João Fazenda vence Prémio Nacional de Ilustração 2015

12 JULHO, 2016 -

O autor João Fazenda venceu por unanimidade o Prémio Nacional de Ilustração 2015 com o livro ilustrado ‘Dança’, revelou hoje a Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB).

Sem recurso a palavras, ‘Dança’, publicado em 2015 pela Pato Lógico, é sobre um homem que sucumbe ao peso da rotina e à rigidez do trabalho; um “cinzentão” de fato e gravata que aparentemente não consegue libertar-se desse espartilho para dar um passo de dança com a mulher.

O júri elogiou “o uso expressivo da cor” numa “narrativa original“. “O movimento das figuras coloca o leitor entre a tensão e a descontração dos dois universos apresentados, o dele e o dela“, lê-se na ata.

João Fazenda, nascido em Lisboa em 1979, tem já uma longa ligação à ilustração para a infância, embora a prática do desenho se estenda também à imprensa, banda desenhada, animação e criação de capas, de discos e livros.

Começou por publicar banda desenhada em fanzines. É dele, juntamente com Pedro Brito, a premiada BD “Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos”, de 2000.

Entre os vários prémios conquistados conta-se o Grande Prémio Stuart de Desenho de Imprensa (2007) e o prémio de excelência pela Society of News Design, dos Estados Unidos. Em 2009 saiu uma antologia da obra do autor, intitulada “Combo”, escrita por João Paulo Cotrim.

Nesta edição do Prémio Nacional de Ilustração, o júri atribuiu ainda menções especiais a Bernardo Carvalho pelo livro ‘Verdade?!’ (Pato Lógico) e a Yara Kono pela ilustração de ‘Gato procura-se’, para um texto de Ana Saldanha (Editorial Caminho).

O júri decidiu ainda dar destaque, mas sem direito a prémio monetário, a três outros livros, pela qualidade da ilustração: “Eu quero a minha cabeça”, de António Jorge Gonçalves, ‘A casa do senhor Malaparte’, de Joana Couceiro e ilustrado por Mariana Rio, e ‘Montanhas’, de Madalena Matoso.

O Prémio Nacional de Ilustração, que cumpre a vigésima edição, é uma iniciativa da DGLAB e distingue anualmente a vertente de ilustração de livros para a infância e juventude, publicados em Portugal.

Foi atribuído pela primeira vez em 1996 a Manuela Bacelar pela ilustração de ‘A sereiazinha’, de Hans Christian Andersen. Na altura, Manuela Bacelar, com 53 anos, somava já vários prémios nacionais e internacionais, nomeadamente o Prémio Gulbenkian de Ilustração.

Desde então, o Prémio Nacional de Ilustração tem sido um pouco o espelho da evolução da ilustração em Portugal, tanto do ponto de vista técnico como criativo.

Depois de Manuela Bacelar, foram distinguidos, entre outros, Henrique Cayatte (2000), Alain Corbel (2002), Cristina Valadas (2007), Madalena Matoso (2008), Maria João Worm (2011), António Jorge Gonçalves (2013) e Afonso Cruz (2014).

Por duas vezes foi atribuído a Teresa Lima: em 1998 com ‘Alice no país das maravilhas’, de Lewis Carroll, e em 2006 com “Histórias de animais”, de Rudyard Kliping.

O Prémio Nacional de Ilustração tem um valor monetário de cinco mil euros, aos quais se acrescentam 1.500 euros para custear uma deslocação à Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha em Itália. Este mesmo valor é atribuído também aos ilustradores reconhecidos com menções especiais.

O júri desta edição contou com Susana Lopes Silva, Manuel San-Payo e Ana Castro.

Texto Lusa
Ilustração João Fazenda

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