‘Malparado’: Novo volume dos diários de Pedro Mexia

4 ABRIL, 2017 -

Pedro Mexia é uma das grandes personalidades da cultura portuguesa contemporânea. Cronista, poeta, crítico, tradutor e editor, cultiva um género literário que desafia, em simultâneo, convenções e convicções: o falso diário.

A partir do blogue homónimo, Malparado é um novo capítulo sobre essa persona literária que Pedro Mexia nos vem apresentando desde Prova da Vida (2007), e a que deu continuidade em Estado Civil (2009) e em Lei Seca (2014).

“Escrevo sobre sete ou oito pessoas (agora nove?), há gente de quem gosto muito e sobre quem nunca escrevi uma única linha, ao passo que me ocupo obsessivamente de quem devia esquecer; mas as coisas são o que são: tenho o meu teatro mental, e esse teatro supõe certas personagens marcantes com quem me cruzei e que representam aquilo que são de facto, ou aquilo que imagino, aquilo que foram comigo, e talvez, às vezes, arquétipos ou clichés, demonizações ou idealismos. Por isso tem graça quando alguém quer entrar à força nos meus textos, quando alguém se sente elogiado ou atacado, sem que isso alguma vez me passasse pela cabeça, sem que isso alguma vez tenha qualquer hipótese de acontecer, jamais. Entra nesta peça quem eu escolher (mesmo quando não tive escolha nenhuma), talvez quem se adeqúe ao guião. Por isso não é verdade que escreva “sobre mim”: escrevo sobre essas pessoas, uma e outra vez. Escrevo “sobre mim” apenas na medida em que sou eu quem escreve os textos. Mas esse “eu” existe por causa de sete, oito personagens, nove agora.”, revela Pedro Mexia.

O autor licenciou-se em Direito pela Universidade Católica. Crítico literário e cronista no Diário de Notícias e no Público, escreve actualmente no Expresso. É um dos membros do Governo Sombra (TSF/TVI24), e co-autor, com Inês Meses, de PBX, um programa da Radar e podcast do Expresso. Foi subdirector e director interino da Cinemateca Portuguesa. Publicou seis livros de poesia, sendo o mais recente Uma Vez Que Tudo se Perdeu (2015). Editou quatro volumes de diários e seis colectâneas de crónicas. No Brasil, saíram Queria mais é que chovesse (crónicas, 2015) e Contratempo (poesia, 2016). Traduziu Robert Bresson, Tom Stoppard, Hugo Williams e Martin Crimp. Coordena a colecção de poesia da Tinta-da-china. Em 2015 e 2016 integrou o júri do Prémio Camões.

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