‘Empire’, de Andy Warhol, é exibido na Cinemateca Portuguesa

3 NOVEMBRO, 2017 -

Em 1964, o artista pioneiro da Pop Art Andy Warhol realizou um dos filmes mais audazes e radicais de todos os tempos, considerado pura arte por uns, e uma ofensa por outros. Essa obra, Empire, consiste num plano fixo do imponente edifício Nova Iorquino o Empire State Building. Durante oito horas e cinco minutos, filmado a preto e branco e em silêncio, ao longo do final de tarde e noite de um qualquer dia da enorme metrópole. Esta visão de Warhol, em que o espectador é desafiado a encarar o majestoso edifício enquanto o tempo passa por ele, é uma metáfora para a apreciação da arte em si, despida de adornos, e é ao mesmo tempo o reflexo da passagem do tempo no próprio espectador.

Seja qual for a aceitação do espectador perante este conceito radical, é inegável que não existe outro filme igual, que desafie assim, despudoradamente, o próprio conceito daquilo que se pode considerar um filme, aqui ausente de narrativa, personagem qualquer outra convenção cinematográfica. Apenas conta o observador, o tempo, e o edifício, numa longa jornada durante a qual o sol se põe, as luzes se acendem e por fim se apagam. Ciclo repetido diariamente e que poucos tiveram a ousadia de encarar.

Em nota de conclusão, Empire foi raramente exibido na íntegra ao longo dos anos, e vai sê-lo pela primeira vez na cinemateca inserido no ciclo O Cinema e a Cidade, este sábado, dia 4 de Novembro, na sala Luís de Pina, o que torna esse acontecimento algo de unicamente histórico. Os mais corajosos terão assim a raríssima oportunidade de assistir em sala às 8 horas e 5 minutos do plano fixo de Warhol, talvez a derradeira consubstanciação da sua obra.

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