Júlio Pomar vai reconstituir painéis do Cinema Batalha

7 FEVEREIRO, 2017 -

A dinâmica cultural do Porto não pára e, para consolidar a reabertura do Cinema Batalha, foi revelado que o artista Júlio Pomar irá refazer os frescos deste espaço. Estes haviam sido destruídos pela PIDE em tempos ditatoriais e serão reconstituídos após estar deliberado o contrato de aluguer do espaço. Este vínculo permitirá que a autarquia intervenha no edifício e levará avante no sentido de o tornar na casa de cinema do Porto.

Quanto aos frescos propriamente ditos, da autoria de Júlio Pomar, estes estiveram durante mais de meio século escondidos no próprio Cinema Batalha. Numa avaliação efetuada por uma equipa de técnicos aos painéis, durante o ano de 2006, alguns frescos foram irremediavelmente danificados e poderão não ter retificação possível. No entanto, uma parte significativa dos mesmos ainda dispõem da possibilidade de serem reconstituídos e, como tal, será este o trabalho a ser realizado pelo pintor.

Estes aludem às festividades do São João do Porto e foram pintados a partir de 1946, tendo Pomar 20 anos. Com o Cinema Batalha a abrir no ano seguinte, arquitetado por Artur Andrade, esses frescos não foram finalizados pelo artista ter sido preso, devido à sua ligação ao Movimento de Unidade Democrática. Só em outubro de 1947 é que as pinturas foram finalizadas, situando-se a maior num dos salões principais do espaço e a menor numa parede perto do balcão do mesmo. Contudo, e devido a alegadas interpretações políticas adversas ao Estado Novo, a censura salazarista obrigou a que fossem escondidas.

O acordo estabelecido por parte do município portuense com o Ministro da Cultura é ainda prematuro mas realça-se a possibilidade de assinatura de um protocolo com a Cinemateca Nacional, possibilitando a efetivação da atividade do espaço. Quanto às condições contratuais nas quais se sustenta a utilização do espaço por parte dos portuenses, trata-se de um aluguer e não da aquisição do imóvel pela família proprietária não estar recetiva à sua venda. Assim, os 25 anos nos quais estará vigente o arrendamento possibilitará o amortizamento do investimento feito pela Câmara Municipal do Porto.

Fotografia de: Enric Vives-Rubio

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