Jacques Roubaud: um dos grandes poeta franceses contemporâneos na colecção de Pedro Mexia

19 JANEIRO, 2017 -

«”Alguma Coisa Negro” (1986) é um “in memoriam” dedicado à artista canadiana Alix Cléo Roubaud, falecida aos 31 anos com uma embolia pulmonar. O seu viúvo, Jacques Roubaud, enfrenta uma afasia depressiva, e inventa fórmulas elegíacas que não as tradicionais (“evocação, imprecação, futuro anterior”). A linguagem quer ir muito além de um banal “onde estás?”, ao mesmo tempo que contesta a incomunicabilidade entre emoção e experimentalismo. Em nove sequências com nove poemas de nove estrofes (herança das matemáticas, que o poeta estudou e ensinou, e dos constrangimentos formais tão apreciados pela confraria OuLiPo), o monólogo transforma-se em diálogo virtual, hipotético. Roubaud formula proposições teóricas, meditações melancólicas, enquanto concebe outros mundos, possíveis ou ficcionais. A vida continua, a escuridão continua. E continua tudo o que Alix deixou: cartas, diários, gravações, fotografias, auto-retratos. Imagens materiais e imagens mentais que unem os vivos e os mortos ou que os afastam mais ainda.» — Pedro Mexia

Jacques Roubaud (1932, Caluire-et-Cuire, França) é matemático, foi professor universitário e ensinou poesia. Publicou mais de 30 livros. Traduziu os trovadores medievais, poesia japonesa clássica e poetas americanos contemporâneos. Para além disso, é membro do Ouvroir de littérature pontentielle (OuLipo), a que pertencem os seus amigos Raymond Queneau e Georges Perec.
Por fim, venceu o Grande Prémio Nacional de Poesia e o Grande Prémio de Literatura da Academia Francesa.

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