, Norma Jeane casou com Jim Dougherty, a 19 de Junho de 1942, logo após ter completado o seu 16º aniversário. Dois anos depois, Dougherty, que alistara na Marinha, seria então chamado para combater na II Guerra Mundial.

Norma Jeane conheceu o fotógrafo David Conover e, em 1945, começou a posar para ele. Em Agosto do mesmo ano, assina um contrato com a Blue Book Model Agency e começa a fazer sessões pin-up, aparecendo em dezenas de capas de revistas em apenas um ano.

Nesta mesma altura, Norma Jeane adota o cabelo loiro, que viria a ser uma das suas célebres imagens de marca. Também por esta época, Norma Jeane começa a auto-intitular-se Marilyn Monroe (sendo Monroe o nome de solteira de sua mãe e Marilyn o nome do meio da sua avó).

No ano de 1946, Marilyn Monroe começa a dar os primeiros passos no grande ecrã. Contudo, o início da sua carreira não foi nada fácil. Condenada a pequenos papéis, anúncios publicitários e a contratos de pequena duração, Monroe via tardar a sua grande revelação no mundo do cinema.

Já divorciada, Monroe dedicava-se então a aulas de canto e dança, continuando também os seus estudos de representação e fazendo ocasionalmente trabalhos como modelo, uma vez que não conseguia arranjar trabalho no cinema. Em 1948, Monroe protagoniza «Ladies of the Chorus», um musical produzido com um baixo orçamento, que embora mostre o seu talento, não se revela um sucesso aquando do seu lançamento.

Seria no ano de 1950, que Monroe conseguiria a sua revelação no grande ecrã. Com pequenos papéis em seis filmes, apenas nesse ano, seriam dois desses mesmos papéis que trariam a aclamação ansiada. A sua participação em  «The Alphast Jungle» e «All About Eve» despertou o interesse do público na jovem atriz.

Numa indústria dominada pelo sexo masculino, Monroe viria conquistar um lugar de sublime destaque, como símbolo mais alto de glória de Hollywood, tornando-se num ícone de uma geração.

Monroe deixa de lado a imagem da loira ingénua, que representa na tela no início da sua carreira, e ascende como o símbolo de busca pela equidade entre géneros, numa época onde essa equidade era não mais do que uma miragem. O fato de Monroe ter sido vítima de abuso sexual, ter sido sexualizada e de ter convivido com os problemas mentais da mãe faziam dela uma figura que ansiava ver uma igualdade entre homens e mulheres, um cessar do abuso do poder masculino e da sexualização da mulher.

Mesmo depois de falecer, ela é ainda hoje símbolo de uma sociedade que oprimia o sexo feminino e, ainda antes de partir, não deixa de dar o seu contributo para a luta para uma igualdade na balança que pesa os géneros.

Monroe afirmou «women who seek to be equal with men lack ambition», vendo aqui não só a possibilidade do fim da desigualdade entre sexos como também o domínio do sexo feminino.

Marilyn Monroe é também símbolo de beleza para o sexo feminino, numa sociedade em que o ideal de beleza é cada vez mais surreal. Lembremo-nos que Marilyn Monroe foi considerada a mulher mais bonita do seu tempo e a sua figura é a de uma mulher real e intemporal.

Em «Gentlemen Prefer Blondes», Monroe interpreta o célebre « Diamonds Are a Girl’s Best Friend». Contudo, é em «The Seven Year Itch» que Marilyn grava a cena que, quiçá, será a mais icónica da sua carreira, com o seu vestido branco a esvoaçar, enquanto está sobre uma conduta de ar do Metro, nas ruas de Nova Iorque.

Marilyn Monroe faleceu a 5 de Agosto de 1962, em Los Angeles.

Texto de Joana de Sousa
Fotografia de Douglas Kirkland/CORBIS

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