idiossincrasias da vida contemporânea em pleno verão de um quase agosto

26 JULHO, 2016 -

ela tem a pele da cor de uma meia de leite, tem cerca de 1,65mts e 56kgs; está vestida com uma t-shirt branca, calças de ganga rasgadas nos joelhos e calça sandálias. O cabelo é loiro, da cor do ouro antigo, e está apanhado.
se eu lhe perguntar,
– qual é a cuequinha que estás a usar hoje?
(é certo que pagarei caro pela pergunta)
mas ela está numa livraria, e depois agacha-se para ver um livro. E, ao pôr-se de cócoras, eu vejo-lhe não só as cuecas, como também a etiqueta e as estrias que ela tem na parte superior da coxa quase a chegar às ancas.
Tem um rabo bem feito. O rabo esteticamente perfeito; rabo em forma de coração; que ela o trabalha 3 vezes por semana nas máquinas do ginásio. Mas ela trabalha o rabo apenas para se sentir bem com ela própria; com a sua feminilidade.
Se olhares muito, ela sente-se quase violada com o teu olhar. Se disseres algo, estás a ser abusador, mal-educado, tarado; se lhe disseres,
– tens o rabo tão lindo
– porco de merda!
(ela responde-te sem hesitar)
a mulher lida com a sua carne no limiar da auto-idolatria, mas quer ser reconhecida,
– pelo seu cérebro
(é quando ela diz)
– eu leio, eu penso, sei discernir; eu não quero ser vista apenas como um naco de carne
(ela diz isso ao mesmo tempo em que olha para o relógio para ver se está atrasada para a aula de zumba)
uma mulher não é o seu rabo; nem o risco que separa os lábios da vagina por dentro de umas calças elásticas ou das leggings quando ela vai ao mercado.
uma mulher não é a selfie de biquini na praia a mostrar o seu monte de vénus volumoso entre as coxas, nem a sua duckface.
uma mulher é o seu cérebro
por cima de um rabo jeitoso
a escaldar na areia da praia
Porque logo mais à noite, ela vai pôr aquele vestidinho branco, sem soutien, a mostrar a marquinha do biquini sobre a pele bronzeada.
Mas não vais poder dizer nada. Mesmo à noite, ela quer ser reconhecida,
– pelo seu cérebro.

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