Depois de Narcos José Padilha vai realizar série inspirada na Operação Lava Jato

12 ABRIL, 2016 -

O conceituado realizador e produtor brasileiro José Padilha revelou como vai desenvolver a sua nova série e qual a importância de contar e registar toda a história.

Uma das imagens de marca de José Padilha é precisamente essa: a de contar histórias que reflectem a situação sócio-política e económica do Brasil, ou do mundo. O cineasta está por trás de filmes como Ônibus 174 (2002), Tropa de Elite (2007 e 2010), e da série Narcos (2015). Padilha, que mora actualmente nos EUA, mais propriamente em Los Angeles, concedeu uma entrevista ao jornal O Globo e decidiu revelar alguns detalhes sobre a sua nova série.

Segundo revelou o realizador o seu novo trabalho está a ser desenvolvido a partir do livro que o jornalista Vladimir Neto está a escrever: “Estamos a ler enquanto ele escreve, e a organizar a história e as personagens. Acho que a história é ainda mal compreendida pela população. Como funciona? O que faz cada uma das personagens e as instituições envolvidas? (…) Em suma, é revelar as engrenagens, ajudar a esclarecer, mas sobretudo mostrar o que as pessoas não podem ver, não têm acesso nas notícias“.

Padilha explicou ainda que pretende “simplificar os mecanismos da operação Lava Jato“. E para uma maior independência, isolamento politico e económico, a série é financiada por um único investidor e não é brasileiro. O realizador contou que a sua principal preocupação é justamente o facto da série ser uma memória de um processo histórico actual, que ainda não acabou e está a desenrolar-se à medida que a produção acontece. “Ao mesmo tempo, a série será uma fonte que pessoas que moram em Inglaterra, ou noutros países, terão para compreender o que está acontecer. (…) Não sou de esquerda nem de direita, nem marxista nem neoliberal, e vou atar-me aos processos e dados da operação Lava Jato.

O investidor, que embora não tenha sido revelado pelo realizador brasileiro, é um patrocinador único, e a série será exibida numa plataforma mundial. Segundo Padilha, ainda não há número de temporadas definido, mas cada uma delas terá seis capítulos, e a estrutura será feita por “núcleos”, algo semelhante ao que aconteceu em Tropa de Elite: “Separo as personagens em grupos sociais, constituo núcleos e monto um modelo de como eles interagem e porquê. As personagens têm peculiaridades, mas representam uma classe, um grupo, está implícito nelas algo sobre o mundo do qual fazem parte. A minha intenção é mostrar: isto aqui é uma investigação, e isto aqui é uma reacção a ela”.

Este não é o único novo trabalho que Padilha está a desenvolver, o cineasta tem também em mãos The Brand, uma série para a Showtime, com dez episódios, que vai reflectir os efeitos da cocaína nos EUA através do domínio ariano e neonazi no sistema prisional, entre as décadas de 1970 e 1980.

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