Inquérito a 12 000 portugueses revela consumos de álcool, tabaco e canábis

21 SETEMBRO, 2017 -

As mensagens contra o tabagismo não parecem estar a funcionar junto do sexo feminino, em particular das jovens. Se o consumo de tabaco pela parte dos homens, que sempre foi superior ao das mulheres, tem vindo a reduzir ligeiramente, no sexo oposto verifica-se o contrário.

O IV Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, Portugal 2016/2017, apresentado ontem, revela que o consumo na população jovem já está praticamente no mesmo patamar. Em 2012, data do último inquérito, 39,2% dos homens entre os 15 e os 34 anos declaravam fumar regularmente, percentagem que estabilizou. Já nas raparigas, o salto é notório: há cinco anos, apenas 20,4% declaravam ter fumado nos 30 dias anteriores ao inquérito, um indicador de consumo corrente. Neste último inquérito, a percentagem subiu para 35%.

O inquérito teve por base uma amostra de 12 mil pessoas, representativa da população. Apesar desta ser uma das subidas mais marcadas, há outras tendências.

Aumentou o consumo de canábis, tanto na população no geral como junto dos jovens. É a droga ilícita mais consumida no país e 4,3% dos portugueses entre os 15 e os 64 anos são consumidores regulares, ainda assim um número abaixo da média europeia. Entre os jovens, a percentagem sobe para 6,2%.

Aumentou o número de pessoas a reportar consumos regulares, mas a experimentação parece ter estabilizado14,9% dos jovens na mesma faixa etária reportam ter experimentado pelo menos uma vez. Nos rapazes, a percentagem até baixou de 21,7% para 20,4%. Nas jovens mulheres, um novo aumento: em 2012, apenas 7,2% declaravam algum consumo ao longo da vida, percentagem que subiu para 9,5%.

Quanto ao álcool, a substância psicoativa legal mais consumida no país, há algumas boas notícias: houve uma baixa nos jovens que reportam consumos intensos. Quanto a situações de embriguez, há uma subida ligeira, para 5,4% da população. E assinala-se um aumento da prevalência de embriaguez entre as mulheres, sobretudo a partir dos 35 anos.

Menos jogadores, mas mais problemáticos

O relatório também se debruça sobre o jogo, revelando que os anos de crise parecem ter diminuído um grande número de apostantes em Portugal. Cerca de 48% dos portugueses reportam ter jogado a dinheiro alguma vez na vida, o que inclui casino mas também euromilhões ou raspadinhas. Há cinco anos, 65,7% da população entre os 15 e os 74 anos jogava.

Segundo o inquérito, 46,2% da população não tem uma relação problemática com o jogo, mas subiu ligeiramente a percentagem de jogadores com alguns problemas e com probabilidade de serem jogadores patológicos – de 0,3% para 1,2% e de 0,3%para 0,6%, respetivamente.

Os consumos problemáticos, embora afetem uma minoria dos utilizadores, são analisados em detalhe. Estima-se que 2,8% dos consumidores de álcool tenham problemas de dependência e 12,6% estão em maior risco. No caso da canábis, 0,6% da população tem risco moderado ou elevado de problemas. Aqui, o alerta vai em particular para os rapazes.

Artigo escrito por Marta F. Reis / Parceria jornal i

Comentários

Artigos que poderão ser do teu interesse

ARTIGOS RELACIONADOS