‘Hardwired…to Self-Destruct’, persistência ou nostalgia?

22 NOVEMBRO, 2016 -

Há 16 anos rebentava o escândalo Napster, a primeira rede de partilha de música fundada por Shawn Fanning. Após ter disponibilizado, de forma ilegal algumas músicas dos Metallica, a banda moveu uma acção judicial contra o Napster. Uma década e meia depois, o streaming e o download convivem em harmonia com a nossa sociedade. O início do novo milénio para os Metallica é curiosamente esquizofrénico: conflitos internos que deram em filme, um álbum raivoso, outro que tentou levar a banda de regresso ao passado e depois “Lulu”, que resultou numa colaboração aquém das expectativas com o lendário Lou Reed. Controversos, amados por multidões e odiados por tantas outras. Eis o décimo álbum: “Hardwired… To Self-Destruct”.

A busca incansável da banda para voltar aos gloriosos anos 80 torna-se forçada com este novo trabalho. Já o foi com “Death Magnetic”, tornando-se agora numa cansativa persistência. “Hardwired” entra furiosa num registo próximo de “Damage Inc.” mas nunca chega aos calcanhares da faixa do álbum “Master of Puppets”. O ritmo e as guitarras de “Atlas, Rise!” têm os genes do “Kill Em’ All” com menos sujidade. “Now That We’re Dead” apresenta semelhanças com algumas faixas de “…And Justice For All”, nomeadamente, no que diz respeito à sonoridade da bateria. Até “Dream No More” vai beber à intensidade e carga de “Sad But True”. Muitos são os pontos que se cruzam em “Hardwired… To Self-Destruct”. Kirk Hammet mostra que os seus solos continuam característicos e “Halo On Fire” é um excelente exemplo disso. Obviamente que já tiveram melhores dias, no entanto, seria injusto dizer que não se notam muitas influências dos álbuns-chave dos Metallica.

A segunda parte do álbum é mais interessante e provavelmente mais genuína. Existem algumas alusões a “Fade to Black”, “…And Justice For All” ou “Creeping Death”. “ManUNkind” e “Here Comes Revenge” são bonitas homenagens ao passado, ainda que se sintam os fantasmas de “Load” e “Reload”. É também nesta metade que se encontra a música com mais andamento do álbum: “Spit Out The Bone”. Com a habitual aceleração que os caracterizou noutros tempos, deve ser a malha que deixou os fãs da velha guarda mais satisfeitos.

Os anos passaram mas James Hetfield e companhia estão prontos para continuar a criar. E, assim vão alimentando uma marca que há muito deixou de ser banda. “Hardwired… To Self-Destruct” é corajoso e nostálgico. Não é certamente um mau álbum de thrash metal mas nunca será “O” álbum de thrash metal. Assim, torna-se ambivalente tendo em conta o estatuto da banda. Soa a Metallica mas não soa aos Metallica.

razoavel

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