‘Diz a Verdade ao Poder’, um programa pelos direitos humanos

30 NOVEMBRO, 2016 -

Diz a verdade ao poder”, estreada já em 9 de maio deste ano (2016) na Fundação Calouste Gulbenkian aquando do Colóquio Internacional sobre Direitos Humanos, pela companhia conimbricense Bonifrates, é mais que uma peça de teatro. Trata-se de um programa de educação para os direitos humanos que vai desde os 5 anos até à Universidade. Orientado pela presidente da Robert Kennedy Human Rights, Kerry Kennedy (filha de Robert F. Kennedy e sobrinha de John F.Kennedy), o programa Speak Truth to Power integrará, segundo a mesma, o plano português de educação, tal como já foi feito no Cambodja, Itália, Suécia, Libéria e Ruanda, entre outros. Kerry Kennedy esteve no colóquio já mencionado, em Portugal, e deu uma entrevista ao Observador.

A peça, que regressou agora à cena no Teatro Académico Gil Vicente em Coimbra para duas apresentações, 29 e 30 de Novembro, fala sobre aqueles que não se calaram e lutam ou lutaram a vida toda pelos direitos humanos mais básicos, mesmo podendo ser torturados, presos ou mortos. Segundo as próprias personagens, só falando, denunciando, dizendo a verdade é que as coisas podem ser diferentes. Escrita por Ariel Dorfman a partir das entrevistas feitas por Kerry Kennedy a 51 pessoas que “estiveram pessoalmente expostas à violência ou foram testemunhas dessa violência sobre outros seres humanos, grupos, ou nações”, é uma obra de intervenção que têm o objetivo claro de nos mobilizar à denúncia das hipocrisias, falsidades e violações relativas aos direitos humanos.

Cenicamente existem dois planos distintos, um elevado, com uma luz quente, um contrabaixo tocado ao vivo e pequenos elementos de aspeto rústico, outro mais abaixo com luz fria e cadeiras de linhas retas. No plano mais alto movimentam-se os atores, vestidos com roupas simples, que dão voz a cada uma das histórias dos ativistas. No plano inferior circulam dois atores vestidos de fato e gravata numa clara representação do poder, que riem e desdenham dos primeiros e vem, de vez em quando, para o meio do público para nos recordar que nós somos como eles, que nós colaboramos com esse poder que encobre as injustiças.

A montagem em si, acaba por se repetir um pouco na forma de apresentar cada um dos testemunhos, mas não deixa de ser interessante tanto nas imagens que cria como nas histórias que conta. Uma a uma as histórias, claramente ditas pelos atores, vão aparecendo e cumprindo a sua função como peça de intervenção.

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