Jake Gyllanhaal sobre ‘Okja’: “Hoje em dia, filmes familiares raramente tocam temas tão negros como este”

2 JULHO, 2017 -

Falámos com o ator americano sobre o projecto que o fez recriar uma das figuras mais patuscas da sua carreira, em Okja, de Joon Boon Ho, onde contracena com Tilda Swinton, também produtora, Anne Seu Hyun, Paul Dano e Lily Collins. É nesse filme que o vemos de calções e com as meias mais ridículas de sempre. Jake é Johnny Wilcox, uma espécie de domador de animais para reality show. Oportunidade para Gyllenhaal sair da caixa mais uma vez e dar expressão a um aspecto mais cómico que raramente tem oportunidade de apresentar.

Inspirou-se em alguém em particular para a sua personagem?

Ninguém em especial. Apenas pensei naquele tipo de animador de animais para crianças, normalmente, bastante exuberante. Daí a opção de usar calções e meias compridas para acentuar o ridículo.

O Jake está habituado a desafios físicos, mas neste caso usa a fisicalidade de uma forma diferente.

Para mim todos os aspetos são importantes, em particular o risco. Nunca me sinto muito confortável nessa zona de conforto. Pode ser o tema, a personagem. Ainda bem que o Bong decidiu fazer algo arrojado. Eu gosto disso. Ele e um dos realizadores mais divertidos com quem já trabalhei. E já o conheço há muito tempo, há quase 10 anos. Adora combinar a violência com o humor.

Normalmente vemos o Jake em filmes mais sérios, por isso pergunto se é uma pessoa mais divertida ou não?

Sim, sou uma pessoa muito divertida… Pode escrever isso. (risos) À medida que vamos progredindo na nossa carreira isso faz menos sentido. Por exemplo acabei agora de fazer uma peça de teatro em que canto e isso surpreendeu muita gente. A verdade é que cantei durante toda a minha vida. Mas sou divertido…

Acha que este é um filme adequado aos nossos dias?

Isso não sei dizer. Apesar de ser um filme sobre uma criança e a sua ligação com uma criatura, em muitos sentidos uma história que conhecemos, no sentido de que vamos à procura de uma coisa que perdemos. No final, Bong mostra-nos toda a brutalidade que o ser humano faz e ao mostrar isso a uma criança torna a ideia muito poderosa. Hoje em dia, filmes familiares raramente tocam temas tão negros como este. Por isso mesmo é que a Netflix é um importante veículo para este filme porque pode mostrar ao mundo que temos este lado brutal, mas também bastante humano.

Acha que a corrente situação nos EUA torna este filme ainda mais politizado?

Sem dúvida. Apesar de o filme brincar com a ideia de fugir para o Canadá, eu acho que hoje em dia devemos sentir uma responsabilidade acrescida por estar nos EUA e exprimir-nos. A última coisa que faria seria abandonar o país. Estes são tempos para estarmos ainda mais envolvidos no que se passa.

Entrevista de Paulo Portugal, publicada no nosso parceiro Insider Film

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