‘Making a Murderer’ terá segunda temporada

19 JULHO, 2016 -

A série de sucesso Making a Murderer terá continuação, anunciou nesta terça-feira a Netflix. Os novos episódios já estão a ser produzidos. Making a Murderer é uma série documental criada por Moira Demos e Laura Ricciardi que nos relata a história de Steven Avery – para uns mais um injustiçado pelo sistema criminal dos EUA, para outros mais um criminoso.

Estamos extremamente gratos com o sucesso da série. O interesse e atenção dos espectadores asseguram que a história não acabou e estamos comprometidos em continuar a documentar os acontecimentos que se vão se desenrolar“, disseram os criadores Moira Demos e Laura Ricciardi.

Além desta segunda temporada, Hollywood já planeia um filme baseado na mesma história e Billy Bob Thornton (‘Fargo’) é o principal cotado para interpretar o acusado Steven Avery.

Mas afinal, quem é Steven Avery? Para responder a esta pergunta tempos de recuar no tempo. Nascido em 1962, Steven Avery nunca foi uma pessoa acarinhada pela comunidade local de Manitowoc County, Wisconsin. E com razão. As companhias não eram as melhores e aos 18 anos foi considerado culpado de um assalto a um bar, aos 20 de crueldade contra animais por ter ateado fogo a um gato. Em ambos os casos Avery foi condenado a penas de prisão. As companhias erradas não são desculpa, mas são um dos motivos. Caso diferente é quando em 1985, além de ter atacado uma prima sua, mulher de um polícia local, é também acusado de agredir sexualmente Penny Beerntsen, uma figura da comunidade.

Neste documentário somos espectadores de um emaranho de provas feitas e da conduta pouco profissional (para não dizer mais) da polícia local que parece movida por um sentimento de vingança em relação a Avery. Em função das provas apresentadas, este é condenado a 32 anos de prisão, tendo a defesa de Avery recorrido várias vezes da decisão pelos motivos acima referidos.

Em 2003, já com 18 anos de sentença cumpridos, Steven é posto em liberdade. Os avanços da ciência puderam finalmente provar a sua inocência através de testes de ADN. Já foi tarde, o homem tinha cumprido uma pena enorme por um crime que não tinha cometido. Nada que o impedisse no entanto de desencadear um processo no tribunal federal no valor de 36 milhões contra o seu condado, assim como contra a polícia local e o procurador público encarregues do processo. Da sua exoneração face ao julgamento erróneo que o colocou atrás das grades durante grande parte da sua vida, nasce a “Avery Bill”, uma lei reformadora em relação às condenações injustas.

Mas se pensamos que isto se fica por aqui e Steven pode finalmente ter algum descanso na sua vida com um final feliz, desenganem-se. Making a Murderer não é esse tipo de série porque Steven Avery não tem direito a esse tipo de vida.

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Em 2005, Avery volta a ser acusado, desta feita pelo homicídio de Teresa Halbach, uma fotógrafa que colaborava com o ferro velho da família Avery para a venda de carros. O ADN de Avery foi encontrado no carro de Teresa, assim como vestígios da sua presença no quarto de Steven. Mas o que leva um homem que passou grande parte da vida preso injustamente a matar uma mulher inocente?

De inocente e (finalmente) bom da fita aos olhos da sociedade, Steven Avery voltou a ser um criminoso, e o júri não o perdoou, condenando-o a prisão perpétua. Steven Avery fala em vingança por parte do condado e das forças de segurança pública contra si. Desta vez também Dassey, sobrinho de Avery com claros problemas de aprendizagem (aproveitados pela polícia durante um interrogatório que a série nos mostra) é condenado.

Destinada a superar séries como The Jinx ou o podcast Serial, Making a Muderer destaca-se, desde logo, pelo caso em si mas também pelo trabalho de investigação desenvolvido. Há também um forte registo íntimo quando por vezes somos colocados, através da câmara, frente a uma mãe rodeada de caixas cheias de papéis referentes a um processo do qual o seu filho foi considerado inocente, ou quando ouvimos a voz de Steven gravada em chamadas telefónicas apaixonadas e onde reclama mais uma vez a sua inocência. Há um elo que nos liga a esta história, seja ela saudável para o nosso discernimento ou não.

Muitas pessoas parecem acreditar na inocência de Steven, apesar das provas em contrário. Desde aspetições disponíveis no site Change.org ou no site da Casa Branca que já contam com mais de 300 mil assinaturas, aos telefonemas para a polícia em forma de protesto, os protestos levados à rua, as várias teorias que deambulam pela internet (o site Reddit deu origem a 8 teorias sobre todo este processo), muitos são os que defendem Steven Avery e que acreditam que o homem de 53 anos pode uma vez mais ser a vítima perfeita para um crime que pode ou não ter cometido.

A série obriga-nos a teorizar sobre o caso de Avery. Foi o sistema criminal que o tornou num assassino, ou ele é realmente culpado desta vez? Talvez a única certeza seja que há verdade nas duas afirmações.

Texto de João Estroia e Rui Soares

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