Imediatismo das redes sociais é um desafio para a fotografia

12 ABRIL, 2016 -

A adaptação da fotografia contemporânea à comunicação e à instantaneidade das redes sociais foi um dos desafios enunciados hoje pelo historiador de arte David Santos, curador da Bienal de Fotografia 2016, que vai decorrer em Vila Franca de Xira.

Iniciativa cultural de âmbito nacional, dedicada à fotografia, a bienal é promovida pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, desde 1989, e realiza este ano a 14.ª edição, no último trimestre do ano.

É aceite por qualquer pessoa a importância que as redes sociais têm na comunicação e nos efeitos da sua instantaneidade. É, pois, evidente que uma iniciativa desta dimensão tem de estar atenta, refletir e acompanhar essas alterações“, afirmou o artista à agência Lusa.

David Santos, antigo responsável do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, e ex-diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, em Lisboa, fez hoje o lançamento da Bienal de Fotografia de 2016 (BF16), subordinada, nesta edição, ao tema “Arquivo e observação“.

Daniel Blaufuks, José Maçãs de Carvalho, José Pedro Cortes e Patrícia Almeida serão os artistas convidados a apresentar novos trabalhos nesta edição, que contará com outros nomes como António Júlio Duarte, João Grama, Rui Calçada Bastos, Susana Mendes Silva e Nuno Cera, entre outros.

Partimos sempre com a expectativa de elaborar a mais ambiciosa exposição de fotografia. Iremos contar com a intervenção de 30 dos mais importantes artistas. É o reflexo da afirmação que queremos dar à fotografia artística“, sublinhou David Santos.

Durante a sua intervenção pública, o curador referiu que as principais novidades desta edição serão as alterações que foram feitas ao regulamento do concurso que, no seu entender, irão facilitar o surgimento de “mais candidaturas“, uma vez que serão eliminadas “algumas burocracias“.

Os interessados poderão apresentar as suas candidaturas de 13 de abril a 13 de maio, que serão depois selecionadas por um Conselho de Curadores (máximo de dez portofólios), que, antes de uma decisão final, ainda ouvirá uma apresentação oral dos candidatos.

Os trabalhos dos candidatos selecionados irão estar patentes no Celeiro da Patriacal, mas, ao longo da bienal, irão existir trabalhos fotográficos “espalhados por vários pontos da cidade ribatejana“, nomeadamente no Mercado Municipal, na biblioteca Fábrica das Palavras e no edifício dos Paços do Concelho.

Além de uma candidatura a um tema geral, com um valor monetário de cinco mil euros para o vencedor, os interessados poderão ainda concorrer a um prémio nas categorias de concelho e tauromaquia, ambos com um prémio de mil euros.

Queremos estimular os novos autores. Aqui têm uma oportunidade para mostrarem os seus trabalhos. Estamos expectantes como sempre. Na verdade, somos uns resistentes. Esta exposição irá manter-se, porque, para nós, a cultura fotográfica é extremamente importante e merece ter o seu destaque e relevo“, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita.

Ao longo de duas décadas e meia de existência, a Bienal de Fotografia premiou e distinguiu artistas como António Júlio Duarte, Valter Vinagre, André Gomes, Duarte Belo, Bruno Sequeira e Miguel Soares, entre outros.

Foi na edição de 2012 que a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira introduziu o conceito de programa curatorial, já nessa altura com David Santos, tendo sido apresentadas exposições individuais de André Cepeda e Nikolai Nekh.

Dois anos depois, na BF14, Sérgio B. Gomes, jornalista e editor de Plataformas e Multimédia do jornal “Público” e autor do blogue Arte Photographica, assumiu a curadoria das exposições individuais de Augusto Brázio e Diogo Simões.

Lusa

Comentários

Artigos que poderão ser do teu interesse

ARTIGOS RELACIONADOS