Dentro das juventudes partidárias

3 AGOSTO, 2017 -

A tendência é dizer que a geração mais jovem não quer saber de política, mas será que é mesmo verdade?

Pedro Carvalho – JS

Pedro Carvalho tem 26 anos e é natural do Porto. Está ligado à Juventude Socialista desde os 18 anos. Comenta que a sua participação na JS é “muito modesta”. No passado participou em muitas das atividades da juventude do partido, mas logo percebeu que o seu papel seria mais eficaz caso estivesse diretamente ligado a ele.

A participação deste millennial na vida política é ativa. Hoje faz parte da comissão política distrital e nacional do Partido Socialista. Em 2012 teve a sua primeira função na estrutura ao ser secretário da concelhia da Juventude Socialista, no Porto.

Na escola sempre participou em programas e iniciativas que nasceram para atrair os jovens para o mundo da política. Surtiram efeito, já que Pedro descreve que este caminho lhe provocou um “crescendo de interesse por diversas temáticas políticas”, dando assim o passo que considera “quase lógico e imediato”, alistando-se num partido que estivesse de acordo com a sua visão política da sociedade.

Diz estar no lado mais à esquerda do partido. Interpreta o socialismo democrático como as correntes socialistas que surgiram na Internacional Socialista, no século xix.

“Isto significa que nem sempre estou de acordo com o partido, algo que alguém que queira ser militante de um partido implicitamente tem de ter noção”, explica.

Por vezes assume publicamente a sua discordância em relação às posições do partido, noutras considera que “não se justifica”. Lembra que uma das mais recentes foi a forma como se deu a nacionalização da TAP, que considera “não cumprir um desígnio nacional”.

A principal motivação é continuar o argumentário político, consolidar medidas do atual governo e alargá-las.

Joaquim Gonçalves – JSD 

Joaquim tem 26 anos e é de Galegos (Santa Maria), em Barcelos. É finalista do curso de Ciências Farmacêuticas na Universidade do Porto.

A entrada no mundo político foi automática. Joaquim conta com entusiasmo que sempre foi “uma pessoa muito envolvida na comunidade, na freguesia, e esse foi o ponto de partida” para se envolver no mundo partidário. Apercebeu-se de que, ideologicamente, era com o Partido Social Democrata que se identificava e daí partiu para a filiação na juventude. A grande motivação do jovem de Barcelos é a política autárquica, já que é nesta que “com a nossa ação surgem conquistas diretas cujos resultados afetam diretamente as pessoas que nos rodeiam”, explica.

O que o fez identificar-se mais com a JSD foi ver nela uma entidade de jovens dispostos a partilhar e a discutir política com liberdade.

Joaquim explica que “falar de política abertamente, hoje, é difícil, porque há um enorme preconceito em relação aos militantes de juventudes partidárias”.

O millennial barcelense considera que “até pode ser justa uma avaliação negativa da ação política de muitos jovens e dos partidos em geral, aceito, mas é errado generalizar, porque todas as generalizações, por si só, são erradas”.

Conta ao i que na família nunca teve dirigentes políticos e que não vê no mundo político uma fonte de rendimento; porém, tem vontade de, através da política, poder fazer a diferença na sua comunidade. Presidente do núcleo da JSD da freguesia, sente que o PSD sempre deu “muito espaço político à Juventude Social Democrata, que tem também muita autonomia”.

Filipe Teles – BE 

Filipe é natural dos Açores, tem 24 anos e é estudante de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Católica, em Lisboa. Juntou-se ao Bloco de Esquerda em 2015 e foi a simpatia com a “força do BE na luta contra a crise, a austeridade e a ação da troika” que o atraiu para se inscrever no partido.

A transformação social é a principal motivação para a sua participação política. Por querer “a melhoria da vida das pessoas, desde o Estado social à capacidade económica de cada um”, decidiu começar a trabalhar lado a lado com quem sentiu ter “a melhor capacidade” para o fazer.

No Bloco de Esquerda não existe nenhuma juventude partidária, os jovens fazem parte da estrutura interna do partido, o que o millennial considera “bom”, já que assim não se dá “uma distanciação da política jovem para uma possível política para adultos”, o que, segundo Filipe, permite uma capacidade de “tentar influenciar a própria política da estrutura por dentro, o que é uma vantagem”. O jovem açoriano pensa que os jovens portugueses se interessam por política. No entanto, a política institucional “está muito desacreditada”, o que leva ao objetivo de “trazer esse descontentamento para os movimentos sociais, que são a melhor plataforma para uma efetiva transformação social”. Filipe não acha que os jovens façam política apenas nas redes sociais e pensa que “há muitas formas de fazer política, e as redes sociais são um bom instrumento para isso também”.

António Barreiro – JP 

António é um dos jovens da Juventude Popular. Tem 21 anos, é de Alcobaça mas vive em Lisboa, onde estuda Ciência Política e Relações Internacionais. Começou a interessar–se por política em pequeno, quando assistia às discussões saudáveis sobre o assunto dentro de sua casa. Mais tarde começou a participar em comícios do CDS. Aos 14 anos, idade mínima para um cidadão poder inscrever-se numa juventude partidária, percebeu que, apesar de os pais não serem filiados no partido, era com os ideais do CDS que se identificava mais. Decidiu então inscrever-se na Juventude Popular e a reação dos pais foi positiva. Chegou a fazer parte do gabinete de estudos da Juventude Popular e, mais recentemente, em dezembro do ano passado, foi eleito para integrar a comissão política nacional como vogal com a pasta da Educação.

António pensa que faltam boas pessoas no cenário político português, com uma visão de maior qualidade e com uma prestação mais altruísta nas funções políticas. “Gosto de olhar para a política como um serviço”, explica o jovem de Alcobaça.

Descreve que existe uma sensação de “gratificação” ao ver propostas elaboradas pela Juventude Popular serem levadas à discussão pública, como foi o caso das últimas propostas sobre a precariedade e o abandono escolar universitário, tema que o toca diretamente uma vez que, para poder pagar as propinas, António trabalha como funcionário da secretaria na Universidade Católica.

Artigo escrito por Ana B. Carvalho, publicado no nosso parceiro jornal i

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