Livros, o segredo de Barack Obama na Casa Branca

11 FEVEREIRO, 2017 -

Numa das suas últimas semanas na presidência, Barack Obama concedeu uma entrevista ao The New York Times no passado dia 16 de Janeiro. Em diversas ocasiões, o antigo Presidente dos EUA provou ser uma pessoa com um vasto background de livros, filmes e música. A cultura é das poucas coisas que nunca nos desilude. Obama é um leitor desde muito novo. Uma vez, aquando de uma visita à Biblioteca de Washington, num bairro de Anacostia, falou aos jovens estudantes sobre a importância de ler, referindo alguns dos seus livros predilectos enquanto jovem. Explicou o quão importante estes “mundos portáteis” foram na descoberta do que é importante na vida e na desoberta de sí (“ to raise myself to be a black man in America”). Uma lista que continha, a título de exemplo Treasure Island de Robert Louis Stevenson, Of Mice and Men de Steinbeck e ainda o clássico The Great Gatsby de Scott Fitzgerald. A questão religiosa foi uma das mais importantes no seu crescimento. Obama numa outra entrevista citou a Bíblia como o livro que mais o “moldou” ao longo da sua vida. Songs of Solomon de Toni Morrison e as tragédias de Shakespeare são livros que ele gostaria de ler todos os anos.

Nesta entrevista ao The New York Times, o objectivo é perceber a importância que os livros tiveram durante a sua governação. Como seria de esperar, o tempo disponível para ler não foi tão grande como desejaria, uma vez que, ocupava um cargo da máxima importância, com problemas e solicitações constantes. Durante este período, os livros foram uma fonte de ideias, inspiração e ajudaram-no a clarificar “as complexidades e ambiguidades da condição humana”, bem como a capacidade de se colocar no lugar do outro e de ganhar novas perspectivas.

Se eles [livros] fizeram de mim melhor Presidente, é difícil de julgar. O que posso dizer é que me permitiram manter o equilíbrio durante estes oito anos, num sítio como este, que emerge de forma rápida e difícil sem te deixar descansar.

Não só a ficção desperta a sua curiosidade. Obama adora ler biografias, filósofos e os escritos, como por exemplo cartas, notas de diário ou discursos, de personalidades como Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela, Churchill, Roosevelt e Lincoln. Refere estes últimos como ajudas importantes em períodos de isolamento naturais do cargo que ocupava. As suas ideias ajudaram-no a refletir e a sentir-se acompanhado, uma vez que estes passaram pelo mesmo. O famoso discurso Gettysburg Adress de Lincoln foi uma releitura constante. Todas estas leituras o influenciaram nos discursos, bem como um vasto conhecimento da história do seu país e do mundo, porque, como diria Mark Twain, “a história não se repete, mas rima”.

Ler continua a fazer parte das suas ocupações e quer deixar esse gosto às filhas. Conta que lhes ofereceu um kindle com os livros One Hundred Years of Solitude, de Gabriel García Márquez, The Golden Notebook, de Doris Lessing, e The Woman Warrior, de Maxine Hong Kingston. Admite que, com a idade delas, gostava não só de ler, mas também de escrever. Tinha por hábito escrever contos que hoje descreve como “melancólicos e reflexivos”, em geral sobre pessoas mais velhas. Enquanto Presidente, a sua escrita recaiu sobretudo nos seus discursos, algo com características distintas:

“o lado útil de escrever discursos é lembrar-nos de que as palavras são ditas, ou seja, há um som, um sentimento, que mesmo estando a ler em silêncio, transmite a sua essência.”

Obama continua atento à literatura contemporânea, sobretudo americana. Por exemplo, gostou de ler Gone Girl de Gillian Flynn e, numa das suas últimas semanas na Casa Branca, convidou Dave Eggers, Whitehead, Zadie Smith, Junot Díaz e Barbara Kingsolver para almoçar, por ser admirador do seu trabalho. Diz ser importante falar sobre livros para abrir os horizontes e cativar o púbico em geral a ler. Tudo isto parece estar a resultar, pelo menos cativou a escrita deste artigo.

“Num tempo em que a política tenta gerir o choque entre culturas, fruto da globalização, do desenvolvimento tecnológico e da emigração, o papel das histórias para unir – e não para dividir, para incluir, em vez de marginalizar – é mais importante do que nunca”

Obama in: The New York Times, 16 de Janeiro de 2017

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