“Death Song” inscreve The Black Angels para a eternidade

8 MAIO, 2017 -

A carreira dos Black Angels tem se consolidado com o decorrer dos anos, tornando o quinteto norte-americano numa referência do garage rock. “Passover” em 2006, foi um verdadeiro pontapé nos sons mais expansivos do rock. Volvidos quase onze anos desde o primeiro longa duração da banda, a maturidade que atingiram é clara e a linha que decidiram seguir é coerente. Os próprios já admitiram que o nome Black Angels é uma homenagem aos Velvet Underground e, este álbum será certamente uma continuação dessa comemoração: “Death Song” é o culminar de uma sonoridade que não envelhece.

Iguais a eles mesmos, os Black Angels apresentam um disco com alguns altos e baixos no que diz respeito às influências. O psicadelismo mantém-se demarcado pelos astronáuticos sintetizadores. A voz de Alex Maas reverbera pelas paisagens sonoras, carregadas pelas camadas de riffs electrizantes e rockeiras. Cumprem com o expectável quando rompem com guitarras mais sujas e com a alma cheia de punk. Há espaço para tudo nesta que, é a sétima viagem da banda texana.

A faixa mais orelhuda do álbum e, certeiramente escolhida para single, “I’d Kill For Her” é um habitué da banda norte-americana. Os acordes assumem uma estadia tipicamente garage e o refrão esconde-se por trás das guitarras esquizofrénicas de Christian Bland. Uma canção que funciona muito bem na perspectiva comercial, ainda assim, não foge ao carimbo tradicional dos registos da banda.

“Currency” e “Hunt Me Down” são frenéticas e estridentes. Marcas de uma forte característica dos Black Angels, vivendo num limbo que vai deambulando pelas estradas do psicadelismo e do punk. A faixa “Comanche Moon” habita na mesma divisão que “Currency”, embora as teclas se tornem no elemento mais vagabundo e audível. Naquela que, possivelmente, será a malha mais elaborada e completa do disco, onde os tempos se vão partindo e divagando em breaks espaciais.

Uma calmaria bonita, alegre e habitual na discografia do quinteto norte-americano, “Estimate” partilha com “Half Believing” um estatuto só alcançável por compositores ao nível de Anton Newcombe. A melancolia de “Life Song” encerra o disco, exclamando pela morte e pelo amor. Perecer enquanto se ouve esta faixa e pesando a ironia do título que enverga, seria certamente um exercício interessante. Os Black Angels dividem-se entre a vida e a celebração da morte, entre a festa do rock e o misantropismo do género. “Death Song” relembra tudo o que os Black Angels significam, para a vida, para o rock e para o psicadelismo.

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