Festival de Filmes sobre Arte vai exibir 18 filmes em 4 dias

7 FEVEREIRO, 2017 -

O Festival Internacional Filmes sobre Arte Portugal é um dos três eventos mundiais dedicados a filmes sobre arte e artistas. Esta edição propõe filmes internacionais e nacionais que abordam temas artísticos em diferentes disciplinas: artes visuais, fotografia, teatro, literatura, música, entre outras. Nos nove anos de existência do Festival, foram apresentados cerca de duzentos e quarenta filmes, introduzindo o universo e práticas artísticas de mais de trezentos e cinquenta criadores, músicos, bailarinos, realizadores e escritores.

De 16 a 19 de Fevereiro de 2017, serão exibidos dezoito filmes, dos quais cinco são Portugueses. Todos os filmes internacionais são estreia em Portugal, alguns, estreia mundial.

Como enfatizado nos nove anos de existência, o festival não é de maneira alguma, um mero evento educativo em que o público conhece trabalhos artísticos específicos de valor histórico. Apesar de seus filmes muitas vezes apresentarem artistas internacionalmente aclamados, como as Pussy Riot, Mio Pang Fei, Tadeusz Kantor, Nicanor Parra ou Ernstalbrecht Stieglitz, exemplificando alguns da edição deste ano, o espectador será confrontado com as dúvidas e manifestos mais íntimos e honestos dos protagonistas que certamente não nos tornam consumidores de cinema fácil e confortável. Em vez disso, somos levados a pensar por nós próprios, tentar seguir as „viagens“ nos estranhos por vezes dolorosos e desconhecidos mundos dos artistas e descobrir como é que eles conseguem viver desse jeito.

O programa da edição de 2017 do festival reflete uma vez mais, a importância da arte para a sociedade e seus próprios membros. O significado de “Tempest” de Shakespeare para a vida dos atores do grupo de teatro Português “GRIOT” está nos afetando de modo semelhante quando assistimos este sensível filme de Uli Decker que juntamente com o filme Polaco “Kantor’s Cycle” inaugura o festival. O lendário diretor de teatro Tadeusz Kantor que teve de fugir do regime Nazi fundando o “Undergroud Independant Theatre” em apartamentos privados clandestinos, criando peças de teatro e exposições sob uma enorme tensão, mas com a mesma intensa paixão, certamente inspirará o público para otimismo e força para vencer obstáculos próprios que impedem a criação.

Podemos experimentar estratégias surpreendentes contra as limitações da situação de cada um, causadas pelos sistemas políticos, no filme do Português Pedro Cadeira sobre o pintor Chinês Mio Pang Fei, censurado pela Revolução Cultural Chinesa; no filme Russo “It Came From Me”, sobre e feito pelo  pintor Ivan Milov, que será libertado de uma prisão Russa na véspera da abertura do nosso festival; ou no “Act & Punishment”, por Evgeniy Mitta, que nos proporciona impressionantemente novas visões sobre o pensamento, vida e obra do famoso grupo de artistas Pussy Riot.

Mas a arte não precisa lidar expressivamente com conteúdo político para ter um impacto enorme na sociedade e nas comunidades. Impressionante é a influência da arte quando os habitantes de uma cidade são confrontados com ela regularmente e em mais de 22 anos, como mostrado no filme “How To Shape a City” do realizador Turco Caner Kaya. Quando a arte e fazer arte é constantemente visível inclusive aos não profissionais da arte ou às pessoas genuinamente interessadas em arte mas a toda a comunidade – que é o efeito da “Arte de Rua”, “Arte Urbana”, performances/teatro de rua – garante-se um crescente interesse da comunidade, elevando assim o nível de discussão e recetividade do desconhecido. Isso também é perfeitamente comprovado no enigmático filme “Madman’s Conspirancy” pelo Russo Algis Arlauskas que nos deixa encontrar um famoso Espanhol, cuja paixão e experiências de vida, o levaram à criação de um projeto extraordinário. Enquanto o aclamado “Antagon Theatre”, com suas performances de tirar a respiração, também move os espectadores a diferentes mundos, o filme “Home is not a Place” pelo realizador Polaco Pawel Schnabel também reflete os desafios, dúvidas e problemas que seus atores e dançarinos tem de conquistar na sua vida dura e disciplinada sob circunstâncias bastante difíceis.

Dúvidas, pesquisas e enfrentar desafios também são temas artísticos por si só, como no filme “Donkey’s Head” por Pedro Bastos, “This is not My Voice” por Rui Mourão e também em “Pontas Soltas” por Ricardo Oliveira, todos realizadores de Portugal. No último, os músicos da banda “Capitão Fausto”, não só tem de compor e concordar com sua música, como também viver as tarefas elementares da comunidade humana que é como comunicar devidamente e como tolerar as diferentes abordagens de cada um.

O espectador pode verdadeiramente vivenciar outras formas de ver o mundo entrando nos universos dos artistas visuais, tal como no filme sobre Lucas Blalock com sua abordagem não convencional à bastante convencional ferramenta Photoshop; tal do artista Mexicano Abraham Cruzvillages apresentado pela Americana Susan Sollins e Ian Forster; do pintor Holandês Johnny Beerens em “When Water turns into Drops” (por Jeannice Adriaansens) cuja preocupação com tinta e cor é simplesmente espantosa, até os excêntricos pensamentos e reflexões do lendário compositor Ernstalbrecht Stiegler no intrigante filme “Line by Line” por Viola Rusche e Hauke Harder.

Quanto a vida e a arte são entrelaçadas é apresentado no tranquilo filme de dois minutos “After David Caspar Friedrich II” pelo “video-flaneur” Konstantinos-Antonios Goutos que uma vez mais aponta as referências que podemos fazer entre imagens da vida diária e famosas obras de arte, estimulando a nossa fantasia e maneiras poéticas de ver. O anti-poeta rebelde Nicanor Parra do Chile é insubornável e consequentíssimo na sua vida e arte – sua existência é quase um memorial contra o convencional e o consumismo cego, e até desafiou o realizador Víctor Jiménez Atkin vários termos quando ele criou este “Portrait of an Anti-Poet”.

O festival terminará com um dramático filme de ficção mostrando uma história (talvez) não-fictícia, a de um proprietário de um cinema em Kabul, Afganistão, quem contra todos os perigos e destruição da guerra civil, ainda tenta defender a importância da arte e filme, criando seu próprio cinema contra todas as probabilidades. Em “Golchereh” por Vahid Mousaian terminaremos o festival num estado agitado de emoções e reflexões. Ainda que a devastação e ódio dos fazedores de guerras contra produtos culturais e arte, ao mesmo tempo comprovam o poder da arte, o poder de capacitar civis a uma vida emancipatória.

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