Documentos revelam novos pormenores sobre assassinato de JFK

27 OUTUBRO, 2017 -

Trump decidiu divulgar milhares de documentos

Donald Trump autorizou a divulgação de milhares de documentos relativos ao assassinato do antigo presidente dos Estados Unidos da América, John F. Kennedy. No entanto, nem todos foram revelados: Trump bloqueou a revelação de alguns, defendendo que não tinha “alternativa” se não ceder às preocupações relacionadas com a segurança nacional expressadas pelo FBI e a CIA.

No entanto, milhares de documentos já foram publicados online. O jornal britânico Guardian fez uma lista com algumas das revelações que já foram extraídas desta revelação. São elas:

Morte de Oswald: polícia de Dallas foi avisada pelo FBI

O FBI avisou a polícia de Dallas que existiam ameaças de morte contra Lee Harvey Oswald, o homem que matou JFK. Esta informação é revelada num documento redigido pelo responsável desta entidade, J. Edgar Hoover.

“Ontem à noite recebemos uma chamada de um homem que, com uma vez calma, disse quer era membro de um comité organizado para matar Oswald”, lê-se na nota de Hoover, escrita a 24 de novembro de 1963. “Notificámos o chefe da polícia [de Dallas], que nos garantiu que Oswald teria proteção. Esta manhã, voltámos a ligar ao chefe da polícia alertando-o para o que estava a ser preparado contra Oswald e ele voltou a assegurar que este estaria protegido. No entanto, isso não aconteceu”, refere.

Lee Harvey Oswald, o autor dos disparos contra JFK, foi morto dois dias depois do assassinato contra o presidente dos EUA, foi morto enquanto era transferido, sob custódia policial, para uma cadeia estadual. Foi morto por um homem chamado Jack Ruby.

USSR temia guerra após assassinato

Os líderes da União Soviética consideravam Oswald “um maníaco neurótico que mostrava deslealdade para com o seu país e tudo o resto”, refere um documento do FBI. A USSR temia a existência de uma conspiração por detrás da morte de JFK, que estaria a ser organizada ou por elementos da extrema-direita ou pelo sucessor de Kennedy, Lyndon Johnson.

Para além disso, a União Soviética tinha medo do que poderia acontecer após a morte de Kennedy: “a nossa fonte diz-nos que os oficiais soviéticos temem que sem uma liderança, um general norte-americano irresponsável lance um míssil contra a União Soviética”.

Cuba ficou feliz com a morte de Kennedy

Aquando da visita de legisladores norte-americanos a Cuba em 1978, Fidel Castro afirmou que o seu país não estava envolvido no assassinato.

No entanto, em 1963, o embaixador cubano nos EUA reagiu “com felicidade” ao homicídio, refere uma nota da CIA.

Oswald entrou em contacto com ‘membro da unidade de homicídios do KGB’

Escutas telefónicas revelam que Oswald esteve na embaixada soviética no dia 28 de setembro de 1963, menos de dois meses antes do homicídio de JFK, e falou com o cônsul, Valeriy Vladimirovich Kostikov.

A 1 de outubro, Oswald voltou a ligar para a embaixada e falou em russo, perguntando ao guarda que atendeu se havia “algo novo relacionado com o telegrama para Washington”.

De acordo com a CIA, Kostikov foi identificado como um “membro do KGB”, que pertencia ao departamento 13, uma unidade “responsável por sabotagens e homicídios”.

Polícia já andava à procura de Oswald antes do homicídio

Em outubro de 1963, o departamento do FBI em Dallas já andava a procura de Oswald, revelam notas daquela unidade de segurança.

Um agente escreveu que o autor do homicídio de Kennedy era, de acordo com “fontes cubanas”, objeto de interesse. Essa informação foi passada à polícia de Dallas, que começou a “conduzir uma investigação para localizar Lee Harvey Oswald”.

FBI estava preocupado com teorias da conspiração

A 24 de novembro, Hoover mostrou-se preocupado com o surgimento das teorias da conspiração: “o que mais me preocupa é ter algo para apresentar para que consigamos convencer o público de que Oswald é o verdadeiro assassino”, lê-se numa nota escrita pelo líder do FBI.

Jornal britânico recebeu ‘dica’ 25 minutos antes

Um repórter do jornal britânico Cambridge Evening News recebeu uma chamada anónima. Do outro lado, um homem aconselhou-o a ligar para a embaixada norte-americana e a perguntar se havia “grandes notícias”. Este telefonema ocorreu 25 minutos antes do assassinato de Kennedy, lê-se numa nota do diretor da CIA enviada ao diretor do FBI.

“O homem disse apenas que o repórter do Cambridge News devia ligar para a embaixada americana em Londres e perguntar por grandes notícias. Depois desligou a chamada. Depois da notícia da morte do presidente, o repórter contou à polícia de Cambridge o que tinha acontecido e esta informou o Mi5”, lê-se no documento.

“A parte importante é que, de acordo com os cálculos do Mi5, a chamada foi feita 25 minutos antes do presidente ser abatido”, conclui.

Artigo escrito por Joana Marques Alves / Parceria jornal i

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