‘I’m Not There’, conferência Internacional sobre Bob Dylan

2 MAIO, 2017 -

Na sequência do anúncio oficial do Prémio Nobel da Literatura a Bob Dylan, as opiniões do público e dos críticos dividiram-se. O CETAPS e o CESEM, da Universidade NOVA de Lisboa, decidiram pois discutir e celebrar o significado estético, histórico, político e cultural da obra musical, literária e visual de Bob Dylan, bem como as suas influências e as implicações da sua recente distinção. Introduzidos no dia 17 de maio pela projecção do filme I’m Not There (2007), os dois dias de conferência serão preenchidos não só por comunicações por especialistas internacionais e nacionais, mas serão também pontuados por mesas redondas e concertos, salientando-se a participação da banda de rock londrina Arable Desert. O evento termina com um debate com algumas das personalidades mais relevantes da cultura portuguesa como José Mário Branco, Alice Vieira, João de Menezes-Ferreira, Pedro Mexia, Samuel Úria e Isabel Oliveira Martins. A entrada em todas as actividades é gratuita.

Porquê Bob Dylan?
Em 1999, Bob Dylan (1941) foi contemplado pela lista “Time 100: The Most Important People of the Century”, da revista Time, como “excelente poeta, intrépido e cáustico crítico social, espírito orientador da geração contracultura”. Em 2008, o júri do Prémio Pulitzer concedeu-lhe uma referência especial pelo “seu profundo impacto na música popular e na cultura americana, marcado por composições líricas de extraordinário poder poético”. Em maio de 2012, Dylan foi condecorado pelo Presidente Barack Obama com a Medalha Presidencial da Liberdade. Em 2016, o artista recebeu o Prémio Nobel de Literatura “por ter criado novas expressões poéticas no âmbito da grande tradição da canção americana”. Segundo o New York Times (13 de Outubro de 2016), “o sr. Dylan, 75 anos, é o primeiro músico a ganhar o prémio, e a sua nomeação na quinta-feira é talvez a escolha mais radical de uma história que remonta a 1901… Ao escolher um músico popular para a maior honra do mundo literário, a Academia Sueca, que atribui o prémio, redefiniu de forma drástica os limites da literatura, desencadeando um debate sobre o facto de as letras das músicas terem o mesmo valor artístico que a poesia ou os romances“.

A conferência
Este será um dos primeiros encontros científicos que, a nível mundial, se propõem debater estas questões. A conferência tem uma forte componente internacional, com a participação de trinta e quatro investigadores, académicos e especialistas vindos de países como Estados Unidos da América, Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Brasil, Itália, Noruega, Finlândia, Eslováquia, Israel e Sérvia, para além de Portugal. O grupo de estudiosos inclui áreas tão diversas como os estudos literários, a musicologia, a filosofia, a sociologia, a teologia, o cinema, a psicologia, os estudos dos média e das migrações, da política e ao direito.

Saliente-se a vinda de dois especialistas no domínio em estudo: Stephen Wilson e Telmo Rodrigues. O primeiro, Professor na Universidade de Coimbra, inclui na sua actividade lectiva o conhecimento resultante de vinte anos de investigação dedicada a Bob Dylan. O segundo, Telmo Rodrigues, investigador do IFILNOVA – Instituto de Filosofia da Universidade NOVA de Lisboa, tem centrado o seu percurso académico no estudo do autor americano, sendo o único português especificamente doutorado no tema (FLUL – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). A conferência abordará assuntos tão diversos quanto: o poder do Prémio Nobel da Literatura; influências entre autores e épocas, de Shakespeare aos Beatles, passando por Keith Jarrett, Leonard Cohen e José Mário Branco; os antecedentes da obra de Dylan e a sua influência social; fãs e comunidades dylanescas; a religião da produção de Dylan; activismos políticos e música de protesto nos EUA e em Portugal, entre outros; Bob Dylan como performer; a sua relação com as artes visuais; os textos de Dylan como poesia e narrativa literária; género e queerness em Dylan e outros cantautores; Dylan e o ciberespaço; Dylan e cinema, televisão e internet; transmedia e intertextualidade em práticas musico- literárias; os alter-egos e personas do autor, entre outros temas.

Para além destas intervenções, destaca-se a exibição, na tarde de 17 de maio, do filme que dá nome à conferência: I’m Not There (2007), realizado por Todd Haynes. Haynes salienta a extraordinária volatilidade de Dylan: “é como uma chama: se o tentarmos segurar na mão, certamente nos queimaremos. […] E é por isso que sua comunidade de fãs é tão obsessiva, desejosa que está de encontrar a verdade, os absolutos e as suas respostas – coisas que Dylan nunca fornecerá e apenas frustrará” (apud D. Dalton, Who Is the Man?: In Search of the Real Bob Dylan, 2012).

O final do segundo dia será marcado por um concerto com canções de José Mário Branco, realizado pelo Departamento de Ciências Musicais (FCSH/NOVA), sob a direção do Professor e contrabaixista João Nogueira.

O colóquio encerra com um debate em torno de Bob Dylan, na óptica de escritores e músicos, académicos e críticos, incluindo temas que vão desde a polémica do Nobel à importância da literatura e da música como formas de crítica social e política. Este debate reúne algumas das mais proeminentes personalidades da cultura literária e musical portuguesa: o compositor e escritor José Mário Branco, a escritora e jornalista Alice Vieira, o crítico musical, político e radialista João de Menezes-Ferreira, o escritor, crítico literário e cronista Pedro Mexia, o músico Samuel Úria e a professora universitária Isabel Oliveira Martins.

A banda rock londrina Arable Desert desloca-se especialmente à FCSH/NOVA para, com um concerto gratuito, brindar o público com canções de Dylan e originais do próprio grupo e rematar de modo festivo três intensos dias de trabalho.

A entrada neste concerto, na projecção do filme e em todas as restantes actividades da Conferência será gratuita.

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