Homenagem a John Berger no cinema Medeia Monumental

11 JANEIRO, 2017 -

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Deixou-nos na semana passada um dos maiores escritores e pensadores do nosso tempo: John Berger. Convidado do Lisbon & Estoril Film Festival em 2015, que lhe dedicou um programa especial, Berger foi, e continua a sê-lo, decisivo para as últimas gerações de criadores (e também de espectadores), tendo-nos guiado, ao longo das últimas décadas, os “modos de ver” a arte e a vida.

A Medeia Filmes e a Leopardo Filmes organizam uma soirée em sua homenagem na próxima quarta-feira, 11 de Janeiro, às 21h30, no cinema Medeia Monumental.

Participarão a actriz Catarina Wallenstein e o jornalista Luís Caetano, que lerão textos de John Berger traduzidos para o português.

Será ainda mostrado um vídeo da sua participação no festival, das suas leituras que se cruzaram com as interpretações de Piotr Anderzewski ao piano e a leitura de um excerto do seu texto “Lisboa” pelo actor João Grosso.

E, a fechar, uma feliz coincidência: a exibição, pela primeira vez em Portugal, do filme The Seasons in Quincy: Four Portraits of John Berger, um projecto de Tilda Swinton e do escritor, produtor e realizador Colin MacCabe, rodado nos Alpes Franceses, onde o escritor viveu mais de 40 anos. Vemos Berger, Nella, a sua companheira, Tilda, as conversas, a casa e os objectos, aquela paisagem poderosa (a primeira leitura de Berger em Lisboa foi precisamente a de um poema sobre um bar nessas montanhas), o seu activismo, a sua delicadeza e atenção constantes para com os outros, a natureza, o mundo.

As estações em Quincy não voltarão a ser iguais. Mas ficaremos sempre com aquele bar, lá no cimo da montanha, onde os pastores e os camponeses vão para se encontrarem à volta de um copo. “In the café two strangers play the accordion / the rain is melting the snow”.

 

John Berger (1926-2017)
Poeta, romancista, pintor, crítico, ensaísta (sobretudo no campo da arte) e argumentista (trabalhou com Alan Tanner em Jonas que Terá 25 Anos no Ano 2000 e A Salamandra), John Berger é uma figura absolutamente decisiva para várias gerações de criadores e espectadores. Embora a sua vasta obra se tenha desdobrado em várias vertentes, seríamos seguramente observadores, espectadores e pessoas diferentes sem a sua seminal série (da BBC) e livro Modos de Ver. John Berger abriu-nos o mundo da arte e, por extensão, o mundo ele mesmo, como se este fosse um livro, olhando para a arte e para a vida com uma intensidade quase visionária, como se essa capacidade de ver nos devolvesse um perpétuo presente, um aqui e agora, aqui onde nos encontramos.

Era presença regular nas short-lists do Booker Prize, que venceu em 1972, com o romance G.
Em Portugal estão traduzidos o ensaio Modos de Ver (Edições 70), um livro sobre Dürer (Taschen), e ainda, E os Nossos Rostos Meu Amor, Fugazes Como Fotografias (Edições Quasi),Aqui nos Encontramos e De A Para X (ambos pela Civilização Editora).

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