JP Simões muda a agulha e assume-se como Bloom

24 JANEIRO, 2017 -

Muita coisa mudou na vida e na música de JP Simões, que, para assinalar a mudança, decidiu criar um novo alter ego, Bloom. Com ele, surge também um novo disco, ‘Tremble Like a Flower’, que é apresentado em Lisboa, a 09 de fevereiro.

Quatro anos depois de ‘Roma’, JP Simões decidiu incorporar as mudanças que sentia na sua vida e na sua música, com um novo nome, Bloom, que não está apenas relacionado com referências da literatura, como a personagem Leopold Bloom de James Joyce, ou o “crítico romântico” Harold Bloom, mas com o “imperativo de florescer”, contou à agência Lusa o músico, natural de Coimbra.

“Já me estava a sentir um pouco redundante. Achei que havia muita coisa que tinha mudado e, com ela, a minha vida e a minha música”, afirma.

O novo projeto de JP Simões assume essas mudanças no processo de composição musical, nas texturas que quis dar aos temas, no uso do inglês e num afastamento de uma música marcadamente autonarrativa.

Bloom surge no sentido “de florescer”, como “qualquer coisa a almejar”, um nome que dá motivação ao artista para “fazer jus” ao seu novo alter ego, explana, considerando que, com este trabalho, afasta-se das “coisas urbanas” e ligadas “ao comércio das emoções” e, por consequência, aproxima-se de “espaços mais telúricos”.

As canções do álbum foram construídas numa altura “difícil” da vida de JP Simões, que procurou “recriar um mundo um bocadinho melhor”, assumindo a música como algo que o pudesse iluminar, um espaço “onde pudesse encontrar algum consolo e alguma clareza”.

Para o disco, o membro fundador dos Belle Chase Hotel andou a beber de vários lados, principalmente nas guitarras do blues e da folk, com dois nomes à cabeça: o britânico Nick Drake e o guitarrista de Delta blues Robert Johnson.

No álbum de dez faixas, a relação do artista com o tempo está também muito presente, nomeadamente em ‘Meeting Time’, onde canta “as pessoas vão e vêm”.

A faixa era “era para ser o nome do álbum”, mas ‘Tremble like a Flower’ acabou por lhe parecer uma “forma mais bonita” de falar sobre a “fragilidade”, “não só no espaço, como no tempo”.

“Espero que seja um encontro de contas e que agora não tenha de passar o resto da minha vida a falar do tempo”, sublinha JP Simões, à Lusa.

Segundo o músico, este álbum é “menos autonarrativo”, utilizando a segunda e a terceira pessoas, para conseguir “algum afastamento do sujeito do discurso”, de modo a colocar-se num lugar onde se possa ver.

Também nos arranjos, surgem várias mudanças com Bloom.

Com a entrada na composição e produção de Miguel Nicolau, dos Memória de Peixe, JP Simões passou a olhar com mais atenção para “a escultura, a arquitetura e a textura do som”, surgindo “coisas que a música sugeria”, que, sozinho, “não conseguia encontrar”.

Miguel Nicolau “mudou a música ainda mais e tornou-a ainda mais distinta”. Expande-se de “uma maneira muito intensa, de forma luminosa e ao mesmo tempo muito elétrica”, quando tocada ao vivo pela mão dos músicos que pôs a abordar o álbum.

Bloom sobe ao palco do Lux, a 08 de fevereiro, para um concerto de lançamento do disco, acompanhado por Carlos Bica (contrabaixo), Sérgio Costa (saxofone e flauta), João Gomes (teclas) e Marco Franco (bateria).

A 24 de março, Bloom vai também a Aveiro, atuando no Teatro Aveirense.

Além do projeto a solo, que iniciou com “1970”, em 2007, JP Simões foi membro fundador dos Belle Chase Hotel e participou no ‘Sex Symbol’, dos Pop Dell’Arte, entre outras colaborações.

Texto de Lusa

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