Festival Silêncio está de volta! Há cinema, música e livros para todos no Cais do Sodré

29 SETEMBRO, 2017 -

O programa do Festival Silêncio celebra a palavra com duas centenas de propostas de acesso livre.

Entre 28 de Setembro e 1 de Outubro, o Festival Silêncio volta ao bairro do Cais do Sodré com um extenso programa que se oferece à cidade para celebrar a palavra através da música, performance, conferências, conversas, cinema, exposições, literatura, intervenções e oficinas.

Este ano, o Ciclo Autor convida a descobrir o universo da escritora Maria Gabriela Llansol. Com curadoria do Espaço Llansol, este ciclo celebra a obra da autora, dando-a a conhecer através de um conjunto de propostas que dialogam sobre e com a sua escrita.  A exposição “Cenas Fulgor” apresenta diversas possibilidades de diálogo entre o texto de Llansol e as artes plásticas, com obras de Rui Chafes, Pedro Proença, Ilda David, Duarte Belo ou Teresa Huertas a explorarem justamente essa relação. Miguel Bonneville apresenta “O Princípio de ________”, uma performance musical criada para o Festival Silêncio a partir de uma parte da obra da escritora, que idealmente não terá princípio nem fim. “Palavra-Voz-Silêncio em Maria Gabriela Llansol” é o tema de uma conversa entre João Barrento, Maria Etelvina Santos e Cristiana Vasconcelos Rodrigues, que procurarão abrir algumas perspectivas sobre a obra e o universo de Llansol. Marta Bernardes lê “Amar um Cão”, o texto-colagem de Hélia Correia escrito para os mais pequenos, numa sessão especial com cheirinho a jardim.

O Ciclo Palavra oferece um programa que reclama a Voz enquanto expressão e urgência. Este ano, as Conferências do Silêncio dão voz ao Sul. Mais do que pensar a invenção do Sul, interessa-nos ouvir as vozes que o pensam e o reivindicam enquanto símbolo de opressão e de resistência. O grande destaque é a conferência pública do filósofo camaronês Achille Mbembe, que nos vem falar sobre a noção de inimigo, o Estado securitárico e a redefinição do humano numa conversa conduzida por Mamadou Ba. Para questionar o lugar de fala do Sul e subverter o lugar de subalternidade das vozes silenciadas convidámos Paula Meneses, Rita Natálio e Jota Mombaça que a partir dos actuais trânsitos de capital económico, cultural e ecológico, pensam nas vozes que subvertem a dominação encontrando pontos de contacto. Numa altura em que o medo do amanhã é um alerta quotidiano, não estará a razão do medo na voz do historiador? Este será o ponto de partida para uma discussão com Rui Tavares sobre a importância da “Voz da História”. O “Recital Popular II – Vozes Silenciosas”  é uma proposta de Margarida Mestre, um coro de palavras que se faz à comunidade do bairro para desvendar, através da sua voz e do seu falar, recantos privados de quem aqui vive e trabalha. O Ciclo Documentos é uma mostra de documentários que pretende trazer ao debate e à reflexão realidades muito diferentes, com a intenção de instigar um confronto crítico com a nossa própria Voz.

No cinema, o destaque vai também para o Poetry FIlm, em mais uma edição da mostra competitiva “Isto Não É Um Filme. É Um Poema”, que este ano contou com mais de uma centena de inscrições de todo o mundo. Fruto de uma parceria com o Filmin Portugal, destacamos também o “Ciclo Filmin” que explora a desconexão entre a imagem e a voz e a sua própria independência como elementos comunicativos.

A palavra surge no epicentro da edição literária independente, que traz ao festival um conjunto de editores, convidados para criarem conteúdos à volta dos seus catálogos e edições. As editoras Abysmo, Artefacto, a tua mãe*, Douda Correria/Mia Soave, Do Lado Esquerdo, Flop, não edições, Dois Dias edições, Triciclo, Snob e a revista Cidade Nua aceitaram o desafio e estarão presentes durante os quatro dias do festival com diversas propostas e iniciativas. Este programa tem o apoio da Livraria Snob/Cossoul, a quem nos juntámos para organizar uma Feira do Livro dedicada aos livros de alfarrábio, aos editores independentes e aos autores representados nesta edição do festival.

