‘Concrete and Gold’, dos Foo Fighters, é um álbum cheio de surpresas

16 SETEMBRO, 2017 -

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O tão esperado álbum de uma das maiores bandas rock do momento chega em Setembro de 2017, passados três anos desde o seu último trabalho musical. Depois de Sonic Higways lançado em 2014, Concrete and Gold era um dos álbuns mais aguardados do ano, tudo porque se trata dos Foo Fighters e só o nome em si deixa os amantes do rock bastante expectantes em relação a novos trabalhos. A passagem da banda norte-americana pelo Passeio Marítimo de Algés no segundo dia do festival NOS Alive proporcionou um dos grandes concertos do ano em Portugal, alimentando assim as espectativas do público português em relação a este novo álbum. O estilo extrovertido, roqueiro e afável daquele que é o principal rosto da banda, Dave Grohl, faz com que os Foo Fighters sejam uma das bandas mais acarinhas pelo público em geral, dando azo a que sejam cada mais aqueles que apreciem o seu reportório, esperando sempre ansiosamente por novidades musicais. Os seus concertos envolvem sempre uma vasta audiência que engloba diferentes gerações, desde aqueles que acompanharam os primeiros passos da banda até aos mais novos que, apesar de terem apenas presenciado o surgimento das canções mais recentes, aprenderam também a apreciar as canções mais remotas que os trouxeram para a ribalta. A inovação é algo que também corre nas veias de cada elemento da banda e a verdade é que o nono álbum de estúdio dos Foo Fighters está repleto de um misto de estilos variados que procura agradar a todos os gostos. Ao conjunto composto pelo então líder, guitarrista e vocalista Dave Grohl, os guitarristas Chris Shiflett e Pat Smear, o baixista Nate Mendel e o baterista Taylor Hawkins, junta-se o teclista Rami Jaffe, que já há algum tempo acompanhava a banda nos concertos e nas tours mas que agora seria incluído pela primeira vez como membro oficial da banda num álbum de originais. Composto por onze faixas e com uma duração total de 48 minutos, Concrete and Gold conta com convidados musicais inesperados em algumas das canções, bem como surpresas a nível musical. Produzido por Greg Kurstin, produtor conhecido por ter colaborado com artistas e bandas como Adele, Kelly Clarkson  Sia, The Shins, The Bird and The Bee, ou Pink, os Foo Fighters deram a conhecer a história por detrás deste álbum no dia do seu lançamento, através de um vídeo de animação narrado pelo próprio Dave Grohl.

O álbum inicia-se com uma curta canção, T-shirt, um misto de melodia suave que se eleva para um estilo mais agressivo, correndo rapidamente para a canção Run que foi dada a conhecer ao mundo como single em Junho deste ano, recebendo grande aprovação por parte do público português após a sua execução no festival NOS Alive. Run é uma canção que mostra o lado mais enérgico do rock dos Foo Fighters, embora com momentos distintos em que o ritmo acelera e desacelera como se de uma corrida se tratasse, justificando assim o seu nome. O vídeo da canção, na qual os membros da banda estão bem mais envelhecidos, tornou-se viral dada a originalidade do vídeo que mantém o ritmo e a energia sempre presentes nas músicas dos Foo Fighters. “Run for your life with me” é provavelmente o verso mais marcante desta canção, que é quase como um convite feito aos fãs que são a principal razão pela qual os Foo Fighters correm o mundo inteiro oferecendo momentos inesquecíveis a quem assiste aos seus concertos.

Make It Right remete para algum estilo que os Foo Fighters abordaram em álbuns anteriores, sendo esta uma amostra da identidade da banda que procura cada vez mais a promoção do o rock. A canção conta com a voz de Justin Timberlake que acompanha a de Dave Grohl numa melodia bastante harmoniosa. Já a quarta faixa, The Sky Is a Neighborhood, single lançado em Agosto, apresenta alguma tendência pop que não é muito comum nas canções dos Foo Fighters. Contudo esta canção pode ser interpretada como uma adaptação a um contexto mais pop rock que tem vindo a ganhar seguidores, em especial o público mais jovem. A letra e o nome da canção exibem um contexto de sonho e de fantástico, algo que nos pode remeter para uma espécie de infância onde os sonhos eram bem reais. O vídeo da canção aponta para isso mesmo, para alguma magia muito presente quando em crianças olhamos para o céu e sentimos vontade de ir mais além, procurando um sítio onde os nossos sonhos possam ser a realidade.

