Vai ser publicada uma nova tradução da Bíblia Grega, de autoria de Frederico Lourenço

27 JULHO, 2016 -

Uma nova tradução da Bíblia Grega, ‘Septuaginta‘, de autoria de Frederico Lourenço, vai ser publicada em setembro, pela Quetzal, foi hoje divulgado.

A edição da ‘Septuaginta‘ ou ‘Bíblia dos Setenta‘, um original escrito entre os séculos I e o VII depois de Cristo, é uma tradução direta do grego, por Frederico Lourenço, e contém todos os 27 livros do Novo Testamento, iguais em todas as Bíblias atuais e, no Antigo Testamento, tem todos os 46 livros da Bíblia católica, ainda mais sete livros, o terceiro e o quarto Livros dos Macabeus, os Salmos de Salomão, Odes, o Livro de Susana, a história de Bel e o Dragão, e a Epístola de Jeremias, disse à Lusa fonte editorial.

A Bíblia protestante, por exemplo, não tem nenhum Livro de Macabeus, o cânone católico tem dois, ao passo que a Bíblia Grega, que a Quetzal publica em setembro próximo, tem quatro“, explicou à Lusa a mesma fonte.

No total são 80 livros, mais 14 do que as Bíblias protestantes e mais sete do que a tradução do atual cânone católico, numa edição em seis volumes, cujo primeiro é publicado no dia 23 de setembro, e “o último sairá em janeiro de 2019“, disse o editor da Quetzal, Francisco José Vieigas.

Frederico Lourenço realçou que a “Bíblia Grega completa nunca foi traduzida para português“. Quanto ao facto da Bíblia Grega ser mais completa, deve-se ao facto – explicou – de se terem perdido alguns livros em hebraico e só ter restado a tradução grega, e haver traduções gregas que não foram contempladas em hebraico e, por exemplo, os Livros de Daniel e de Ester “estão mais completos” na “Septuaginta“.

A edição portuguesa inclui uma introdução geral de Frederico Lourenço, e também uma introdução, contextualizando, antecedendo cada um dos livros, e várias notas de pé de página, que visam esclarecer o leitor, numa abordagem histórica, explicou Frederico Lourenço, que se afastou de qualquer comentário teológico, para o qual não se considera preparado.

Esta é um Bíblia para ser lida por crentes e não crentes“, sublinhou.

Frederico Lourenço é docente nas faculdades de Letras da Universidade de Lisboa e de Coimbra, romancista e poeta, publicou vários ensaios sobre a cultura helénica, traduziu os poemas épicos ‘Odisseia‘ e ‘Ilíada‘, ambos atribuídos a Homero, que terá vivido, provavelmente, entre 928 e 898 antes de Cristo.

Tal como houve um momento para a tradução dos poemas atribuídos Homero, Frederico Lourenço disse hoje que, apesar de há muito querer traduzir a Bíblia Grega, só agora chegou a oportunidade, ao “atingir a maturidade e confiança” para empreender tal tarefa.

Senti que tinha mesmo de o fazer e agora vivo o pânico de morrer antes de acabar“, disse Frederico Lourenço, de 53 anos, que referiu ser maior o grau de dificuldade em traduzir a Bíblia Grega, escrita por vários autores, do que as obras homéricas.

Para o ensaísta este projeto “é uma utopia, um sonho e vontade de criar qualquer coisa diferente“.

Hoje, o responsável da Quetzal, o escritor Francisco José Viegas, afirmou que “a Bíblica Grega dá a sensação [de ser] o nascimento do romance moderno“, opinião da qual partilha Lourenço, que disse que “é qualquer coisa nova, de futuro, intemporal“.

O editor da Quetzal realçou “a enormíssima coragem” de Frederico Lourenço ao empreender este projeto, já que a ‘Septuaginta é a mais completa das Bíblias na nossa língua“.

Frederico Lourençoabdicou de si próprio, ao encetar este projeto, para partilhar com os outros“, disse Francisco José Viegas.

No ano passado, Frederico Lourenço publicou “O livro aberto: Leituras da Bíblia“, em que afirma no prefácio: “Independente, porém, de uma questão de fé, a Bíblia pode ser lida como o mais fascinante livro alguma vez escrito“.

O ensaísta reconheceu a sua facilidade em ler o grego, sendo o da Bíblia diferente, em algumas palavras, do de Homero.

Viegas realçou “o extremo cuidado que toda a equipa está a colocar neste projeto editorial, e destacou a grande qualidade da tradução de Frederico Lourenço, pois, além do extremo rigor e profundidade do seu conhecimento do grego, conta com a sua sensibilidade literária“.

Texto Lusa
Fotografia de Miguel Manso

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