‘Don’t Get Lost’: Mais um belo capítulo na história dos Brian Jonestown Massacre

28 FEVEREIRO, 2017 -

A áurea da alma punk continua a pairar sobre a banda, nunca foram dados a grandes luxos, muito por culpa de Anton Newcombe. O frontman que transpira humildade e discrição – excepto nas patilhas – transportando-a genuinamente para a música que cria. Depois de se terem estreado em solo português no ano passado, os Brian Jonestown Massacre trazem-nos agora um disco capaz de reunir as mais variadas sonoridades da banda.

São catorze faixas de altos e baixos, umas ligadas à corrente e carregadas pela intensidade característica dos Brian Jonestown Massacre. Verdade é que já lá vão mais de duas décadas desde “Methodrone” e houve uma invariável evolução na sonoridade. Muito influenciada pelas experiências de Newcombe, mas também pelas entradas e saídas de vários membros ao longo de quase trinta anos. Anton Newcombe escolheu viver na sombra, libertando-se dos contratos com as grandes editoras. Mas isso não o impede de inscrever os Brian Jonestown Massacre na história, “Don’t Get Lost” é apenas mais um belo capítulo.

A mudança de Newcombe para Berlim tem sido influência crucial na sonoridade da banda, principalmente, em “Aufheben” (2012) e “Musique de film imaginé” (2015). Neste álbum essas influências voltam bem definidas, algo que é bastante claro na primeira faixa “Open Minds Now Close”, onde o krautrock dá asas a uma viagem expanvia ao longo de oito minutos. Entre o psicadelismo e o garage mais vincados e característicos dos Brian Jonestown Massacre estão as canções “Fact 67”, “Dropping Bombs On The Sun” e “One Slow Breath”. A imagem de marca de Newcombe ao longo dos anos não se tem perdido, aguentando-se firmemente nos riffs repletos de reverbs e loops. “Melody’s Echo Chamber” é uma faixa cheia de mistério e que se encaixaria perfeitamente numa qualquer banda sonora de um road movie. Já “Charmed I’m Sure” assume um lugar quase de interlúdio no álbum, uma vez que se trata de uma música curta e pouco volumosa.

“Acid 2 Me Is No Worse Than War” é provavelmente o momento mais surpreendente deste álbum. Ao fim de onze faixas suportadas pelo rock e psicadelismo mais expansivo, damos por nós num qualquer club berlinense. Podia não resultar, mas por aqui se nota que o único compromisso de Newcombe é com a música, tendo liberdade para fazer o que lhe apetece. Para fechar, um regresso ao garage com nuances kraut em “Nothing New To Trash Like You”. Uma voz doce e alemã em “Ich Bin Klang” dá-nos a despedida.

Treze álbuns depois e continua tudo lá, estamos em 2017 mas para os Brian Jonestown Massacre os anos não passaram, apesar da frescura que apresentam nalgumas canções, a impressão digital de Newcombe continua intransponível. Não é de todo uma surpresa, tendo em conta que a banda californiana sempre nos habituou a belos trabalhos. “Don’t Get Lost” é como dissemos anteriormente, mais um belo capítulo na história dos Brian Jonestown Massacre.

 

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