Estou desiludido

14 OUTUBRO, 2016 -

Tenho visto gente de grande gabarito a enquadrar o trabalho de Bob Dylan na chamada tese da Literatura Menor (LM), que é um conceito desenvolvido por Deleuze e Guattari em 1977 sobre a obra de Kafka.
Em linhas gerais, a LM é o texto escrito que se distancia de uma análise biográfica, filosófica e psicanalítica do autor, e que se volta para fora, para o leitor, para a sua inserção social.
A música Like a Rolling Stone, do Bob Dylan, de 1965, é uma canção suportada por um texto poético, é 100% psicanalítica do autor, como o próprio autor reconhece (como se viu na peça do jornal das 20h da TVI de ontem) ter sido feita.
Depois sim! Vieram as canções de causas sociais e políticas nos anos 70; a causa dos negros, da guerra do Vietname e outras.
Bob Dylan, com a sua linguagem poética cantada, modificou o mundo literário.
Muito mais do que, por exemplo, Philip Roth.
E a anos luz de distância do mal-fadado Lobo Antunes que só sabe escrever sobre dois temas: guerra colonial e o pai dele. Todos os livros do Lobo Antunes têm o pai e a guerra colonial. E querem um Nobel da Literatura ao Lobo Antunes?
Querem?
É?
Esperem é sentadinhos.
O Bob Dylan mudou a poesia.
Aliás, essa poesia urbana que anda por aí, declamada em pubs, em larga medida se deve às letras do Bob Dylan, em versos livres e longos.
Talvez o Dylan tenha sido influenciado pelo Walt Whitman. Não sei. Mas muita gente hoje escreve à Dylan. Sobretudo a poesia dita urbana.
Viva o Bob Dylan!
Se eu pudesse, beijava-o na boca!

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