‘Dogs And Bones’: Novo videoclipe dos Lotus Fever é realizado por Vasco Reis Ruivo

31 MARÇO, 2017 -

Os Lotus Fever são Pedro Zuzarte, Diogo Teixeira de Abreu, Manuel Siqueira e Bernardo Afonso. Em Novembro do ano passado, o quarteto lisboeta lançou o aguardado segundo registo de originais, Still Alive for the Growth, depois de Search For Meaning (LP, 2014), que tem sido amplamente elogiado pela crítica com os aplausos do público. Responsável pela produção do videoclipe do recém-produzido single “Dogs and Bones“, o realizador Vasco Reis Ruivo conta a abordagem que recebeu para materializar esta colaboração, para além dos restantes detalhes que integraram a realização do mesmo.

Como surgiu a oportunidade deste projecto?

Em Setembro a banda contactou-me para lhes fazer um videoclipe. Chegámos a ter reuniões no estúdio deles mas, infelizmente, os prazos que a banda tinha eram incompatíveis comigo, andava muito ocupado e sempre a sair do país. Depois surgiu a necessidade de fazer um videoclipe em contexto académico. E por feliz coincidência encontrei-os numa noite de copos no Cais do Sodré. Lembro-me perfeitamente de estar a pedir a minha cerveja ao balcão de um bar qualquer e de os ver entrar na ponta oposta. Chamei-os logo e expliquei-lhes a situação! Depois surgiram outras propostas de outras bandas, mas a equipa já estava muito inclinada para fazer o filme para os Lotus Fever. Andávamos a viajar juntos e ouvíamos centenas de vezes as músicas que tínhamos “à escolha” nos minúsculos apartamentos em que estávamos, acho que atormentámos os restantes hospedes. Era muito claro que tinha de ser esta música. E assim foi.

Identificaste-te desde logo com a música?

Identifiquei-me muito com a música desde o princípio. Eles já me tinham dado a ouvir, na primeira reunião, algumas músicas do álbum que estava ainda para sair, e identifiquei-me muito com a vibe do álbum no geral. Quando surgiu esta nova oportunidade, pedi-lhes um conjunto de músicas e ouvi-as muitas vezes com a Karina (Produção) e o Rodrigo (Direcção de Fotografia e Câmara) —  a Leonor (Direcção de Arte) entrou no projecto numa fase posterior, bem como o Chico (que nos auxiliou na montagem do filme).

E tiveste liberdade criativa ou foi-te proposta uma ideia?

Esta música dava-me uma pica do caraças. Depois desenvolvi um conceito para ela e apresentei-o numa fase inicial apenas à equipa. Estava com medo, confesso. A ideia era muito ousada, de difícil concretização para uma equipa tão pequena e para um filme practicamente sem budget (o filme acabou por custar, no total, aproximadamente 250€). Sentei-me com eles à mesa num bar tenebroso, sombrio, nos subúrbios de Bruxelas, e expliquei-lhes o conceito entre cervejas deliciosas. Acho que estava à espera de uma nega. Pelo contrário! A ideia foi recebida com entusiasmo e agarraram-se ao desafio com uma garra inacreditável. Depois escrevi um guião e enviei-o à banda. Gostaram muito e avançámos com a ideia!

Quanto tempo demorou a estar tudo pronto?

Tivemos dois dias inteiros de rodagens, mais uma manhã e uma tarde. A pré-produção levou o seu tempo, não consigo precisar quanto, e a pós também foi complicada, tínhamos muito material bom e uma narrativa complexa para contar em pouco tempo e numa música com muitas variações. Acho que desde o dia em que apresentei a ideia pela primeira vez até termos um produto acabado se passaram 3 meses, aproximadamente. Sempre com muitas outras coisas pelo meio, uma série de outros filmes em que andávamos todos a trabalhar, viagens, etc. Mas foi um processo muito, muito interessante, desafiante e divertido.

Este trabalho foi feito com actores profissionais?

Há apenas dois actores profissionais. São os dois “seguranças” que contracenam comigo na cena com os cães (o Miguel Linares e o Victhor Dias). Já tinha trabalhado com o Miguel e já conhecia o Victhor também e não esperava outra coisa deles se não um excelente trabalho. Claro que se verificou, e agradeço-lhes terem participado pro bono neste projecto.
As restantes personagens são amigos, conhecidos e familiares, tanto nossos como da banda, e até nós próprios (eu a Leonor participamos no filme, bem como toda a banda).

Como foi fazer a Direcção de Actores?

Fui eu que fiz a direcção de actores, foi um desafio muito interessante. Na cena à mesa são todos familiares nossos. O pai e a mãe compreenderam perfeitamente o mood da cena e estão, a meu ver, brilhantes. Com as crianças o desafio foi maior. Acho que existe sempre um misto de entusiasmo e nervosismo de estar num ambiente de filmagens, e era preciso tê-los com um ar compenetrado, sério e assustado, o que não é fácil quando se estão a divertir. A certa altura tivemos de fingir que as coisas não estavam a correr nada bem para ver se sacávamos deles um ar mais pesado e preocupado. Acho que resultou! Com os funcionários da “fábrica” também foi relativamente fácil, a dificuldade prendeu-se acima de tudo com a quantidade de gente envolvida e o pouco tempo disponível daquele décor, o que, sem Assistente de Realização consegue ser uma tarefa árdua. Os cães também foram uma maravilha de dirigir! O Cougar (do Pedro Moleiro) é extremamente bem treinado e já tem prática de televisão. O Júlio também se portou muito bem. O mais difícil (talvez o caso mais difícil que já tive!) foi mesmo o chefe da “fábrica”, o Francisco, mas não vou entrar em detalhes porque no fim de contas foi tudo muito divertido!

Qual foi a parte do desenvolvimento do videoclipe que mais gostaste?

É uma pergunta difícil. Todos os momentos tiveram um lado muito excitante. Gosto sempre muito da parte da concepção da ideia e do momento das rodagens. O que mais gostei talvez tenha sido ver a ideia a ganhar forma à frente da câmara. E confesso que me diverti a participar como actor no filme.

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