Fest: Os vencedores

26 JUNHO, 2017 -

Com a abertura das portas do grande auditório, iniciou-se um frenesim. Entre sorver o fim do vinho e correr a pousar os copos distribuídos no porto de honra, participantes e convidados foram-se colando uns aos outros para formar uma enorme fila de entrada.

A sala estava cheia. Lá dentro o frenesim continuou, entre escolher lugares e cumprimentar novos amigos, construía-se uma sonoridade de múltiplas vozes e gargalhadas. Interrompeu-a um sonoro “boa noite”. “Bem, isto funcionou para o silêncio”, as duas jovens apresentadoras conduziram o público ao longo da entrega de prémios.

Vanessa desceu ao palco acompanhada de pequenas ajudantes para os prémios do público FESTinha. Agarradas ao colo ou em bicos de pés, com alguma dificuldade de pronunciação e acentuada divisão silábica, as meninas anunciaram os vencedores nas três faixas etárias em competição: Lilou, de Rawan Rahim (Líbano), Pas a Pas (França), Way of Giants (Brasil) e Schlboski, do português Tomás Andrade e Sousa.

José Quinta Ferreira, em representação do júri, anunciou menções honrosas para Um refúgio azul, de João Lourenço, e 78.4 Rádio Plutão, de Tiago Mourinho. O Grande Prémio Nacional foi entregue a Maria sem Pecado, que valeu uma ovação ao realizador Mário Macedo, presente na sala.

De entre os cerca de 3000 concorrentes e 10 selecionados de cada categoria, o próprio Ed Lachman, diretor de fotografia e um dos oradores desta edição, anunciou os vencedores do Lince de Prata em animação, Antarctica, de Jeroen Ceulebrouck (Béligica), e experimental, Apocalypse, de Justyna Mytnik (Polónia). Foram ainda atribuídas menções honrosas a Pussy (Polónia) e Simba in New York (Alemanha).

Lucy Brown entregou a A New Home, de Žiga Virc (Eslovénia), a menção honrosa para melhor curta- metragem de ficção e a Downside up, de Peter Ghesquie (Bélgica), o Lince de Prata.

O público premiou a curta-metragem A Instalação do Medo, de Ricardo Leite (Portugal) e Sacred Water, de Olivier Jourdain (Bélgica), entre as longas-metragens.

Manuel Mozos e Salomé Lamas foram o júri das secções de documentário. Without Sun, de Paul de Ruijter (Holanda) recebeu uma menção honrosa, enquanto o Lince de Prata foi entregue a Homeland, de Sam Peeters (Bélgica). Ainda no documentário, Mozos anunciou o Lince de Ouro para The Road Movie, de Dmitrii Kalashnikov (Bielorrússia).

Por fim, Nicole Queen, membro do júri de ficção, entregou menções honrosas a Old Stone, de Johnny Ma (China/Canadá), e Invisible Hand, de David Macián (Espanha). O Lince de Ouro para ficção foi atribuído a Filthy, de Tereza Nvotová (República Checa).

Num breve discurso, o Vice-Presidente da Câmara de Espinho enalteceu o evento por tornar uma cidade envelhecida mais atraente para os jovens. Filipe Pereira, Diretor do FEST, dirigiu palavras de gratidão aos participantes, que vieram de tão longe, e aos convidados, pela “generosidade de vir até aqui partilhar o vosso conhecimento”.

A sessão de encerramento culminou na exibição de The One eyed King, de Marc Crehuet (Espanha). O filme sobre a crise financeira espanhola foi adaptado da peça de teatro do mesmo autor. A extrema simplicidade cinematográfica, com claros traços da encenação teatral que a originou, perde relevância face ao texto brilhante de comédia negra e interpretações deliciosas, que despoletaram explosões recorrentes de riso entre o público presente.

Filipe Pereira anunciou que o FEST estará de volta entre 18 e 25 de Junho de 2018. “Vemo-nos lá.”

Texto de Inês Lebreaud

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