Há 15 anos, no Natal, Alex Turner e Jamie Cook recebiam as primeiras guitarras

16 DEZEMBRO, 2016 -

Faz este este ano 10 anos que os Arctic Monkeys iniciaram o processo criativo de Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, um dos álbuns mais marcantes da banda britânica.

Tudo começou no Natal de 2001, quando Alex Turner e o vizinho Jamie Cook receberam as primeiras guitarras e decidiram fazer uma banda com os amigos de escola: Andy Nicholson tocava baixo e Matt Helders era o baterista. O grupo foi assistindo a amigos em pubs das redondezas de Sheffield a atuar e ganharam vontade de efetivar a formação da banda. Os Bang Bang tocavam covers e, quando Alex Turner decidiu escrever as primeiras letras e assumir a voz das mesmas, nasceram os Arctic Monkeys, nome dado pelo seu vizinho Cook. O nome foi tirado de um grupo do qual o pai do baterista Matt Helders fez parte nos anos 70. Todos eles principiantes com os seus instrumentos, começaram a treinar nas garagens do vocalista e do baterista e, depois, num armazém no subúrbio de Wath. No entanto, e de acordo com a mãe de Helders, metade do tempo dos ensaios neste eram passados a jogar ténis de mesa. As letras das músicas foram surgindo com o tempo, tornando-se mais liricamente lógicas e sendo fortalecidas pela partilha delas de Turner com os diferentes membros da banda. Até ao dia 13 de junho de 2003, data do primeiro concerto ao vivo num pub local de nome “The Sound“, foram ensaiando e consolidando os laços entre si.

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Depois do Natal de 2001 até ao primeiro álbum passaram 5 anos e Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not foi o primeiro trabalho de estúdio dos Arctic Monkeys. O disco foi lançado a 23 de Janeiro de 2006, sendo que o seu título proveio de uma citação do romance de Alan Sillitoe Saturday Night and Sunday Morning (1958). Alex Turner achou que existiam semelhanças entre a sua produção musical e a obra literária, em especial essa madrugada de sábado para domingo. A capa do álbum contém uma fotografia de um amigo da banda, de nome Chris McClure, líder da banda The Violet May. A mesma foi tirada numa manhã no Korova, bar de Liverpool, após uma longa noite boémia. A capa gerou controvérsia na Escócia, no sentido em que encara a prática de fumar como aceitável. O manager da banda, Colin Lester, refutou esta alegação, dizendo que a imagem mostrava precisamente o oposto.

No entanto, o processo criativo começou em Junho de 2005 e estendeu-se até Setembro do mesmo ano. Foram cerca de 4 meses os necessários para compor as 13 músicas do primeiro álbum, onde todas as letras foram escritas por Turner, com a excepção de Still Take You Home, em que contou com a ajuda de Jamie Cook.

1 – The View from the Afternoon
2 – I Bet You Look Good on the Dancefloor
3 – Fake Tales of San Francisco
4 – Dancing Shoes
5 – You Probably Couldn’t See for the Lights but You Were Staring Straight at Me
6 – Still Take You Home (Turner, Jamie Cook)
7 – Riot Van
8. “Red Light Indicates Doors Are Secured
9 – Mardy Bum
10 – Perhaps Vampires Is a Bit Strong But…
11 – When the Sun Goes Down
12 – From the Ritz to the Rubble
13 – A Certain Romance

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A banda de Sheffield gravou todo o álbum nos estúdios Chapel, um condado situado na região leste da Inglaterra. Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not tem o recorde de álbum de estreia mais vendido no Reino Unido, no espaço de um dia, foram vendidas cerca de 120 000 cópias e numa semana venderam-se cerca de 363 000 cópias, segundo a BBC News. O disco foi 4 vezes disco de platina e os Arctic Monkeys venceram o Mercury Prize, de 2006, no Reino Unido. Foi desta forma que se tornou com rapidez num álbum de destaque na categoria dos concept albums, centrado à volta da vida noturna inglesa.

Assim, esta espécie de conjunto de narrativas musicais aborda a vida dos jovens efusivos na agitação noctívaga do norte de Inglaterra. Todas as composições são contos na primeira pessoa de observações feitas na primeira pessoa, tais como “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, “Still Take You Home”, “You Probably Couldn’t See for the Lights But You Were Staring Straight at Me” e “Dancing Shoes”. Esta análise comportamental alonga-se também em outros aspetos, tais como as prostitutas da localidade (“When the Sun Goes Down“) ou as peripécias advindas da chamada de um táxi após uma longa noite (“Red Light Indicates Doors Are Secured“). No papel das relações amorosas, surge “Mardy Bum” e, na abordagem às subculturas noturnas, “Fake Tales of San Francisco” e “A Certain Romance“. Esta última foi salutada como um desabafo sobre os desprezíveis jovens do subúrbio, acabando por os absolver no final da faixa. Apesar da maioria das canções estarem isoladas, existem algumas assumidas pela mesma personagem no mesmo período de tempo, sendo elas “The View From the Afternoon“, “Dancing Shoes“, “Still Take You Home” e “From the Ritz to the Rubble“.

Quando a banda de Turner fez este primeiro trabalho existiam grandes influências de The Clash, The Smiths e The Strokes, dando aos jovens ingleses um estilo personalizado a partir das suas influências de Rock Alternativo e com uma sonoridade cheia de energia e criatividade.

No entanto Helders, o baterista, revelou a dada altura que os Queens of the Stone Age foram uma grande influência na sua evolução como baterista: “A coisa que mais me marcou foi assistir ao concerto dos Queens of the Stone Age num festival… assim que eles saíram do palco, pensei: preciso de começar a tocar de forma mais pesada’.

Turner revelou a dada altura que sofrera da influência do Hip Hop nas suas criações: ”Tive a minha primeira guitarra quando tinha 15 anos, mas não ouvia muito rock na época. Tenho a certeza que havia óptimas bandas, mas elas não chegavam até ao nosso pequeno bairro a 20 minutos do centro de Sheffield. Nós gostávamos muito de ouvir Hip Hop“.

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