Lee Dee Da conta com o saxofone de Dave Koz e com a voz Alison Mosshart dos The Kills, também ela presente na execução desta canção no concerto realizado este ano em Portugal. A canção exibe um estilo mais agressivo da banda, numa espécie de dueto de Dave Grohl com a vocalista dos The Kills em simultâneo onde o hard rock preenche a canção do início ao fim. Dirty Water desce para um estilo mais soft, sendo dominado inicialmente pela guitarra acústica e por uma precursão suave, contando com a participação da cantora Inara George do duo indie-pop The Bird and The Bee. A meio da canção o tom eleva-se para o rock onde os instrumentos eléctricos bem como a voz de Dave Grohl dominam a canção, notando-se uma repetição intensiva dos versos “Bleed dirty water/Breathe dirty sky”.

A sexta faixa, Arrows, mostra novamente o estilo de rock demonstrado nos últimos álbuns dos Foo Fighters. Num ritmo mais pausado do que o habitual, os elementos da banda estão todos eles bem presentes numa canção que faz referência a alguém que tinha setas visíveis nos seus olhos através dos versos “She had arrows in her eyes/Fear where her heart should be/ War in her mind”. Segue-se Happy Ever After (Zero Hour) que tem um compasso semelhante a uma melodia de embalar, com uma letra que faz referência aos Super Heróis que no fundo deixaram de existir. Na canção a guitarra eléctrica surge de maneira discreta, preenchendo apenas algumas das pausas na canção. Sunday Rain, é a nona e mais longa faixa do álbum, onde o baterista Taylor Hawkins assume o papel de vocalista deixando a bateria nas mãos na lenda dos Beatles, Sir Paul McCartney. A canção tem um baixo muito presente ao início bem como a prensença constante da guitarra bem como de uma precursão suave, apresentando algum gratinado de Beatles. The Line, canção dada a conhecer também dias antes do lançamento, remete para um estilo mais clássico que habituou os fãs dos Foo Fighters, apresentando uma letra que retrata um misto de questões e de sentimentos por parte de alguém. Por fim, o álbum termina com a canção que dá nome ao álbum: Concrete and Gold. A canção apresenta um rock em modo lento onde a voz da Dave Grohl permanece num registo mais baixo do que o normal dando mais relevância aos instrumentos do que à sua voz, encerrando assim um álbum repleto de boas surpresas.

Para uma banda com o percurso, a originalidade e o carisma dos Foo Fighters, a avaliação de um novo álbum torna-se cada vez mais difícil pois existem espectativas que podem ser refutadas e estilos implementados que podem agradar a uns e criar algum desagrado noutros. Depois de uma análise ao seu conteúdo musical, Concrete and Gold pode ser considerado um risco que a banda teve necessariamente que correr, embarcando em vertentes que pouco tinham sido experimentadas mas nunca fugindo à sua identidade, fazendo tudo para que fossem fieis a si mesmos. O resultado é um álbum que oferece uma série de surpresas e de estilos implementados bastante cativantes, apesar de não ser um trabalho totalmente brilhante mas que apresenta um brilho característico. Os Foo Fighters, que contam com mais de vinte anos no activo, mostram desde modo que é possível correr algum risco ao adaptarem-se a novos estilos, mantendo-se a banda que realmente são. O nono álbum de estúdio dos Foo Fighters continua a abrir portas a um caminho carregado de outros tantos sucessos que certamente aí virão. Esta é mais uma prova de que Dave Grohl, o homem que estava apenas por detrás bateria e que ficaria com a sombra pesada dos Nirvana aos ombros, conseguiria livrar-se de grande parte dessa sombra erguendo um conjunto musical próprio e ficando na história como o mentor de uma das mais bem-sucedidas bandas rock de sempre. E este é apenas ainda o nono álbum.

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