‘Fantastic Beasts and Where to Find Them’, J. K. Rowling sacou uma nova saga da mala de Newt Scamander

20 NOVEMBRO, 2016 -

Harry Potter vai deixar para sempre saudades entre todos, mas sobretudo daqueles que o viveram na “altura certa”. J. K. Rowling criou um dos mundos ficcionais mais ricos jamais trazidos para cinema, só podendo ser comparável a Star Wars e Lord of the Rings. Mas ao contrário destes, Harry Potter cresceu com uma geração inteira que os foi lendo e posteriormente vendo em cinema com pouca distância temporal. Os livros da autora foram também eles crescendo à medida que nós o fazíamos, parecendo até que “naquele” mundo mágico e repleto de fantasia lidavam com as mesmas questões com que fomos lidando cá “deste lado”, o lado dos míseros muggles. Era como um “escape” fantasioso para um mundo em que sonhávamos viver.

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Foi como se tivéssemos estado em Hogwarts. Lá também fizemos amigos, sofremos bullying, praticámos desporto, falhámos, voltámos a tentar, tivemos as nossas disciplinas e professores preferidos, e, sobretudo, tivemos as nossas aventuras escapistas de um mundo mais mundano. Tudo isto sempre na companhia de três “amigos” nossos. O que eles viviam, também nós experienciávamos a seu lado. Agora dizem-nos que somos “crescidos”, que Harry Potter já lá vai. Pode até ser verdade, mas Fantastic Beasts and Where to Find Them tem a dose certa de nostalgia e coloca-nos num ambiente que, sendo agora mais adulto, tem a magia que nos impede de não adorar esta nova aventura com um brilho especial nos olhos sempre que surgem referências que tanto nos marcaram.

Fantastic Beasts and Where to Find Them é a adaptação cinematográfica do livro homónimo escrito por J. K. Rowling já em fase posterior à sua citação no imaginário Harry Potter. Fantastic Beasts and Where to Find Them era, na altura, um livro didático lido em Hogwarts, até que J. K. Rowling decidiu dar-lhe “vida” e torna-lo num livro real que viria a dar origem a este filme realizado por David Yates, o realizador de dois dos últimos títulos da saga Harry Potter no grande ecrã.

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Nesta espécie de prequela, Fantastic Beasts and Where to Find Them afasta-se quase totalmente do universo Harry Potter. Criando de forma bem conseguida um imaginário e contextos próprios, o filme consegue assim trilhar caminho para novos capítulos destas aventuras retirando-lhe qualquer peso sobre o facto de estar ligado à saga que encantou milhões pelo mundo fora. Uma abordagem fresca, com personagens distintas, que nos levam para outros locais. Uma série de escolhas acertadas para levar este e os próximos títulos a bom porto.

Tal como no livro, que é sobre magizoologia (uma espécie de BBC Vida Selvagem de criaturas mágicas com aptidões que as criaturas ditas “normais” não possuem), Newt Scamander (Eddy Redmayne, fantástico nesta espécie de David Attenborough, em particular numa cena em que tenta “cortejar” uma espécie de rinoceronte fêmea), é o magizoólogo que nos vai dar a conhecê-las. Newt guarda as criaturas numa mala mágica que tem dentro de si uma espécie de refúgio onde as os animais são protegidos e tratados (uma espécie de parábola sobre as espécies em vias de extinção nos dias de hoje).

Devido a um incidente com o muggle (que nos EUA são chamados de no-maj) Jacob Kowalski (Dan Fogler), que funciona aqui como o parceiro acidental de Newt e excelente comic relief durante todo o filme, alguns dos animais fogem da mala espalhando-se pela cidade de Nova Iorque. Entre eles está um adorável niffler, viciado em roubar objectos brilhantes que guarda na sua barriga, ou o tímido bowtruckle, que facilmente conquista a nossa empatia.

Mas há bem mais do que isto em Fantastic Beasts and Where to Find Them. Paralelamente, as nossas personagens principais são ajudadas pela ex-Auror Tina (Katherine Waterson) e a sua irmã Queenie (Alison Sudol) na luta contra uma ameaça muito maior, como é hábito por parte de J. K. Rowling,

Como antagonistas temos Graves (Colin Farrel), um agente do Ministério que parece esconder motivações pouco claras, assim como Credence (Ezra Miller), um orfão com quem o Graves mantém uma relação bizarra ao longo de todo o filme.

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Com um final orquestrado de forma soberba, Fantastic Beasts and Where to Find Them cria de forma aprumada o caminho para os próximos títulos de um franchise que demonstra ter sido capaz de se reinventar completamente. Apenas com a dose certa de referências nostálgicas a uma saga que tanto significou para os seus fãs, David Yates e J. K. Rowling encontraram um equilíbrio perfeito de condimentos para continuarem a conquistar o nosso coração. Num imaginário que já nada tem a ver com a riqueza fantasiosa de Hogwarts e todo o seu ambiente único na história do cinema, este filme coloca-nos num contexto totalmente diferente, de cenários urbanos e com um inimigo (Grindelwald) de rosto renovado, pronto a causar novas ameaças a um mundo que ainda assim nos é tão familiar.

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Com a dose certa de humor e romance a contrabalançarem com um “lado negro” tão próprio deste universo imaginado por J. K. Rowling, que, com os protagonistas que passámos agora a conhecer, está para durar. A escritora inglesa sacou mais uma saga, e desta vez directamente da mala de Newt Scamander.

bom

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