Live session: a beleza sonhadora dos Vaarwell

11 OUTUBRO, 2017 -

Temos a sensação de não sermos um país pequeno quando descobrimos uma banda nacional como os Vaarwell. Usando teclados sintetizados e malhas de guitarras sonhadoras, a banda explora sonoridades flutuantes, tão controladas quanto inocentes. São três, os membros deste «adeus» em afrikaans: Margarida Falcão, de voz doce e teclado e sintetizadores cheios; Ricardo Nagy, na guitarra e nos teclados; e Luís Monteiro, no baixo e sintetizadores. Em Março lançaram o seu primeiro álbum de estúdio completo, Homebound 456, dois anos depois da formação da banda. Apresentaram o disco no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém (Lisboa), no Café da Casa da Música (Porto) e no Salão Brazil (Coimbra) – e contaram com a colaboração de dois músicos adicionais, Tomás Borralho e André Paiva.

C0mo descrever a música dos Vaarwell? Que referentes enunciar? As melodias etéreas, o timbre e a velocidade aproximam-se dos projectos britânicos Daughter e London Grammar; mas também há qualquer coisa, na energia e na voz, de projectos mais vivos e inesperados, como o dos americanos Big Thief.

O indie pop do grupo lisboeta tem provado conseguir atravessar fronteiras, juntando-se ao grupo de músicos portugueses que conseguem, passo a passo, projectar música nascida aqui nos ouvidos de quem vive noutros lados. Ambos os singles do álbum de estreia do colectivo, “You” e “Homebound 456”, tiveram tempo de antena nas britânicas BBC Radio 1 e BBC Radio 6, tendo o segundo estreado no site da revista americana CLASH Magazine. Já “Perfectly Fine”, single do EP lançado em 2015, fora lançado no também influente Stereogum. E ainda incorporaram uma canção original numa exposição do Groninger Museum, na Holanda. Este reconhecimento internacional justifica-se pela qualidade das composições, interpretações – mas também, e temos de o destacar, pela produção cristalina e envolvente, que abre portas à projecção da banda.

A Comunidade Cultura e Arte tem agora o gosto de apresentar um par de vídeos gravados numa live session, e que constituem um expressivo exemplo do som que os Vaarwell têm vindo a explorar, tecido a leveza e sonho. No primeiro, “I never leave, I never go”, a banda interpreta aquele que virá a ser o terceiro single do seu álbum; o segundo, um cover de “Exit Music (For a Film)”, surge numa colaboração com a RADAR, pelos 20 anos de Ok Computer. Aguardamos com curiosidade os próximos passos dos Vaarwell, embalados pelos acordes e ecos desta live session.

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