Jovens querem um mundo cada vez mais sustentável

28 AGOSTO, 2017 -

Preferem gastar um pouco mais em troca de sustentabilidade. Os millennials são cada vez mais amigos do planeta e estão a contribuir para mudar os métodos de produção da indústria em todo mundo

A geração nascida entre os anos 80 e 90 não usa a internet só para conhecer gente, partilhar fotografias e ver séries na Netflix. A intensa partilha de informação destes jovens adultos criou uma massa de consciencialização sobre vários problemas de índole ambiental e de saúde. Ao tornarem-se cada vez mais conscientes do impacto humano no planeta, assim como do impacto dos produtos criados pelo homem para a sua sobrevivência, criaram alterações profundas nas noções de consumo, nos laços de lealdade com empresas e na forma de estar na vida. Os millennials têm mais cuidado do que qualquer outra geração com o que comem com o impacto dos produtos que compram na sua saúde.

Rita, de 24 anos, explica que foi desenvolvendo maior consciência ambiental ao longo dos últimos anos. “Isso acabou por se estender às preocupações éticas com os animais. Comecei por tomar banhos mais rápidos e comprar uma garrafa de plástico para não ter de estar sempre a comprar água. Há pouco mais de dois anos, vi um vídeo no Facebook acerca da crueldade para com os animais e deixei de comer carne”, descreve. A jovem de Viana do Castelo explica que ainda mantém o peixe na alimentação, embora o consuma raramente.

Estas preocupações acabaram por se estender aos cosméticos e ao vestuário. “Não compro nada que seja testado em animais ou que tenha ingredientes animais. Isso fez com que, ao nível dos cosméticos, reduzisse bastante o número de frascos que tinha porque os produtos são mais caros. Agora tenho só o essencial”.

Millennials de todo mundo têm questionado hábitos de consumo dos pais e avós para mudarem os seus estilos de vida. É o caso de Miguel, de 25 anos, de Coimbra. “O meu pai passou-se quando eu disse que ia deixar de comer carne porque não queria compactuar com a indústria animal. Quando vejo a lista de químicos nos rótulos a fazer compras eles perdem a paciência”, comenta.

O cinema tem tido muito impacto nas escolhas dos millennials. São muitos os documentários que têm feito jovens de todo mundo alterar aspetos essenciais dos seus estilos de vida. São exemplos disso o documentário “Fed Up”, sobre o açúcar e a obesidade, ou o “Cowspiracy” sobre o impacto da indústria animal no meio ambiente.

Pagar mais para viver melhor

Tudo aquilo que pomos na pele entra no nosso organismo para o bem e para o mal. Há milhares de produtos, inclusivamente para bebés, que contêm químicos como derivados do petróleo, parabenos, fragrâncias artificiais e afins, o que significa que, desde que nascemos, estamos expostos a uma infindade de coisas que podem vir a revelar-se mesmo prejudiciais no futuro”, explica Aurora, uma millennial do Porto com 25 anos. “Não me considero fundamentalista nesse aspeto, mas aprendi a ler as etiquetas com os ingredientes e a tentar comprar tudo o mais puro possível – como o óleo de coco, que pode inclusivamente ser utilizado para fins culinários. Quão irónico é pores um creme na pele que não podes comer? Se, no fim, tudo é absorvido pelo organismo, não devíamos estar mais atentos a isso?”, questiona. A jovem do Porto explica ainda que uma das suas maiores preocupações passa pelo uso de desodorizantes com alumínio e anti-transpirantes: “Alguns estudos reconhecem uma ligação entre o uso dos mesmos e o desenvolvimento de cancro da mama. Como já tive um caso na família, faço mesmo questão de nunca comprar anti-transpirantes e de ter atenção à presença de alumínio em qualquer desodorizante que use. São mais caros que os outros? Sim, claro. Mas o barato sai caro”, remata.

A consultora norte-americana A.T. Kearney questionou mais de 200 mil millennials nos Estados Unidos da América sobre quais as práticas de sustentabilidade de uma empresa que consideravam mais importantes para quando escolhe um automóvel, alimentos, produtos de higiene pessoal, aparelhos eletrónicos, roupas e produtos de limpeza doméstica. Os resultados do estudo sugerem que esta pode ser a última oportunidade para que as empresas revejam as proposições de valor que oferecem a estes consumidores.

Segundo Daniel Mahler, um dos sócios da consultora, a demanda dos Millennials por produtos sustentáveis não passa apenas por encontrar empresas socialmente responsáveis, algo que já consideram obrigatório. Por exemplo, quando questionaram americanos especificamente sobre a compra de um automóvel, os baby boomers (nascidos entre a década de 40 e 60), que também são alvo de estudo desta empresa, disseram que prefeririam comprar um carro “made in America” (uma prioridade social). Em contraste, a maioria dos millennials americanos disseram querer um carro que “use pouco ou nenhum combustível e que seja bom para o meio ambiente”. Isto é, um produto inerentemente sustentável.

Artigo escrito por Ana B. Carvalho, publicado no nosso parceiro jornal i

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