Este ano, as Conversas do Silêncio vão fazer barulho e vão trabalhar o barulho que nos rodeia. São três conversas públicas e provocadoras entre o anfitrião Miguel Somsen e dois intervenientes, que se juntam para reagir e interpretar de forma imediata e espontânea acontecimentos da actualidade.

O Festival oferece ainda a agenda Palavrinhas, um conjunto de espectáculos e actividades entre concertos, teatro, oficinas, marionetas, jogos e brincadeiras pensadas para os mais pequenos, que têm nesta edição uma importante palavra a dizer.

O Palco da Rua Cor-de- Rosa volta a ser casa da Spoken Word no Festival Silêncio. Por aqui passam diversos projectos que têm na palavra dita a sua força e expressão. Este ano, o Festival Silêncio juntou-se ao FATAL – Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa – numa nova parceria que, pelo grupo de teatro Ultimacto, traz ao palco do festival o espectáculo “Ecos”, vencedor do prémio Fatal 2017.

Em conjunto com a Fundação José Saramago e a Casa Fernando Pessoa, o festival organiza a 2ª edição da Residência Artística “Casa-Palavra”, a acontecer entre os dias 4 de Setembro e 1 de Outubro. Em 2017, os artistas residentes são António Poppe, Bruno Humberto, Rui de Almeida Paiva e Sara Orsi.

Com o apoio da EGEAC, o “Jardim das Palavras”, inserido no programa Lisboa na Rua é uma parceria do Festival Silêncio com a Associação Ensaios e Diálogos e instala-se no jardim da Praça D. Luís, para construir um espaço que remete para um mundo lúdico e colorido, onde a festa da palavra se revela num trajecto interactivo de brincadeiras, instalações, jogos e criação.

Exposições e Instalações: Nesta categoria, destacamos o ciclo expositivo dedicado a Maria Gabriela Llansol, que integra obras de autores consagrados como Ilda David, Rui Chafes, Pedro Proença, Duarte Belo e Teresa Huertas, assim como de jovens artistas que propõem novos diálogos com Llansol. Destaque também para a exposição de ilustração In Vitro, a cargo do colectivo The Lisbon Studio, convidado para intervir nas montras da Praça de São Paulo, tendo como ponto de partida o tema Voz. A instalação colectiva Palavras à Janela volta a inscrever as vozes do bairro nas fachadas do Cais do Sodré.

Este ano, voltamos a destacar a programação do Palco do Jardim, com especial referência ao concerto “Os Velhos Também Querem Viver”, um espectáculo criado para o Festival Silêncio, que parte do texto homónimo de Gonçalo M. Tavares e que conta com direcção musical de Pedro Lucas e as participações de Carlão, Selma Uamusse, Manuela Oliveira, Joana Alegre e Carlos Barreto. Destaque também para o concerto “Água e Sal”, um projecto de Capicua e Pedro Geraldes e para o concerto de Bruno Pernadas, também no Palco do Jardim. A lembrar o festival de novas músicas Ó da Guarda!, Ó! apresenta um espectáculo de livre improvisação em celebração da Voz, da Palavra e do Silêncio. Lançamentos há três. Os Lavoisier lançam o disco “É Teu”, os Ermo tocam pela primeira vez em Lisboa o disco “Lo-Fi Moda” e Luca Argel apresenta “Contemspoleirs”, trabalho editado pela Douda Correria/Mia Soave, com o apoio do Festival Silêncio.

Do lado das novidades, o festival emite a Rádio Silêncio. Com direcção artística de Pedro Coquenão, este é um novo projecto que finalmente sai da gaveta para o ar.

Estes destaques e toda a programação estão disponíveis no site do festival (www.festivalsilencio.com), que se apresenta com uma nova funcionalidade que permitirá a qualquer pessoa desenhar a sua própria agenda e roteiro, num esforço permanente do festival de estar próximo de todos.

O Festival Silêncio lança o repto: participar, descobrir e sintonizar. Entre 28 de Setembro e 1 de Outubro, o ponto de encontro da palavra é no bairro do Cais do Sodré. O acesso é livre e é para todos.

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