‘La Strada’, a intemporal obra de Federico Fellini

20 JANEIRO, 2017 -

Primeiro grande sucesso internacional de Federico Fellini, A estrada (La Strada, no original) é, igualmente, um dos mais belos filmes jamais feitos e um dos mais pungentes retratos do período neorrealista italiano (juntamente com Ladrões de bicicletas, de Vittorio de Sicca e Roma, cidade aberta, de Roberto Rosselini).

Ambientado num clima típico de pós-Segunda Guerra Mundial na Itália (casas destruídas, cenário sombrio, pobreza e miséria…), a película foca-se em Gelsomina (Giulieta Masina), uma rapariga pobre que é vendida pela sua mãe ao artista de circo Zampano (interpretado por Anthony Quinn), para ganhar algum dinheiro. Porém, Gelsomina não se consegue adaptar à nova vida, muito menos a Zampano, que a maltrata. Decide, então, fugir, juntando-se a um outro artista, “O Louco”, grande rival de Zampano. Acabam por actuar todos no mesmo circo mas, no fim do mesmo, Gelsomina fica indecisa após o “Louco” afirmar que “talvez Zampano goste dela”.

Apesar de ter como pano de fundo o ambiente miserável que se constatava um pouco por toda a Itália depois da guerra, o grande tema de A estrada são as relações entre os seres humanos, neste caso de ódio (Zampano e “O Louco”), de amor (Gelsomina e “O Louco”) e de amor/ódio (Gelsomina e Zampano). E, como o filme exalta, muitas vezes os sentimentos de amor e compaixão estão escondidos na parte mais profunda de uma pessoa, como Zampano, quase no fim da obra cinematográfica, mostra.

Nota também para a presença dos três elementos característicos do cinema Felliniano: a Igreja Católica, o mar e o circo, que têm uma grande simbologia e importância para a interpretação da história. É de realçar também o surgimento dos primeiros indícios surrealistas na cinematografia do italiano, que iriam atingir o auge nove anos depois com Fellini 81/2.

Em conclusão, La Strada é uma obra fenomenal e intemporal e um excelente veículo para a reflexão sobre os sentimentos previamente mencionados. Para muitos (como é o meu caso) a obra-prima de Federico Fellini, de uma beleza dificilmente ultrapassável, A estrada eleva o cinema ao máximo, é daqueles filmes que transmite o melhor que a Sétima Arte tem para oferecer com uma simplicidade inigualável. Numa palavra: genial!

Texto de António Hess

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