Festival Med: sete artistas para manteres debaixo de olho

7 JULHO, 2016 -

A edição de 2016 do Festival Med decorreu no centro histórico de Loulé, de 30 de Junho a 2 de Julho. Para esta 13ª edição, trouxe de novo uma oferta variada, focada na world music, combinando artistas de Portugal, Brasil, República Democrática do Congo, Chile, Camarões, México, entre outros.
Estivemos presentes no festival e trazemos-te agora uma lista de 7 artistas que lá actuaram, que achamos que devem manter debaixo de olho.

Moh! Kouyaté
Estes guineenses trouxeram a Loulé aquele que foi, provavelmente, o melhor espectáculo do festival. Cantando em Maninka e outras línguas de África Ocidental, assim como em francês, misturam tradições da música Maninka com os blues, rock e jazz, evocando o calor africano. Os seus ritmos não cansam e impelem a dançar e a escutar compulsivamente, ao mesmo tempo que os riffs suaves de guitarra trazem à mente os Dire Straits. No concerto, puseram o público louletano a dançar desenfreadamente com canções como “Yéllé”, cujo vídeo podem ver a seguir.

Otava Yo
No pequeno palco Castelo, os Otava Yo apresentaram aquilo que se pode qualificar como o arquétipo da folk russa moderna. Misturando guitarra eléctrica com violino, gaita-de-foles, flauta e saltério, é impossível não sentir o impulso de dançar como se estivéssemos num bar russo. E o público do Med aderiu! A banda não se leva muito a sério; fazem isto pela diversão, e isso nota-se nas suas composições, em que mesmo as canções melancólicas não deixam de soar alegres. Ouçam, já de seguida, “Сумецкая (русские частушки под драку)”, ou, tradução da banda, “Russian Couplets While Fighting”.

Mbongwana Star
Os Mbongwana Star são uma banda recente, mas, com apenas um álbum, prometem ser uma pedrada no charco do panorama da world music. Mas não se ficam por aí. Na sua estreia em Portugal, os congoleses deram um concerto cheio de pujança, em que as canções rockeiras trouxeram os ventos quentes do deserto ao Algarve. Introduzindo distorção, ritmos pulsantes e riffs de post-punk em canções de influência africana, poderíamos arranjar uma comparação que reconhecêssemos, mas não vale a pena catalogar esta banda. O que vale a pena é ouvi-la.

Aldina Duarte
Da nova vaga do fado já se conhecem muitos nomes, e o de Aldina Duarte já se ouve bastante por aí, mas ainda não tem o reconhecimento devido. A sua voz portentosa e quente transporta-nos para o Sr. Vinho ou uma outra casa de fado, onde a própria diz que se sentiu a actuar, ao cantar no Palco Cerca do Festival Med, tal foi a recepção do público. Ainda assim, queremos voltar a vê-la numa sala fechada, para sentir a sua intensidade de uma outra forma. O futuro do fado está em mãos seguras com artistas como Aldina Duarte.

Fandango
A mistura inusitada de guitarra portuguesa e acordeão com ritmos techno e house é o que move Gabriel Gomes e Luís Varatojo, que não estão para meias medidas quando está em causa pôr o público a dançar. No entanto, isso não retira às composições para os dois instrumentos qualquer intensidade inerente à melodia, que puxa a fechar os olhos e absorver cada retinir das cordas ou cada nota do acordeão. Até há espaço para homenagear Carlos Paredes pelo meio.

Emicida
O rapper brasileiro Emicida não é propriamente um desconhecido, por esta altura, mas vale a pena partilhar o seu nome neste artigo. Deu um concerto muito bom no festival Med (no qual levou ao palco a nossa conterrânea Capicua) e é um dos MC’s mais respeitados do Brasil. As suas rimas interventivas, canções quentes e estilo que traz à mente os Fugees ou os Wu-Tang Clan, são motivos mais do que suficientes para ouvir as “insanidades” (nas palavras do próprio) que a sua mente compõe.

Tinariwen
Veteranos da world music (formados em 1979!), mas ainda desconhecidos do público em geral, apesar de já terem um Grammy no seu currículo, os Tinariwen fazem aquilo a que se pode chamar de rock tuareg. Formados no Mali, num ambiente de revolta e guerrilhas, as suas canções evocam o espírito tuaregue, desde a língua em que cantam (tamaxeque) aos temas das mesmas. Já num contexto de paz, dedicaram-se totalmente à sua paixão, a música, algo que se nota nas suas composições apaixonadas e encantadoras. Regressaram ao Festival Med ao fim de 9 anos e foram muito bem recebidos, como não podia deixar de ser. Ainda não é tarde para ficarem a conhecer os Tinariwen.

Texto de Bernardo Crastes

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