Esperanças para um ano melhor na música

13 NOVEMBRO, 2016 -

Ainda não chegámos a Dezembro e, muito embora este ano o Nobel da Literatura tenha sido atribuído a um músico, já há algo que se pode confirmar: 2016 tem sido um ano terrível para os músicos. Janeiro foi marcado pelo desaparecimento de um dos maiores ícones da música Pop Rock, David Bowie e também pelo desaparecimento de Gleen Frey membro fundador dos Eagles, e Paul Kantner e Signe Toly Anderson, dois dos membros da banda americana Jefferson Airplane. Maio foi marcado pelo desaparecimento de Prince, outro ícone da música Rock que nos deixou. Agora, aquele que muitos nunca esperariam ver partir porque inconscientemente o consideravam eterno, acabou também por nos deixar. Leonard Cohen, que embora houvesse uma mensagem subjacente no seu último disco na música “You want it darker” em que dizia “I’m ready my Lord”, ninguém esperaria que apontasse para este final, pelo menos já, tão repentino.

Claro que esta lista não fica por aqui, num universo tão abrangente como o da música houve mais músicos que este ano nos deixaram e que, se calhar, até poderia mencionar ainda assim com relevo. Que tenha memória, não me lembro de um ano tão fatal na música como este. Tenho esperança que o próximo ano não seja tão cruel, seja um ano onde se continue a produzir boa música, excelentes canções, grandes melodias, virtuosos álbuns, à semelhança do que aconteceu há 50 anos atrás.

No ano que aí vem, 2017, assinalar-se-á meio século de uma das melhores colheitas musicais que alguma vez houve. O ano de 1967 foi um ano soberbo pela quantidade de intérpretes que lançaram os seus álbuns de estreia e que hoje são vistos como clássicos e relíquias da música rock, e não só! O ano de 1967 começava com o lançamento do primeiro álbum dos The Doors intitulado com o mesmo nome. As conhecidas músicas “Break on Through”, “Light my Fire” e “The End” estavam incluídas neste que viria a ser a rampa de lançamento da banda de Jim Morrison. Em Março do mesmo ano, os Velvet Undergroud lançavam o seu famoso e primeiro álbum “The Velvet Underground and Nico”, o tal álbum cuja capa é uma banana desenhada por Andy Wahrol. Mas há mais, David Bowie lançara em Junho o seu primeiro álbum, intitulado com o seu nome e em Agosto os Pink Floyd, na altura sob a liderança de Syd Barrett, lançaram “The Piper At The Gates Of Down” demonstrando o poder de um rock psicadélico quase único. Jimi Hendrix lançara também, em conjunto com a sua banda, o seu álbum de estreia “Are You Experienced?” em Outubro, aquele que é ainda hoje considerado o maior guitarrista de todos os tempos.

Estes são apenas alguns dos álbuns de estreia, de intérpretes que ainda hoje são muitíssimo conceituados e que irão fazer muito em breve 50 anos de existência. The Doors, Velvet Underground, David Bowie, Pink Floyd, Jimi Hendrix e entre muitos outros, lançaram os álbuns que os deram a conhecer ao mundo no mesmo ano, ano esse que foi um dos anos mais produtivos na música. Se meio século depois surgissem músicos e intérpretes tão bons como estes 2017 seria um ano musicalmente riquíssimo, mas provavelmente não haverá colheita igual a esta no futuro.

É certo que os “grandes” têm que partir algum dia, mas neste ano os grandes têm partido rápido demais, quase que não dá para fazermos o nosso luto, aquele período em que somos capazes de ouvir as discografias todas de uma ponta à outra sem nos fartarmos, e de pesquisar e encontrar coisas sobre músico em questão que nem sequer conhecíamos. Espero que fiquemos apenas no próximo ano mais pela comemoração dos 50 anos dos álbuns de estreia destes grandes intérpretes e ainda pela boa música que se venha a produzir (apesar de não ser tanta, felizmente ainda há alguma), pelo menos, para colmatar o que se tem passado este ano. É que isto tem sido dose!

Texto de: José Francisco Rodrigues Malta

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