Joseph Mount, dos Metronomy: ‘Adoro a Creep, dos Radiohead, ajudou a tornar-me músico’

30 OUTUBRO, 2017 -

Os Metronomy vão atuar hoje, dia 30 de Outubro, no Coliseu dos Recreios, num espectáculo que certamente será cheio de groove e repleto da electrónica dançável a que o grupo britânico já nos habituou.

A CCA esteve à conversa com Joseph Mount, frontman e principal força criativa da banda. Discutiu-se o passado, o futuro, o papel dos fãs no crescimento de uma banda e o orgulho nos êxitos, dos quais as bandas não devem fugir.

O álbum Summer 08 foi o primeiro que gravou sozinho desde a estreia?

JM: Sim, mais ou menos [risos]. Esse pormenor foi mais referido porque o Love Letters, o álbum que o antecedeu, foi uma gravação mais comungada, foi feito de uma maneira muito tradicional, uma banda num estúdio. E, com o Summer 08, decidi experimentar fazer um álbum da maneira mais rápida que conseguisse. Estou habituado a escrever música sozinho, e por vezes até as gravo sozinho, ou com um engenheiro de som. Mas acho que o que levou a que o Summer 08 fosse gravado dessa forma foi porque o álbum anterior foi feito de forma mais “aberta”.

Há então um intuito em ter sido gravado sozinho?

JM: Há, de certa forma. Acabámos a tour do Love Letters em Setembro de 2015, se não estou em erro. E decidi que devíamos parar um bocado, ter um ano sem digressões. Eu ia tomar conta dos meus filhos, o Gbenga [baixista] tinha acabado de ter um filho, o Oscar [guitarrista] estava a viver nos Estados Unidos… Mas eu queria gravar um álbum, porque é que não podemos gravar um álbum quando não estamos a pensar fazer tour? Mas quis lançar um álbum de uma forma descontraída, discreta. E fazia sentido não tentar envolver outras pessoas porque toda a gente estava ocupada com as suas vidas, era a abordagem mais fácil.

Em relação ao novo álbum, como está a correr o processo? Já têm ideias sobre como vai soar?

JM: Sim, estou a produzi-lo neste momento, acho que vai ser bastante diferente. Quando começas a fazer música e a fazer álbuns tens um tipo de [músicas] que estiveste toda a tua vida à espera para fazer, estiveste à espera até àquele momento. Tens ideias muito específicas sobre como queres que um álbum seja mas [ao mesmo tempo] precisas de convencer as pessoas a gostarem de ti! [risos] Por isso tu expressas toda essa energia acumulada durante anos nos primeiros três ou quatro álbuns e agora, de certa forma, eu já não tenho esse objectivo muito específico que quero fazer ou provar. Por isso tenho feito música de uma maneira muito relaxada. Não é má música! [risos] É música que mudou e se tu olhares para qualquer banda que gostes vais ver que há um ponto de partida onde tens um tipo de álbuns produzidos de forma mais intensa e consistente e depois essas bandas têm outros que são mais descontraídos e relaxados. E depois eles voltam aos álbuns mais concentrados e intensos. Estou no processo de voltar a esse espírito.

Joseph Mount, frontman e principal força criativa dos Metronomy. Fotografia de João Rosa / CCA

Neste verão estiveram no NOS Primavera Sound , o que é um tipo de concerto bastante diferente do que vai acontecer no Coliseu, o que é que identificas de mais diferente num e noutro tipo de contexto? 

JM: Sim, sim são muito diferentes, obviamente vocês já estiveram em festivais, eu vou a festivais. Num festival as pessoas estão para se divertir , e se vão ver uma banda tanto podem amar a banda ou não querem saber, ou não gostam e não querem ver. Tocar num festival é essa a nossa audiência. Diferentes tipos de pessoas, e no palco quando tocas vês pessoas a irem ao bar e isso acontece. Mas quando é o teu próprio concerto, em teoria toda a gente quer lá estar e divertir-se. Os melhores exemplos que temos e que nos aconteceram são aí. É um feedback positivo as pessoas estão lá e divertem-se e nós também. Ontem estivemos em Madrid e foi o nosso primeiro concerto em nome próprio fora do contexto de festival em Madrid e foi a loucura, as pessoas foram tão simpáticas. Todas estas pessoas tinham esperado para nos ver e sim é essa a maior diferença

O primeiro sucesso comercial, The English Riviera foi bastante grande, isto alterou de alguma forma o processo criativo, existia uma pressão adicional no trabalho que se seguiu?

JM: Com English Riviera, nunca sabemos o que é que vai acontecer com um álbum. Nós sabemos que é bom, ou melhor esperamos que seja bom. Mas esse álbum foi lançado na altura certa, as pessoas certas gostaram dele. Havia esta espécie de energia à nossa volta. Nessa altura é difícil, quer dizer se acreditares em sorte e fé. Então esse álbum foi um êxito devido a isso mesmo. E então é muito difícil para uma editora ou para tu próprio replicares isso, porque é meio que impossível. Claro que estou a tentar fazer música que acho que é boa, mas ao mesmo tempo tens de ser levado pelo público que te coloca nesse nível, que é especial. E o que entendi é que se isso acontecer nem que seja só uma vez, és extremamente sortudo.

Amanhã, Xinobi irá fazer a abertura do vosso concerto, está familiarizado com o trabalho?

JM: Sim! Eu não, mas foi a Anna [baterista] que o terá sugerido. Não sei, mas penso que é muito bom, estou bastante entusiasmado para o ouvir!

Neste momento qual é a tua canção favorita para tocar ao vivo, se existir ou são todas especiais à sua maneira?

JM: São canções especiais por diferentes motivos, mas eu gosto bastante de tocar “Mick Slow” de Summer08, é muito divertida de tocar e está num registo diferente do resto do álbum. Mas mais uma vez, quando chegamos a esta parte do mundo e tocamos “The Look”, está feito. Não há como fugir.

Disseste em entrevistas anteriores que uma banda não se deveria esconder atrás dos seus maiores sucessos. O que é uma abordagem diferente de outras bandas como por exemplo os Radiohead e de “Creep”. Podem dizer que isso não acontecerá com vocês?

JM: Não! Eu não sei quantos mais exemplos existem, talvez os MGMT o tenham feito também, mas eu acho que é tão infantil… se as pessoas para quem tocam, que são as pessoas que te deram a tua casa ou o que tens, que te trouxeram notoriedade. Só vives uma vez, deves ser feliz, porque não tocar as músicas que trazem isso às pessoas. Na realidade eu acho que os Radiohead estão mais serenos relativamente a isto e voltaram a tocar a “Creep. E isso é muito agradável, não há que ter vergonha. Aliás, não há nada que ter vergonha, especialmente nesta canção. Eu adoro-a, ajudou a tornar-me músico. Porque não tocar para o público o que este quer ouvir?

Entrevista de João Jacinto e Miguel Santos

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